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A arte de virgular

Vírgula 2

Essa tal arte de virgular, ou seja, de colocar vírgula no texto, mais do que conhecimento gramatical, exige sensibilidade. É preciso estar atento ao fluir da frase. Se interrompemos o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito, colocando a vírgula de forma errada, a frase resulta truncada, até sem sentido.Veja os exemplos a seguir:

O Presidente da República, nomeou o Ministro do Trabalho.

Tente não repetir, os mesmos erros.

Uma vírgula mal colocada atrapalha o entendimento agradável do pensamento. Mesmo que não tenhamos consciência clara disso, sentimos certo desconforto ao ler uma frase assim. De acordo com a gramática, isso ocorre porque não se pode separar o que está sintaticamente ligado: sujeito-verbo-complemento. Por isso:

Não se usa vírgula entre sujeito e verbo (primeira frase).

Não se usa vírgula entre verbo e complemento (segunda frase).

FALAR E ESCREVER

Mas a vírgula deve ser usada em muitas outras situações. Trata-se, assim como os demais sinais de pontuação, de um precioso recurso que utilizamos para sinalizar ao leitor como a frase deve ser lida e entendida.

Quando conversamos com alguém, face a face, fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos…

Nos textos, contudo, para obter o mesmo efeito, temos de recorrer à pontuação, em especial à vírgula, pois seu uso permite a correta entonação e interpretação da frase escrita, sinalizando quando se deve fazer uma pausa ligeira na leitura.

INTERCALAÇÕES

Ao sinalizar essa pausa, a vírgula ajuda o leitor a perceber a ocorrência de intercalações na estrutura básica da frase – aquela do sujeito-verbo-complemento –, sem interromper o fluxo natural do pensamento. Veja como isso ocorre nos seguintes exemplos:

O resultado do exame, ao que tudo indica, logo será publicado.

A vacinação, mesmo em doses fracionadas, ainda é o melhor sistema de prevenção.

A leitura da ideia principal (em negrito) ocorre de forma natural, sem que a intercalação (em itálico), por estar entre vírgulas, atrapalhe a compreensão da frase. Ao contrário, a separação com vírgulas ajuda a entender a frase de maneira mais completa, pois indica que há uma explicação, um esclarecimento, uma condição etc. associada à ideia principal.  A variedade de intercalações é grande, vamos conhecer as mais comuns…

EXPRESSÕES EXPLICATIVAS

As intercalações aqui são aquelas expressões corretivas, explicativas, tais como isto é; ou melhor; quer dizer; data vênia; ou seja; por exemplo etc. Como tais, devem ser colocadas entre vírgulas.

O professor, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil compreensão.

CONJUNÇÕES  

Certas conjunções, quando intercaladas, prepostas (postas antes) ou pospostas (postas depois) devem ser acompanhadas de vírgulas.

Empenhava-se no estudo com afinco e, por isso, conseguia bons resultados.

A verdade revelada, contudo, não fazia sentido.

Tratava-se, portanto, de fake news.

Entretanto, seguiu em frente.

O ano foi difícil; não me queixo, porém.

SUBORDINADAS

Nestes exemplos, separa-se com vírgula da oração principal (em negrito)  a oração subordinada (adverbial e reduzidas de gerúndio, particípio ou infinitivo, em itálico), que equivale a uma intercalação explicativa.

Quando chamado a comentar, fez um grave pronunciamento.

Sendo contrário, votou pela reprovação do projeto.

Abandonado pelos amigos, ele se virou como pôde.

Por ter parentesco com o réu, declarou-se impedido de julgar.

Os alunos colocaram-se em fila, atendendo ao sinal do recreio.

CONDICIONAL

Também se separa da oração principal (em negrito), com vírgula, a oração subordinada adverbial (em itálico), que funciona como uma intercalação condicional.

Ainda que o provoquem, não reage com violência.

Ele deve concluir o estudo hoje, se for possível.

VOCATIVO E APOSTO

Observe, nos exemplos a seguir, que se deve usar vírgula para separar os vocativos (primeira e segunda frase) e os apostos (terceira e quarta frase). Repare que a lógica de colocar a vírgula para organizar a frase principal, sem interromper sua fluência, se mantém. No caso do vocativo, em particular, a vírgula ainda ajuda a produzir um efeito dramático.

Amigos, é chegada a hora de buscar o entendimento.

Acorda, Brasil.

Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.

O homem, que é um ser mortal, deve se preocupar em deixar um legado.

PALAVRAS ISOLADAS

Aqui, a ideia é dar ênfase a uma afirmação, um conceito, uma tese. Palavras ou expressões intercaladas na frase principal conseguem alcançar esse efeito com o uso das vírgulas.

Compete ao cidadão, sim, exigir do político o cumprimento das promessas de campanha.

Ao político, de fato, cabe a responsabilidade de legislar em prol do bem de todos.

O USO MAIS COMUM

As vírgulas, portanto, são muito úteis para indicar a ocorrência de intercalações dos mais variados tipos na frase principal, sem interromper o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito.

Mas a vírgula se destaca naturalmente como recurso usado para organizar e ordenar uma sequência de termos ou de orações em um período. Veja os exemplos a seguir:

Chegou ao Rio de Janeiro, visitou o Pão de Açúcar, levou os filhos ao Jardim Botânico, passeou pela Avenida Atlântica, conheceu o novíssimo Museu do Amanhã.

Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem observadas na redação formal.

Assim, como explica a gramática, usa-se a vírgula para separar orações paralelas justapostas, ou seja, não ligadas por conjunção (primeira frase) e para separar termos independentes entre si (segunda frase).

O MAIS ELEGANTE

A vírgula também pode ser empregada para indicar a elipse, ou seja, a ocultação de verbo ou de outro termo usado anteriormente, ajudando a estruturar a frase de forma mais sofisticada. Observe:

João prefere os livros e Carlos, os esportes. 

(João prefere os livros e Carlos prefere os esportes.)

No horizonte distante, uma promessa de navio.

(No horizonte distante havia uma promessa de navio.)

O MAIS PRÁTICO

Quem não conhece este uso da vírgula? Com o objetivo de organizar e deixar bem claro o que está expresso por escrito, usamos a vírgula para separar os topônimos (nome do lugar) em datas e endereços.

São Paulo, 23 de abril de 1999.

Rua Nascimento e Silva, 107.

POR FIM, ALGUMAS PECULIARIDADES

  • No caso das conjunções mas e pois, importante lembrar que elas requerem continuidade e não pausa ligeira. Assim: Ele veio rápido, mas não ficou muito tempo. (e não Ele veio rápido, mas, não ficou muito tempo.) / Riu muito da situação, pois foi um acontecimento inusitado. (e não Riu muito da situação, pois, foi um acontecimento inusitado.)
  • Em uma única situação, quando tem o sentido de por conseguinte, portanto, a conjunção pois vem entre vírgulas: Ele está em outra cidade e não pode, pois, saber o que acontece aqui.
  • Não se usa vírgula antes de e, ou e nem, com algumas exceções:  1) Quando o e liga orações de sujeitos diferentes: O menino respondeu com um sorriso, e a menina, com uma piscadela. / 2) Quando o e e o nem estiverem repetidos na frase, visando dar ênfase ou sinalizar uma pausa mais marcada: Ele tropeçou, e caiu, e se machucou… / Ninguém o acompanhou, nem os irmãos, nem os amigos, nem a namorada! / 3) Quando se quer dar ênfase a uma afirmação ou deixar mais marcada uma pausa na frase: Ela contou toda a história, e pôs muita emoção nisso. / Vamos sair agora, ou não? / Vou entrar neste mar, nem que fique congelada!
  • A colocação da vírgula é opcional quando o termo anteposto – em geral, advérbios e adjuntos adverbiais – se constitui em uma única palavra. Mas nada impede que coloquemos a vírgula, especialmente se a intenção for realçar o termo: Ontem a CPI decidiu convocar mais um depoente. Ou Ontem, a CPI decidiu convocar mais um depoente. / Depois vamos ao show. Ou Depois, vamos ao show. / Repentinamente disse tudo que o incomodava. Ou Repentinamente, disse tudo que o incomodava.

Vírgula 9

VÍRGULA: APROVEITE ESSE RECURSO COM MUITA ARTE!

 

Veja também:

REDAÇÃO EM QUATRO ETAPAS

AINDA BEM QUE EXISTE A PONTUAÇÃO

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O inestimável apoio da pontuação

No começo, foi a palavra – solitária; depois, a frase – transmitindo uma unidade completa de pensamento; enfim, veio o texto – frases coerentemente encadeadas, desenvolvendo um raciocínio de sentido completo. Para que o texto expressasse adequadamente a ideia, foi preciso reunir vocabulário – variado e rico de sentidos – e também escrever tudo corretamente, construindo frases precisas (de acordo com o pensamento do autor) e bonitas (que envolvessem o leitor). O que falta agora, para que nosso texto tenha uma FORMA impecável? A PONTUAÇÃO.

 A pontuação, em um texto, equivale à gesticulação, à entonação, à emoção, às pausas da respiração, com que acentuamos nossa fala cotidiana.

  Quando conversamos, naturalmente fazemos pausas para respiração, gesticulamos, somos veementes, gritamos, sussurramos, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos etc.

Casal se olhando

  Quando estamos ao vivo e em cores com outras pessoas, contamos com muitos recursos para nos expressar. Quando estamos frente a frente com um papel ou uma tela de computador, imaginando a reação do leitor (genérico) a cada frase que escrevemos, a tarefa de se expressar com clareza pode se revelar mais difícil.

AINDA BEM QUE EXISTE A PONTUAÇÃO!

  A pontuação existe para isso mesmo, para dar clareza e precisão à expressão de nossas ideias por escrito; para pôr vibração, dar ênfase e emoção ao nosso texto; para substituir o gesto, a veemência, presentes nas conversas; para indicar as pausas da respiração…

  E até para indicar corretamente os destinatários de uma herança, como nos mostra, com humor, a história a seguir:

A HERANÇA QUE DEPENDIA DA PONTUAÇÃO

(Transcrito e adaptado de “Seleções” / edição fevereiro 99)

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“Foi encontrado o seguinte testamento:

Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

Quem tinha direito aos bens? Eram quatro os concorrentes.

O SOBRINHO pontuou o texto da seguinte forma:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

A IRMÃ pontuou assim:

Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

O ALFAIATE fez a sua versão:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

O PROCURADOR DOS POBRES, por sua vez:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!”

  Deu para sentir quão inestimável é o recurso da pontuação?

  Use-a com BOM SENSO (a mais fundamental das regras).

  Pratique também “olhar” para um texto, procurando observar como o autor (e o tradutor, no caso) usou de forma criativa e adequada (visando dar clareza, precisão, ênfase, vibração etc. à sua mensagem) o inestimável recurso da pontuação:

            “Entretanto, em alguns lugares as novas forças eram mais criativas. Acima de tudo, na Península Itálica, algo de notável emergia: o Renascimento já começava a orientar a mente dos homens por novos caminhos. Já se passara quase um século desde que Giotto terminara seus afrescos sobre a vida de São Francisco, em Assis, e a pintura europeia tinha ganho – quase literalmente – uma nova dimensão. Já em Florença, o menino Fra Angélico começava a aprender como segurar um pincel e o jovem Donatello, um cinzel. O novo movimento nas artes plásticas haveria de se espalhar pela literatura, pela política, pela filosofia e iria substituir a alquimia pela ciência, a superstição pela experiência e o preconceito pela lógica. Em 1.394, Petrarca e Bocaccio não mais viviam, mas os ecos literários que haviam partido das cidades italianas começavam a atingir locais distantes como Londres e Kent, onde Geoffrey Chaucer (que desfrutava ocasional proteção do Rei Ricardo II) já se atormentava escrevendo seus ‘Canterbury Tales’.”

(Trecho do Capítulo I – “Portugal no Mundo de 1.394” -, reproduzido do livro “Dom Henrique, o Navegador”, escrito pelo diplomata inglês John Ure e publicado, no Brasil, pela Editora Universidade de Brasília, em 1985, com tradução de Paulo de Góis Filho)

Veja outras dicas desta série:

1) Forma & Conteúdo: a anatomia de um texto

2) A estrutura lógica de um texto

3) Vocabulário na ponta da língua

4) Redação em quatro etapas

5) A arte de virgular

Forma & Conteúdo: a anatomia de um texto

  Para começar a conquistar desenvoltura na expressão por escrito, convém observar mais de perto este nosso objeto do desejo: o texto. Com esse propósito, nada melhor do que relaxar e brincar um pouco com as ideias. Que tal comparar o texto a um bombom?

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  Tal qual um bombom, um texto (qualquer um) tem forma e conteúdo. No bombom, pode-se dizer que a forma corresponde à sua aparência ou, mais precisamente, à embalagem, enquanto o conteúdo fica por conta do recheio, do bombom em si.

  No texto, a “forma” também equivale à aparência. Quanto mais atraente, chamativa, bem feita, correta, apresentável etc. for a forma de um texto, mais chance terá de ser lido. Já o conteúdo –  o bombom em si – é a parte mais substanciosa do texto, pois traz a mensagem do autor, o que ele quer dizer aos seus leitores.

  Assim, se a FORMA de um texto equivale à embalagem de um bombom, ela necessariamente deve ter:

Lógica – o texto deve apresentar um começo, um meio e um fim facilmente identificáveis e compreensíveis.

Vocabulário adequado – o texto deve contar com palavras que expressem nossas ideias com a maior adequação e precisão possível.

Correção gramatical – o texto deve mostrar o cuidado que tomamos para escrever corretamente, tanto no nível da grafia e acentuação das palavras, quanto no da construção de frases.

Pontuação apropriada – o texto precisa indicar, por escrito, a gesticulação, a ênfase e as pausas da respiração que utilizaríamos se estivéssemos conversando.

Apresentação – o texto deve ter uma estética, um “formato” que se revele o mais apropriado para acomodar / embalar / enquadrar determinado conteúdo. (Exemplo? O “formato” didático  que escolhi para apresentar este texto.)

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Se o CONTEÚDO equivale à mensagem do autor, à essência do texto, ele necessariamente deve ter:

Consistência – um texto consistente explora em profundidade o assunto que é a essência da mensagem, apresentando informações completas e confiáveis e argumentos bem desenvolvidos e convincentes.

Coerência – um texto coerente traz as ideias harmoniosamente encadeadas, de maneira a traçar uma linha de raciocínio objetiva e de fácil acompanhamento pelo leitor.

Fluência – um texto consistente e coerente “flui” agradavelmente, envolvendo o leitor e fazendo-o refletir a respeito do que está escrito.

  Diferentemente do bombom (pensando num bombom dentro de uma embalagem), contudo, não podemos separar a forma do conteúdo em um texto. Ambos estão intrinsecamente ligados: a forma serve à mensagem, assim como a mensagem preenche adequadamente a forma.

  Entender a anatomia de um texto é o primeiro passo em direção à conquista de uma maior desenvoltura para escrever.

  Sugestão para aproveitar melhor essa parte da viagem: analise alguns textos (prosa e poesia) sob o ponto de vista da forma e do conteúdo.

 

Não deixe de ver:

Redação em quatro etapas, uma miniaula para você!

A arte de virgular, para não errar na hora de colocar vírgulas em seus textos.

 

Jeito de ser–estilo: como se refletir neste espelho?

Todos nós temos um jeito de ser, composto por um conjunto de características e particularidades, que nos fazem únicos, e definem tanto nossa aparência física quanto a forma como nos relacionamos com o mundo.

Esse jeito de ser reflete, entre outras peculiaridades, nosso comportamento e atitudes em relação a nós mesmos e aos outros; e nosso modo de ver e de entender a vida.

Na expressão de ideias e sentimentos por escrito, essa maneira particular, única, de compreender a vida e de vivê-la transparece tanto no conteúdo, quanto na forma.

No conteúdo, revela-se especialmente nos temas que preferimos e no tipo de abordagem que utilizamos para avaliá-los.

Na forma, reflete-se na escolha do vocabulário, no uso da pontuação, na lógica, coerência e clareza do raciocínio, na linguagem preferida (conceitual ou poética), no formato mais usado (verso, artigo, ensaio, crônica, livro etc.), na objetividade, no detalhamento, na fluência, na harmonia etc.

Esse conjunto de especificidades em nossa expressão por escrito formam um estilo – o jeito de ser do escritor transposto para a escrita – e viram nossa marca registrada.

Ter um estilo definido na escrita demonstra domínio das técnicas básicas de redação; segurança no aproveitamento dos recursos da linguagem; e confiança, principalmente na capacidade de transformar ideias e sentimentos particulares em ideias e sentimentos que podem ser compartilhados e, assim, suscitar reflexões, sempre benéficas para todos.

Identificar o próprio estilo e, com isso, nossos pontos fortes e fracos na escrita, requer estudo e observação desapaixonada, primeiramente do nosso jeito de ser na vida e, depois, de como esse jeito de ser se reflete tanto no conteúdo, quanto na forma de nossos textos.

Parece difícil? Então, vamos ver como isso ocorre em uma análise sobre um renomado poeta português, no post Jeito de ser-estilo: um estudo sobre Fernando Pessoa. Não perca!

Ainda bem que existe a pontuação

pontuacao2Quando conversamos, naturalmente fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, gritamos, sussurramos, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos.Frente a frente com outras pessoas, contamos com muitos recursos para nos expressar.

 

Frente a frente com um papel em branco ou tela de computador, no entanto, imaginando a reação do leitor a cada frase que escrevemos, a tarefa pode se revelar difícil.

Ainda bem que existe a pontuação: para dar clareza e precisão à expressão de nossas ideias por escrito; para pôr vibração, dar ênfase e emoção ao nosso texto; para indicar as pausas da respiração e até mesmo, como mostra a divertida história a seguir – transcrita e adaptada de “Seleções” – para indicar corretamente os destinatários de uma herança:

  

“Foi encontrado o seguinte testamento:

Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho

jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

 

 Quem tinha direito aos bens? Eram quatro os concorrentes.

 

O SOBRINHO pontuou o texto da seguinte forma:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

A IRMÃ pontuou assim:

Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

 O ALFAIATE fez a sua versão:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho?

Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

O PROCURADOR DOS POBRES, por sua vez:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho?

Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!”

  

Deu para sentir o quanto é importante a pontuação?

Só para lembrar:  

Ponto Final ( . ) – utilizado para sinalizar o final de uma frase. Usa-se também nas abreviaturas.

Ponto e Vírgula ( ; ) – dão à frase a pausa e a entoação equivalentes ao ponto, mas sem encerrar o período. São também utilizados para separar itens de uma relação.

Vírgula ( , ) – fundamental para a correta entonação e interpretação da frase escrita. É usada para separar palavras, expressões e orações, dando-lhes destaque.

Dois Pontos ( : ) – são usados, basicamente, para introduzir uma explicação, um esclarecimento, uma citação e a fala de um personagem.

Ponto de Interrogação ( ? ) – marca o fim de uma frase interrogativa direta.

Ponto de Exclamação ( ! ) – marca o fim de frases imperativas, exclamativas e optativas (que exprimem desejo).

Reticências ( ) – são usadas para marcar uma pausa longa, com muitos significados. Entre eles: hesitação, incerteza, ironia, prolongamento da ideia, malícia etc.

Aspas ( ”  “ ) – utilizadas para assinalar citações textuais; para indicar gírias, estrangeirismos ou termos / expressões em sentido figurado.

Asterisco ( * ) – sinaliza a existência de uma nota ou explicação ao pé da página ou no fim de um capítulo, e, nos dicionários e enciclopédias, remete a um verbete específico.

Travessão ( ) – usado, em geral, para esclarecer o significado de um termo; para intercalar reflexões e comentários; para indicar a ocorrência de diálogo.

Parênteses / Colchetes  ( [ ] ) – usados para isolar palavras, locuções ou frases intercaladas no período. Às vezes, substituem a vírgula ou o travessão.

Parágrafo ( § ) – Seção de texto que forma sentido completo, e que, regra geral, começa com a mudança de linha e entrada. O símbolo § é usado para indicar um parágrafo de um texto (em geral, técnico) ou artigo de lei.

 

Há regras, mas a melhor delas é o bom senso!

Veja também: Redação em quatro etapas, uma miniaula para você!

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