Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Posts marcados ‘poema de Ana Setti Rosa’

Haicai 20

 

SILÊNCIO À MESA DO JANTAR –

ENQUANTO CONVERSO COMIGO MESMA,

VOCÊ ME FAZ COMPANHIA.

Jantar em silêncio

 

Haicai natalino

Natal tropical 6

O Natal, nos trópicos,

derrete as asperezas

e aquece os corações.

Natal tropical 26

Haicai 14

 

Cor-de-rosa –

flores de ipê caídas

pelo caminho.

Ipê cor de rosa 6

Leve

 

O passarinho veio e

balançou o galho.

O vento veio e

balançou o galho

com o passarinho.

passarinho-e-o-vento-5

 

Haicai 12

 

Natal chegando –

paz de domingo

em plena quinta-feira.

cidade-ruas-vazias

Aquarela IV – Londrina

Dar a volta ao mundo

viajando com as palavras

que embora em casual harmonia

aqui afloram caóticas

AquarelaIV-Londrinapersiana200entrar no rodopio

criativamente planejado

de ruas bairros prédios

cujos nomes parecem setas indicativas

de alguma maluca agência de turismo

caminhar pelo jardim Piza

passando pelas ruas

Veneza Florença Gênova

nas quais se chega trafegando

pela avenida Inglaterra

em ordem geográfica incerta

chegar a Paris Toulouse Marselha

tomando fôlego na Milão

para desembarcar em QuebecAquarelaIV-Londrinavistapredioslago200

e logo a seguir em San Diego

San Isidro San Fernando

todos próximos da Califórnia

e do sempre enigmático Eldorado

descer em frente ao prédio Campos Elíseos

que não dista muito do Monte Carlo

no centro percorrer a Rio Grande do Sul

que logicamente desemboca

na Rio Grande do Norte

enquanto Paraná e Sergipe

fluem paralelas

e no letreiro do ônibus

AquarelaIV-Londrinavistageral200que deseja de acordo com o horário

Bom Dia  Boa Tarde  Boa Noite

surpreender-se com o itinerário:

Tóquio

mais um destino impossível possível

nesta cidade globalizada

pelas palavras

 

 

 

Serestar

serestarfig

 

 

 

 

 

 

 

Sem identidade,

apenas um homem e uma mulher

num mergulho sem volta.

Nem joão, nem maria,

apenas um homem à procura

de seu limite máximo,

apenas uma mulher a se equilibrar

no fio solto

de suas amarras.

Nem ele, nem ela,

apenas um único ser

enquanto dura

o instante supremo do abandono.

Nem eu, nem você,

apenas os sonhos

a recobrir nossas peles,

apenas os corpos unidos

como num prolongamento,

apenas o ser e o estar fundidos

num longo e mágico momento.

 

Sem identidade,

apenas um homem e uma mulher

enrodilhados no sono.

 

 

Gradações do amor

Ondainterna2Do afeto

puro e simples

à compaixão,

esculpida com paciência

em nossos corações,

o amor

flui, transforma,

refaz,

frutifica,

em seu escorrer

pela alma.

Quando estanca,

translúcido,

no poço fundo

do nosso eu,

avança para o alto

até não ser mais contido,

num transbordamento

de luz.

Ilhabela

Estou partindo,

impregnada de sol,

de tepidez das águas,

de canção das matas.

Por onde ando

reflito calor extemporâneo,

imponência de montanha,

o balançar de ondas e barcos.

Por onde passo

deixo pistas de areia fina,

respingos de pele molhada.

Em tudo

vejo brilho de prata,

de cidade refletida no oceano.

Por tudo e por nada

lembro de flores esparsas,

pontilhando todos os caminhos.

Ilha cheia de artimanhas,

seduziu meu corpo,

encantou meus sentidos,

usou de magia e sortilégios,

me deixou enfeitiçada.

Ilhabelafina2

Aquarela III

 

guarujaguardasolverm

O marido fuma

sentado na cadeira

ali ela deixa

frente à vastidão

dissipadora

do mar

ela faz cera

antes de sentar

e pegar a revista

de sérias notícias

alonga-se como se

antes talvez depois

o exercício fosse

ou tivesse sido

exaustivo

mas há uma

cadeira embaixo

do guarda-sol

protetor e

um espelho

em algum lugar

ela abre a caixinha

nem tanto pra se ver

mais essencial

é passar um pouquinho

de pó de arroz!

 

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