Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

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Poema engraçadinho

Óculos

O míope, quando

tira os óculos,

se vê – literalmente –

imerso em um

quadro impressionista.

Monet - Impression du Soleil Levant (1873)

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Esquizofrérico

Poema e ilustração de Denise de Camargo*

Às vezes poeira, às vezes caixão.

Ambos feitos de um material instável – ou estável –

de acordo com a pureza da cosmovisão.

Alado – ou arado – era mais do que um punhado:

de estrelas, alegrias ou qualquer religião.

Adorava seguir por entre os vales – ou valas –

da finita e ambígua rebimboca da parafuseta

destrambelhada em difusa precisão.

Comia por alto, bebia nos cactos, mas rugia,

vivia e mentia nas beiradas de um escopo azul.

Rudimentar, talvez. Espacial, sem vez.

De olho aberto, ruptura assim. Elementar – saudável –

ou quem sabe uma parte daquilo que vazava em mim.

Esquizofrérico ilustração Denise

*Denise é designer e amante das artes. Gosta de ler, mas prefere escrever. Também trabalha com marketing digital.

Entre em contato:

Linkedin: http://bit.ly/Linkedin-Denise

Portfólio: bit.ly/PortfólioDenise

Instagram: @design.londrina

 

Veio de onde?

Cascatas,

música clássica,

chuva rápida,

estalo de pipoca,

disso tudo,

um pouco de cada coisa,

veio a sonoridade

cristalina

das risadas.

 cascatas-11

Apesar de…

Há dias em que dá uma

vergonha de mim,

de ser quem sou,

de ser como sou.

O que fazer?

Fugir,

enfiar-me na toca,

deixar de ser?

A melhor alternativa

é viver – como diria

Clarice Lispector – 

apesar de…

knut2

 

Contrariar as contrariedades

Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive, muitas vezes, é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida.
Clarice Lispector, em ‘Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres’

 

Razões

Quando perguntaram

ao guerreiro

ao inquisidor

ao terrorista

ao ditador

ao homem, enfim,

por que era tão cruel

com o outro homem,

ele respondeu simplesmente,

sem hipocrisias religiosas

ou apelos idealistas:

– Porque eu posso.

 

Na luta da vida,

o poder é uma arma

muito perigosa.

 

poder-1

 

 

Vórtice

No fim, só a

morte é certa.

Mas, no remoinho

do viver, mesmo

as certezas são incertas

e fluem, em sua particular

harmonia, pelos mistérios

da impermanência.

Canções da Alma 3

 

Aquarela VII

A areia das praias

dunas, desertos

foi parar no céu

espatulada

em nuvens prateadas.

Por um longo instante

o mundo ficou virado

de ponta-cabeça.

E então

como se nada fosse

tudo se desfez.

O pó feito de água

escoou, escorreu

suavemente

pela ampulheta

do horizonte.

Ampulheta 2

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