Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Posts marcados ‘poemas curtos’

Poema engraçadinho

Óculos

O míope, quando

tira os óculos,

se vê – literalmente –

imerso em um

quadro impressionista.

Monet - Impression du Soleil Levant (1873)

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Esquizofrérico

Poema e ilustração da designer e artista plástica Denise de Camargo…

 

Às vezes poeira, às vezes caixão.

Ambos feitos de um material instável – ou estável –

de acordo com a pureza da cosmovisão.

Alado – ou arado – era mais do que um punhado:

de estrelas, alegrias ou qualquer religião.

Adorava seguir por entre os vales – ou valas –

da finita e ambígua rebimboca da parafuseta

destrambelhada em difusa precisão.

Comia por alto, bebia nos cactos, mas rugia,

vivia e mentia nas beiradas de um escopo azul.

Rudimentar, talvez. Espacial, sem vez.

De olho aberto, ruptura assim. Elementar – saudável –

ou quem sabe uma parte daquilo que vazava em mim.

Esquizofrérico ilustração Denise

 

 

Veio de onde?

Cascatas,

música clássica,

chuva rápida,

estalo de pipoca,

disso tudo,

um pouco de cada coisa,

veio a sonoridade

cristalina

das risadas.

 cascatas-11

Apesar de…

Há dias em que dá uma

vergonha de mim,

de ser quem sou,

de ser como sou.

O que fazer?

Fugir,

enfiar-me na toca,

deixar de ser?

A melhor alternativa

é viver – como diria

Clarice Lispector – 

apesar de…

knut2

 

Contrariar as contrariedades

Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive, muitas vezes, é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida.
Clarice Lispector, em ‘Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres’

 

Razões

Quando perguntaram

ao guerreiro

ao inquisidor

ao terrorista

ao ditador

ao homem, enfim,

por que era tão cruel

com o outro homem,

ele respondeu simplesmente,

sem hipocrisias religiosas

ou apelos idealistas:

– Porque eu posso.

 

Na luta da vida,

o poder é uma arma

muito perigosa.

 

poder-1

 

 

Vórtice

No fim, só a

morte é certa.

Mas, no remoinho

do viver, mesmo

as certezas são incertas

e fluem, em sua particular

harmonia, pelos mistérios

da impermanência.

Canções da Alma 3

 

Aquarela VII

A areia das praias

dunas, desertos

foi parar no céu

espatulada

em nuvens prateadas.

Por um longo instante

o mundo ficou virado

de ponta-cabeça.

E então

como se nada fosse

tudo se desfez.

O pó feito de água

escoou, escorreu

suavemente

pela ampulheta

do horizonte.

Ampulheta 2

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