Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

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Haicai 16

 

Confiança absoluta –

mãe e filha, de mãos dadas,

seguindo pela rua.

Mãe e filha 2

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A SENHORA DA CASA

A senhora da casa 2

A casa está de pé

ninguém sabe como,

há rachaduras, buracos,

reentrâncias,

lascas nos ladrilhos,

gordura acumulada,

estranhas ressonâncias,

falta de gravidade

nas repentinas diferenças

de piso.

O novo e o velho

se misturam

num charme inesperado,

por mais moderno

o móvel se encaixa,

por mais antiquado

pode ser útil.

Na mescla do antigo

e da vanguarda.

do desconjuntado

e do aproveitável,

a casa vai se aguentando,

cheia de feridas

e de lembranças.

Um dia teve quintal

espaçoso, flores

e plantas

entrelaçadas,

ervas exóticas

para chás curativos.

Um dia teve também

a senhora da casa,

oprimida, mas gentil,

capaz de unir

com graça

as inconciliáveis diferenças

entre o caipira e o urbano,

o mágico e o rotineiro,

o divino e o profano.

Talvez por ela,

que já se foi,

a casa permaneça de pé,

como numa homenagem

póstuma.

O LADO DAS SOMBRAS

lava3

Do barro amassado,

eivado de essências

profundas,

das raízes de ferro,

níquel e fogo,

permeadas de gases

elementares,

dos vestígios de lava

e de vegetação

cristalizada,

da vida sem vida,

conta a lenda,

nasceu o primeiro

rebento da humanidade,

luz divina

lançada

sobre obscura

matéria-prima.

Poço sem fundo,

mesmo assim

o afogamento

é impossível.

As profundezas

da mágoa

encobrem a dor

apenas por instantes,

pois tão logo mergulha,

flutua de volta,

como uma rolha.

caverna1

CANÇÕES DA ALMA

Canções da Alma 1

Mágico encanto

de sereias

silvar de cobras

arpejo de serafins

volteios

nostalgia

remansos

sem fim

vozes

caminhos

destino

feliz

murmúrios

rios interiores

gritaria

fantasmagórica

sem sentido

ruim

tristes cismas

melancolia

crepúsculo

lembranças

enfim

canções

que a alma canta

simplesmente

assim.

Canções da Alma 9

Mergulho

Mergulho 6

 

 

 

 

 

 

Ser aquático,

mergulhar

nas profundezas

do oceano,

escapar do etéreo

para o aconchego

do cristalino

manto.

Estender-se leve

ao balanço das algas

e, como as tartarugas,

sombrear

as transparências,

pintalgando de prata

os cardumes

em efervescência.

Tomar impulso

de golfinho,

defendendo-se

como o marlim

e sua espada,

assustando curiosos

feito moreia

entocada.

Mergulho 4Envolver-se

no redemoinho

das ondas,

temendo as manchas

aladas e seus bicos

pontiagudos

a furar

a flor das águas.

Desmanchar-se em

miríades de cores

e formas submarinas,

fluir

pelas correntezas,

acompanhando as marés

da lua eternamente

enamoradas.

Esquecer,

em abandono submerso,

a dimensão seca

da vida.

Barcos

 

 

 

 

 

 

 

As mágoas,

os ressentimentos

– o que não perdoamos

nem esquecemos –

são como âncoras

a nos segurar

em eterno estaleiro;

as velas gemem, estalam,

anseiam pelo vento,

que as acalenta, convidativo;

os barcos giram

em volta de si mesmos,

avançam, recuam,

mas não navegam.

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