Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Posts marcados ‘observador’

A ansiedade e o conceito espaço-tempo

Tudo é relativo, do ponto de vista de quem observa os acontecimentos.

Tudo tem seu tempo. Em linhas gerais, passado, presente e futuro.

Tudo acontece em um espaço que lhe é próprio, dentro e fora de nós, simultaneamente.

 

esptempo150A teoria da relatividade,  desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein, sustenta a noção de que não há movimentos absolutos no universo, apenas relativos. Qualquer movimento é relativo a algum sistema de referência escolhido (para conveniência de quem está estudando o movimento). Sob essa perspectiva, o espaço e o tempo desaparecem como entidades independentes e são substituídos pelo conceito espaço-tempo.

 

Onde está o observador – nós mesmos – está o nosso espaço. E o tempo que temos à disposição é este momento, o presente, o agora.

Existe ansiedade quando nos deslocamos mentalmente para o passado ou para o futuro e deixamos de preencher nosso espaço no presente com energia e atenção.

Pode ser surpreendente descobrir se vivemos de fato o momento presente.

Observe-se. Quanto da angústia, do desconforto, dos receios que porventura esteja vivenciando têm relação com este momento? Mais provável que tenham relação com fatos passados ou com preocupações a respeito do futuro.

E como não se pode voltar ao passado ou alcançar o futuro neste momento, vem a ansiedade, na forma de uma angustiosa sensação de pressa; de impotência; de sofrimento constante; de nervosismo; de exasperação; de desespero; de uma ou mais noites de insônia…

Quando você se conecta com o momento que efetivamente está vivendo, o passado perde a força e o futuro, a inevitabilidade. Ao concentrar sua energia no agora, você conquista poder para direcionar sua vida da forma que considerar mais adequada.

Respire fundo e concentre-se no momento que está vivendo. Observe-se.

Acalme sua mente e coloque sua atenção neste momento. Onde você está. Como são as coisas à sua voltas. E você: seu nível de relaxamento; seus gestos; suas sensações – de conforto, calor, frio; sua percepção quanto à luminosidade que entra pela janela, à água que escorre sobre suas mãos, de como você respira, à forma como anda – a força que coloca em cada passada, à tepidez do contato de sua mão sobre o seu braço…

Essa experiência vai ajudá-lo a se conectar com o presente. Pode ser que a sensação de tranquilidade decorrente, que vai lhe dar uma visão geral mais otimista sobre sua vida, não dure muito. Mas se valeu a pena fazer o contato, repita a experiência sempre que seus pensamentos insistirem em voar para o futuro ou ficarem tentados a mergulhar no passado. Principalmente, surpreenda-se com as muitas descobertas em relação à riqueza que existe em seu presente.

Anúncios

O ponto de vista do observador

 knutunico1Ser rejeitado, qualquer que seja a circunstância, é um sentimento doído, que abala a confiança em si mesmo e põe por terra toda a autoestima construída com tanto esforço.

Não importa muito de onde vem a rejeição – familiares, amigos, colegas… -, o que importa é a dor sentida e a forma como lidamos com isso.
Toda essa imensa mágoa, no entanto, talvez pudesse  se resumir a uma questão de perspectiva. Quem é o observador?

  

Ao estudar o microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – os cientistas estranharam o comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo. Ao fazer experiências, observaram que as partículas podem se comportar simultaneamente como ondas.

Buscando detectar quando os elementos atômicos agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos com a constatação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas.

Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

Quem é o observador quando nos sentimos rejeitados? Nós ou o outro?

Será que estamos partindo do ponto de vista do que pensamos sobre nós ou do que supomos que o outro pense sobre nós? Há de fato uma rejeição ou simplesmente um “não estou nem aí”. Isso porque o outro – e somos o outro em muitas situações – tem mais com o que se preocupar, como suas próprias inseguranças e medos.

Assim, será vantajoso dar ao outro – um ser humano tão cheio de incertezas quanto nós – esse tremendo poder? De decidir, avaliar, dar peso e forma ao nosso valor?

Cultivar a rejeição só parece ser vantajoso quando se transforma em justificativa para não olharmos para nós mesmos, em busca do nosso próprio valor.

 

 “Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?”
em poema de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: