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Circunstâncias

Flores ao vento 12

Silêncio,

cinza lá fora,

chuva amena,

mesa farta,

falta o pai – que é dia deles –,

falta mais gente – que a família

se apequenou com as perdas

do caminho.

É muito

ou pouco,

dependendo

da perspectiva,

prefiro a plena:

o silêncio,

a serenidade,

a falta da família

ao redor da mesa

compõem  apenas

uma circunstância.

O viver é feito disso,

circunstâncias,

aproveitá-las,

usufruí-las

e fim,

só isso,

tudo isso.

Chuva na janela 11

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Esquizofrérico

Poema e ilustração de Denise de Camargo*

Às vezes poeira, às vezes caixão.

Ambos feitos de um material instável – ou estável –

de acordo com a pureza da cosmovisão.

Alado – ou arado – era mais do que um punhado:

de estrelas, alegrias ou qualquer religião.

Adorava seguir por entre os vales – ou valas –

da finita e ambígua rebimboca da parafuseta

destrambelhada em difusa precisão.

Comia por alto, bebia nos cactos, mas rugia,

vivia e mentia nas beiradas de um escopo azul.

Rudimentar, talvez. Espacial, sem vez.

De olho aberto, ruptura assim. Elementar – saudável –

ou quem sabe uma parte daquilo que vazava em mim.

Esquizofrérico ilustração Denise

*Denise é designer e amante das artes. Gosta de ler, mas prefere escrever. Também trabalha com marketing digital.

Entre em contato:

Linkedin: http://bit.ly/Linkedin-Denise

Portfólio: bit.ly/PortfólioDenise

Instagram: @design.londrina

 

TUDO OU NADA?

Patos na lagoa 4

Cansaço de tudo

de pensar no hoje

de esperar pelo amanhã

das tarefas obrigatórias

da posição defensiva

diante das ameaças

do mundo

do próximo

do distante

do sucesso do outro

da ilusão de dar valor

a esse sucesso

ou ao próprio

tão passageiro

está sendo

já foi

e lá vem outra onda

de fatos, acontecimentos

eu dentro, eu fora

sim e não, tanto faz

por isso, o cansaço

o desapego

pois o que é o viver

senão ser parte

de tudo, de um todo

assim como a pata

que ciceroneia

os patinhos na lagoa.

Deixa passar

Urgente resgatar

o amor do sofrimento

que não é inerente

mas provocado

por causa do excesso

ou por falta, descaso

se há uma média

uma dose certa

desse amor

que tudo permeia

fluindo como água

estimulando a vida

por onde passa

talvez esteja aí mesmo

nesse movimento

o mistério desvelado

nada de segurar

prender o amor

ou canalizá-lo

deixá-lo passar

eis a melhor receita

nem muito, nem pouco

apenas não contê-lo.

 

 

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