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O avesso e o direito

Atualmente, a realidade nos mostra sua face mais desagradável: violência, agressividade, desamor, desencontros, sofrimento, infelicidade, dor. Sentimo-nos a tal ponto angustiados e inseguros que chegamos a nos perguntar se a vida faz algum sentido.

Sabemos, no entanto, que, na realidade objetiva, tudo obedece à lei da ação e da reação. “O que se planta, se colhe”, afirma a sabedoria popular. “Não faça aos outros o que não quer que façam a você”, orientou-nos Mestre Jesus. É válido pensar, portanto, que o que estamos colhendo hoje seja, simplesmente, o resultado do que temos semeado, como civilização, ao longo dos séculos.

Mas nem tudo é colheita desapontadora. Há pessoas e grupos obtendo bons resultados em suas searas. Provavelmente porque já se conscientizaram de que existem outras formas de se relacionar com a realidade. Consciência, no caso, é tudo, uma vez que se revela a balizadora da evolução da humanidade. À medida que nossa percepção consciente se amplia e se apura, não só tomamos conhecimento de mais fatos sobre a realidade, como compreendemos melhor nosso relacionamento com ela. Temos, então, condições de transformá-la.

Percepção consciente

Até agora, a evolução da consciência humana transcorreu, especialmente, no plano material. Nossa percepção foi capaz de nos situar no mundo; de nos estimular a conhecê-lo cada vez melhor; de nos motivar a utilizar as descobertas em proveito próprio e do bem comum, e de nos habilitar para um relacionamento interpessoal mais verdadeiro. O progresso científico, os avanços tecnológicos, a divulgação massiva e globalizada do conhecimento e a preocupação preservacionista destacam-se entre as inúmeras conquistas da humanidade ao longo do tempo. Contudo, não fomos capazes de encontrar respostas para as perguntas que nos angustiam desde sempre.

Essas respostas começam a ser vislumbradas agora, com a evolução da consciência alcançando o plano espiritual. Já aceitamos, com alguma naturalidade, o que nos dizem sobre a realidade por meio da percepção denominada extrassensorial ou paranormal. Não consideramos mais como mistificação o que nos explicam ter, como causa, o poder mental, os campos de energia humanos, a intuição, a mediunidade. Respeitamos, como plausíveis, os bons resultados obtidos a partir de terapias alternativas. Ainda não dominamos o que nos parece imponderável, mas já o incluímos, como fato aceitável, na realidade.

Contraposições como pistas

Ter noção do que é espiritualismo, em contraposição ao que sabemos ser materialismo, indica um primeiro passo em um novo caminho. A contraposição, em si, oferece igualmente uma pista sobre qual tem sido o sentido de nossa evolução até agora. Se não temêssemos as sombras, não valorizaríamos a luz. Se não sentíssemos a dor, não almejaríamos o prazer. Se não padecêssemos, não imaginaríamos a felicidade. Se não errássemos, não saberíamos o que significa acertar. Se não percorrêssemos um descaminho, não teríamos noção do que é um caminho.

Com o despertar da consciência espiritual, estamos no limiar de uma nova era, de mais luz, prazer e felicidade. Sabemos que há um caminho. Para percorrê-lo, precisamos exercitar nossa percepção consciente, analisando o que já conhecemos sob diferentes pontos de vista. A reflexão nos ajuda a avançar nessa direção.

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O poder das palavras soltas

Palavras soltas, sem um contexto que as ampare, são extremamente ambíguas, possibilitando inúmeras interpretações.

Exercitar-se com palavras soltas estimula a imaginação, permite que se vá longe em termos de associação de ideias, de emoções e de reflexões, o que resulta em inspiração para escrever, conversar e formar opinião, respeitando e fortalecendo a percepção pessoal sobre as coisas.

Vamos “viajar” com palavras soltas?

 

Vou “embarcar” em FRESCOR:

Frescor me lembra o orvalho da manhã; um cheiro bom de terra molhada; a chuva mansa que me surpreende ao voltar para casa em um dia quente; o gosto do sorvete; o cubo de gelo derretendo em cima da pia; a paisagem branca de neve vista na fotografia…

Essa associação de ideias leva-me a refletir que, tal como o frescor, os fatos aparentemente insignificantes do cotidiano (um sorriso, uma flor intensamente colorida em meio ao cinza da cidade, a pipoca no cinema…) podem me propiciar uma sensação agradável, um prazer intensamente vivido, um momento feliz.

Essa “viagem” me enche de inspiração e, assim, escrevo:

 

frescormenoraindaO gelo sobre a pia

derrete enfim

pois nada dura eternamente.

Posso vê-lo se liquefazendo

tomando outros rumos

mudando e se mantendo

seguindo outro destino

o da água que escorre

e vai para o rio

e se integra às nuvens

e cai como chuva

e vira água encanada

e, quem sabe, de novo gelo.

O permanente

diz a filosofia oriental

é a impermanência.

 

Sugestões para a sua “viagem”:

ESPAÇO

SUTIL

VERTIGEM

SUAVE

FULGOR

SONHO

MERGULHO

AFAGO

CANTIGA

SUSPIRO

INFINITO

 

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