Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

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A apresentação do texto

  Como vimos, na primeira desta série de dicas, a FORMA de um texto também está relacionada à APRESENTAÇÃO (aparência, estética, formato) da sequência lógica e coerente de frases, que desenvolve um raciocínio com sentido completo (texto).

As cores do Ano Novo - 2

  Preocupar-se com a apresentação de um texto significa, basicamente, fazer escolhas, tais como:

* Escrever em prosa (texto corrido) ou em verso (poesia)?

* Diagramar, ou seja, dispor harmoniosamente elementos diversos – texto, figuras, molduras etc. – num determinado espaço, com mais sobriedade, formalismo ou com mais ousadia, criatividade, informalidade?

* Utilizar qual formato, entre tantos à nossa disposição, como: relatório, projeto, carta, comunicado, e-mail, folheto, mala-direta, discurso, livro, texto teatral, roteiro de cinema, anúncio, cartaz…?

* A apresentação de um texto abrange muitas escolhas e a melhor forma de decidir é avaliar, especialmente:

– A mensagem que se quer passar.

– O público ao qual a mensagem se destina.

Exemplo:

1) Quero passar mensagens sequenciais sobre como conquistar desenvoltura, segurança e prazer na expressão por escrito. O público ao qual essa mensagem se destina é formado por jovens e adultos interessados em escrever bem.

2) Pelo tipo de mensagem e abrangência do público escolho o formato “Dicas”, ou seja, textos não muito extensos, objetivos e, escritos em prosa – texto corrido -, já que as dicas são, basicamente, artigos  didáticos.

3) Quanto à diagramação, opto por uma miscelânea (organizada). Centralizo alguns trechos, justifico outros ou os alinho à esquerda e à direita; recorro ao negrito, ao itálico e ao sublinhado, à CAIXA ALTA ou baixa;  uso molduras ou apenas um sombreamento; eventualmente, utilizo marcadores ou numeração; recorro ainda ao espaçamento (entre linhas) e ao parágrafo (mudança de linha e entrada) para conseguir um visual mais leve. Todos esses recursos (que o computador oferece hoje ao escritor) são usados com o objetivo de passar para o leitor uma mensagem clara, precisa, instigante, atraente.

APRESENTAÇÃO de um texto é isso!

  Vale lembrar que os variados formatos de texto já estão genericamente definidos, ou seja, possuem elementos básicos de apresentação que os caracterizam como tais ou quais.

  Um roteiro de cinema, por exemplo, exige, para ser considerado como tal, uma apresentação bastante específica. Entre outras coisas, páginas divididas verticalmente, para que, de um lado, seja descrita a cena, e, do outro, sejam descritos os diálogos.

  Uma carta comercial, por sua vez, pede um texto curto, com ênfase (negrito, sublinhado etc.) em algumas frases ou palavras que não podem passar despercebidas, e diagramação mais sóbria.

MAS TUDO PODE SER REINVENTADO E APRIMORADO!

Ao escolher um formato de texto, adequado à sua mensagem e ao público ao qual sua mensagem se destina, dê uma espiada no que existe (em relação ao formato escolhido) e use a criatividade e o bom senso para adaptá-lo às suas necessidades e às de seus leitores.

Retrospecto por meio da leitura

  Para conquistar maior desenvoltura no “ofício” da escrita, vimos que é preciso ter conteúdo e saber como expressá-lo, desenvolvendo um texto lógico, coerente, fluente, bem escrito, bem pontuado e com uma apresentação adequada.  Vale também, e muito, criar o prazeroso hábito da leitura, mas… Seja crítico:

* Reforce sua confiança,

* Confie em sua opinião.

* Confie em seu sentimento.

* SEMPRE use sua opinião e seu sentimento como referências para concordar ou discordar do que está escrito.

* Lembre-se: não é porque está escrito que é verdade.

Exercite seu raciocínio

* Argumente e contra-argumente com o autor.

* Reflita sobre as razões que o levaram a concordar.

* Reflita sobre as razões que o levaram a discordar.

* Habitue-se a desenvolver argumentos que validem seu ponto de vista.

Solte-se

* Dê asas à sua imaginação.

* Fantasie.

* Brinque com as ideias que a leitura lhe traz.

* Deixe-se levar pelas palavras em viagens prazerosas.

Veja outras dicas desta série:

1) Forma & Conteúdo: a anatomia de um texto

2) A estrutura lógica de um texto

3) Vocabulário na ponta da língua

4) O inestimável apoio da pontuação

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Os outros sentidos das palavras

Uma boa escolha de palavras, ou seja, a utilização de um vocabulário adequado (à mensagem e ao público ao qual a mensagem se destina), é de grande valia para o desenvolvimento de um texto claro, preciso, “colorido”, capaz de envolver, esclarecer e persuadir o leitor e de incentivá-lo a refletir.

Já vimos por aqui alguns recursos que nos permitem ampliar nosso vocabulário e usar, com inventividade, as palavras e os sentidos das palavras, visando estimular a imaginação do leitor.

Agora, vamos voltar às palavras, buscando observar outros de seus sentidos, ainda não revelados, que podemos aproveitar em benefício de nossos textos.

SENTIR AS PALAVRAS

A proposta é incentivar você a “sentir” as palavras, além de entendê-las. Isso porque as palavras podem “soar” ou ser percebidas de diferentes formas – alegres, animadas, duras, melancólicas… -, possibilitando sua utilização em outros, até então, insuspeitados sentidos.

Vamos experimentar?

Relacione quantas palavras quiser para cada uma das categorias a seguir, de acordo com o “som” ou a “sensação” que a palavra suscita em você.

QUENTES

MELANCÓLICAS

PERFUMADAS

RITMADAS

DELICADAS

DURAS

COLORIDAS

Exemplo:

Para a categoria Quentes, escolho, de acordo com a sensação que tenho ao ouvi-las ou ao escrevê-las, as seguintes palavras:

Vulcão

Camelo

Sangue

 

Espesso

Corpo

Para a categoria Duras:

Cortante

Grito

Tragédia

Ruptura

Perda

Para a categoria Perfumadas:

Morango

Jasmim

Sândalo

Aroma

Amanhecer

“SINTA” AS PALAVRAS,

PARA PODER TORNÁ-LAS

SUAS CÚMPLICES.

DEFINIÇÕES ENFÁTICAS

Agora que você “sentiu” as palavras de um outro jeito, tente aproveitar mais esse recurso para escrever definições para alguns conceitos (você tanto pode optar por uma definição literal – o que o conceito quer dizer -, como por uma definição pessoal, subjetiva – o que o conceito significa para você).

Em um ou em outro caso, procure usar palavras apropriadas, que “soem” de acordo com o sentido (literal ou subjetivo) do conceito.

Exemplo:

Vou definir o que a palavra Caos significa para mim (preferi o conceito subjetivo ao literal). Como o sentido dessa palavra me remete a algo áspero, duro, melancólico etc., vou procurar, ao escrever sobre o tema, utilizar palavras duras, melancólicas etc. Assim:

CAOS: Ruptura, explosão, tudo ruiu, nada restou. Talvez ainda sobre uma esperança: de que não haja vazio algum, de que a perda seja aparente, de que a luz esteja apenas escondida atrás da densa escuridão.

Observe como a escolha de palavras apropriadas (ruptura; explosão; tudo / nada; ruiu; restou; vazio; perda; aparente; apenas; escondida; densa; escuridão) valorizam, fazem vibrar, dão colorido ao teor (melancólico, áspero, duro) da mensagem.

AGORA É A SUA VEZ!

Defina cada um dos conceitos a seguir, utilizando as palavras apropriadas:

PLENITUDE

 

FRÁGIL

 

CAOS

 

ROTINA

 

SAUDADE

 

OUSADIA

 

FELICIDADE

 

Não deixe de ver também:

A ARTE DE VIRGULAR, um guia prático para o uso da vírgula.

Faça revisão do texto

Revisão de texto parece ser uma tarefa reservada a quem não tem segurança para escrever. Muito pelo contrário, quem faz revisão demonstra que conhece (bem) as dificuldades inerentes à escrita e, para ter segurança, sempre utiliza suas vantagens.

 

VANTAGENS?

Quem diria que há vantagens no escrever em relação ao falar?

Pois há e não se trata apenas de revisão de texto. Veja só:

*     Numa conversa, quando não se sabe, é possível improvisar. Daqui a alguns dias, ninguém mais vai se lembrar do que foi dito naquele papo mesmo! Na escrita, quando não se sabe, é possível pesquisar, consultar, estudar e refletir sobre o assunto em questão até se sentir seguro o suficiente para escrever sobre ele. Usando essa vantagem, não corremos o risco de “dizer” bobagens.

*     Por outro lado, em caso de dúvida quanto à forma e ao significado de uma palavra, e quanto à correção gramatical de qualquer frase e bloco de frases (antes, durante e depois do escrever), é possível e altamente recomendável utilizar duas ferramentas que um bom escritor nunca dispensa: dicionário e gramática.

*     Por fim, mas não menos importante, vem a revisão de texto. Nas conversas, em caso de dúvida, explicamos de outro modo aquilo que não foi entendido corretamente. Na escrita, não há essa possibilidade. Mas antes de encarar tal fato como uma desvantagem, o mais estimulante é entendê-lo como uma vantagem. E que vantagem! Pois com a revisão, podemos fazer chegar ao nosso leitor uma mensagem lógica, clara, precisa, coerente, corretamente escrita e apresentada, sem necessidade de retificações, uma mensagem, enfim, que expresse nosso pensamento com fidelidade e que seja adequada ao público ao qual se destina.

DAQUI EM DIANTE,

AO ESCREVER,

APROVEITE ESTAS VANTAGENS

EM SEU BENEFÍCIO:

Antes

PESQUISE, CONSULTE, ESTUDE, OBSERVE, REFLITA ETC.

Antes, durante e depois

ESCLAREÇA SUAS DÚVIDAS COM A AJUDA

DO DICIONÁRIO E DA GRAMÁTICA

Depois

REVISE O TEXTO

Mas deixe as emoções de fora. Isso porque há, pelo menos, dois tipos de revisão: apaixonada e desapaixonada. O bom escritor opta pela desapaixonada, sob pena de (se preferir a outra) nunca conseguir se satisfazer com nada do que escreve.

O que significa fazer uma revisão desapaixonada (fria, objetiva, racional etc.) ?

Significa:

1)  Ler, com atenção crítica, tudo o que se escreveu sobre o assunto, verificando excessos e carências, em relação ao conteúdo do texto; vocabulário adequado e correção gramatical, no que se refere à forma do texto.

2)  Avaliar a lógica, a coerência e a consistência do texto, observando se a mensagem está clara, objetiva e compreensível para o leitor.

Ao revisar, de forma desapaixonada, temos condições de fazer

os ajustes necessários no texto, deixando-o “redondo”.

VAMOS EXPERIMENTAR?


Faça revisão no seu texto:

1) Verifique se o TEXTO que escreveu tem:

Þ  LÓGICA (conseguiu apresentar um começo, um meio e um fim facilmente identificáveis e  compreensíveis?)

Þ  COERÊNCIA (conseguiu passar a mensagem por meio de uma sequência harmoniosa de frases, que se integram no desenvolvimento de um raciocínio com sentido completo?)

Þ  VOCABULÁRIO ADEQUADO (usou palavras adequadas à mensagem e ao público ao qual a mensagem se destina?)

Þ  CORREÇÃO GRAMATICAL (as palavras que usou estão grafadas corretamente?; o sentido das palavras é mesmo aquele que imaginava, do qual se lembrava?; as frases estão corretamente construídas?; há algum problema de concordância – nominal ou verbal?; há muita repetição de palavras?; não é possível substituir, em caso de repetição, por um sinônimo ou palavra de sentido similar?)

Þ  PONTUAÇÃO APROPRIADA (recorrendo à leitura – em voz alta – do seu texto, observe se há algum descompasso entre pausas para respiração, ênfase, entonação e os sinais de pontuação utilizados)

Þ  APRESENTAÇÃO CONVENIENTE (a forma de apresentar a mensagem corresponde às especificações do “formato” definido previamente, seja redação, artigo etc.?)

2) Verifique ainda se o TEXTO está:

Þ  CONCISO (conseguiu expressar, de forma resumida – condensada -, o essencial da mensagem?)

Þ  OBJETIVO (conseguiu ir de um ponto – partida – a outro –  chegada – da mensagem  sem dispersões,  sem rodeios, sem  detalhes irrelevantes?)

Þ  PRECISO (usou palavras adequadas, precisas, capazes de expressar exatamente o que quis dizer?)

Þ  CLARO (utilizou frases de construção simples e direta?)

Þ  CONSISTENTE (conseguiu “esgotar o assunto” de forma que o leitor fique bem informado?)

REVISÃO DESAPAIXONADA É ISTO:

IR DIRETO AO QUE INTERESSA,

FAZER OS AJUSTES NECESSÁRIOS

E PONTO (FINAL).

 

E, nas revisões, não deixe de aplicar A arte de virgular!

Ainda bem que existe a pontuação

pontuacao2Quando conversamos, naturalmente fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, gritamos, sussurramos, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos.Frente a frente com outras pessoas, contamos com muitos recursos para nos expressar.

 

Frente a frente com um papel em branco ou tela de computador, no entanto, imaginando a reação do leitor a cada frase que escrevemos, a tarefa pode se revelar difícil.

Ainda bem que existe a pontuação: para dar clareza e precisão à expressão de nossas ideias por escrito; para pôr vibração, dar ênfase e emoção ao nosso texto; para indicar as pausas da respiração e até mesmo, como mostra a divertida história a seguir – transcrita e adaptada de “Seleções” – para indicar corretamente os destinatários de uma herança:

  

“Foi encontrado o seguinte testamento:

Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho

jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

 

 Quem tinha direito aos bens? Eram quatro os concorrentes.

 

O SOBRINHO pontuou o texto da seguinte forma:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

A IRMÃ pontuou assim:

Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

 O ALFAIATE fez a sua versão:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho?

Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

O PROCURADOR DOS POBRES, por sua vez:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho?

Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!”

  

Deu para sentir o quanto é importante a pontuação?

Só para lembrar:  

Ponto Final ( . ) – utilizado para sinalizar o final de uma frase. Usa-se também nas abreviaturas.

Ponto e Vírgula ( ; ) – dão à frase a pausa e a entoação equivalentes ao ponto, mas sem encerrar o período. São também utilizados para separar itens de uma relação.

Vírgula ( , ) – fundamental para a correta entonação e interpretação da frase escrita. É usada para separar palavras, expressões e orações, dando-lhes destaque.

Dois Pontos ( : ) – são usados, basicamente, para introduzir uma explicação, um esclarecimento, uma citação e a fala de um personagem.

Ponto de Interrogação ( ? ) – marca o fim de uma frase interrogativa direta.

Ponto de Exclamação ( ! ) – marca o fim de frases imperativas, exclamativas e optativas (que exprimem desejo).

Reticências ( ) – são usadas para marcar uma pausa longa, com muitos significados. Entre eles: hesitação, incerteza, ironia, prolongamento da ideia, malícia etc.

Aspas ( ”  “ ) – utilizadas para assinalar citações textuais; para indicar gírias, estrangeirismos ou termos / expressões em sentido figurado.

Asterisco ( * ) – sinaliza a existência de uma nota ou explicação ao pé da página ou no fim de um capítulo, e, nos dicionários e enciclopédias, remete a um verbete específico.

Travessão ( ) – usado, em geral, para esclarecer o significado de um termo; para intercalar reflexões e comentários; para indicar a ocorrência de diálogo.

Parênteses / Colchetes  ( [ ] ) – usados para isolar palavras, locuções ou frases intercaladas no período. Às vezes, substituem a vírgula ou o travessão.

Parágrafo ( § ) – Seção de texto que forma sentido completo, e que, regra geral, começa com a mudança de linha e entrada. O símbolo § é usado para indicar um parágrafo de um texto (em geral, técnico) ou artigo de lei.

 

Há regras, mas a melhor delas é o bom senso!

Veja também: Redação em quatro etapas, uma miniaula para você!

O poder das palavras soltas

Palavras soltas, sem um contexto que as ampare, são extremamente ambíguas, possibilitando inúmeras interpretações.

Exercitar-se com palavras soltas estimula a imaginação, permite que se vá longe em termos de associação de ideias, de emoções e de reflexões, o que resulta em inspiração para escrever, conversar e formar opinião, respeitando e fortalecendo a percepção pessoal sobre as coisas.

Vamos “viajar” com palavras soltas?

 

Vou “embarcar” em FRESCOR:

Frescor me lembra o orvalho da manhã; um cheiro bom de terra molhada; a chuva mansa que me surpreende ao voltar para casa em um dia quente; o gosto do sorvete; o cubo de gelo derretendo em cima da pia; a paisagem branca de neve vista na fotografia…

Essa associação de ideias leva-me a refletir que, tal como o frescor, os fatos aparentemente insignificantes do cotidiano (um sorriso, uma flor intensamente colorida em meio ao cinza da cidade, a pipoca no cinema…) podem me propiciar uma sensação agradável, um prazer intensamente vivido, um momento feliz.

Essa “viagem” me enche de inspiração e, assim, escrevo:

 

frescormenoraindaO gelo sobre a pia

derrete enfim

pois nada dura eternamente.

Posso vê-lo se liquefazendo

tomando outros rumos

mudando e se mantendo

seguindo outro destino

o da água que escorre

e vai para o rio

e se integra às nuvens

e cai como chuva

e vira água encanada

e, quem sabe, de novo gelo.

O permanente

diz a filosofia oriental

é a impermanência.

 

Sugestões para a sua “viagem”:

ESPAÇO

SUTIL

VERTIGEM

SUAVE

FULGOR

SONHO

MERGULHO

AFAGO

CANTIGA

SUSPIRO

INFINITO

 

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