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Consciência de ser

Costumamos usar, com frequência e muita propriedade, expressões como: “Tomei consciência do fato.”; “Em questão de segundos, tive consciência do perigo que corria.”; “A consciência de que ia magoá-la, impediu-o de fazer o que pretendia.”…

A familiaridade e a desenvoltura com que tratamos o conceito de consciência, comumente restrito ao pensamento filosófico, revela que nos apropriamos da essência de seu significado quando o aplicamos na prática.

Pelos exemplos acima, de uso corriqueiro, observamos que, na perspectiva do cotidiano, consciência equivale à percepção da realidade, interna e externa a nós.

Assim, sem recorrer a qualquer tipo de especulação esotérica, podemos dizer, pela observação, que o ser humano conta com um recurso natural, que lhe permite ligar-se ao mundo exterior e interior, e tomar conhecimento do que acontece à sua volta e dentro de si mesmo. Esse recurso é a consciência ou, como o uso comum a define: a percepção da realidade.

Seguindo esse encadeamento de ideias, faz sentido pensar que o despertar da consciência tenha propiciado ao primata, que havia se desenvolvido mais e melhor do que os outros de sua espécie, a oportunidade de alcançar o estágio de Homo sapiens, dando origem à linhagem do ser humano, tal como somos hoje.

A evolução e o medo

Por começar a perceber o que se passava à sua volta e a se perceber como um ser à parte, esse nosso antepassado longínquo teve condições de se relacionar com o ambiente e com os demais seres, tirando dessa interação o melhor proveito. Utilizou objetos de osso e pedra como ferramentas e armas; aprendeu a acender, a manter e a empregar o fogo; buscou formas de comunicação, como a fala,  mais eficientes aos seus propósitos.

Por tomar consciência do que não conhecia, em oposição ao que sabia e podia controlar, teve medo. Por temer, sentiu-se impelido a enterrar seus mortos e a registrar a fugaz existência nas paredes escarpadas das cavernas, pintando cenas de seu cotidiano.

Por raciocinar sobre o que percebia, deduziu a vantagem de se fixar numa terra apropriada e dela tirar, por meio do cultivo de plantas e da domesticação de animais, o seu sustento. Por começar a sentir, expandindo sua percepção em relação ao mero instinto, solidarizou-se com seus iguais, formando povoados, cidades, civilizações.

Contrapondo experiências

A evolução da consciência tem sido, desde então, o balizador da evolução do ser humano. As experiências individuais e coletivas do homem com relação ao seu meio, por intermédio do processo de tentativa e erro, permitiram o avanço das sociedades, em termos de organização social, política e econômica.

Mesmo os aparentes retrocessos levaram o homem adiante, uma vez que experiências negativas, em contraponto a experiências mais positivas, propiciam uma nova média entre os altos e baixos da civilização, estimulando uma percepção consciente mais apurada sobre o que é melhor para a sociedade num determinado momento.

A conscientização do homem sobre a extensão, a complexidade e os mistérios do ambiente que o envolve e do qual depende, incentivou-o às descobertas e ao desenvolvimento.

Por conseguir idealizar e aplicar na prática o que observava e deduzia, a partir da realidade à sua volta, foi capaz de acumular, organizar, registrar e divulgar conhecimento, de acordo com os interesses prevalecentes em cada época, demarcando assim os diversos estágios de progresso vivenciados pela espécie humana em sua espiral ascendente de evolução.

Por conseguir idealizar o que sentia em relação ao outro, aos outros e à realidade visível e invisível, motivou-se a partilhar o resultado desse contato com o imponderável, expressando-se religiosa, filosófica e artisticamente.

A expansão do sentir e sua expressão, cada vez mais diversificada e sofisticada, pontuaram toda a progressão alcançada pelo homem no plano material, revestindo-a de sentido e estimulando sua continuidade.

Vantagem competitiva

O despertar da consciência no homem, a ampliação e o depuramento de sua percepção consciente, permitindo que abrangesse um maior número de fatos, ideias e sentimentos, e os manipulasse com cada vez maior desenvoltura, foram e continuam sendo o grande diferencial da espécie humana em relação às demais espécies do planeta.

Por intermédio da consciência, nos damos conta de que existimos. Por intermédio da consciência, refletimos sobre a existência e nos propomos questões, que fazem avançar ainda mais nossa percepção, revelando novas perspectivas.

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Pensar positivo e o lado escuro da força

Pensamos…

E procuramos pensar de forma positiva, porque sabemos a força que o pensamento tem.

Mesmo assim, nada parece mudar ou muda muito pouco, quase como se arrastássemos um móvel de um lado para o outro, uma mudança mais estética do que fundamental.

Ficamos, então, um pouco decepcionados com essa história de pensamento positivo.

Por que não funciona comigo?, perguntamos.

Talvez estejamos nos esquecendo do lado escuro da força, o pensamento negativo, que parece ter vindo acionado desde quando nascemos ou que, por questões culturais e de história familiar, acaba por nos impregnar, de ponta a ponta.

Enfrentar o dark side é preciso

Enfrentar o dark side é preciso

É ele, o pensamento negativo, que, inconscientemente, limita nossa mudança. Queremos subir, mas ele nos puxa para baixo. Pensamos positivamente e com confiança, no nível consciente, mas a força do pensamento negativo, no inconsciente, age como um freio.

Uma forma de lidar com isso é a aceitação. Aceitar que seja assim. Quando aceitamos que o lado escuro da força existe e que age sobre nós, estimulamos os pensamentos negativos a virem à tona, ao nível consciente.

Ah, então eu quero isso, mas, na verdade, não me acho merecedor porque sempre agi “errado” neste aspecto, como poderia ser diferente agora?, refletimos.

Conhecer o pensamento negativo que limita nossos anseios é o primeiro passo para efetivamente “dissolvê-lo”. Aceitar que “erramos” é o segundo. O terceiro, e libertador passo, é perceber que qualquer que tenha sido nosso “erro” (ou, melhor do que erro, algo que fizemos e que não nos trouxe bons resultados), a possibilidade de repeti-lo está praticamente zerada, uma vez que nos tornamos conscientes dele. E consciência é tudo.

Nada melhor, portanto, do que fortalecer nossa consciência, pelo autoconhecimento; pela aceitação do que efetivamente somos; pelo amor a nós mesmos; pela compreensão em relação à forma como aprendemos; pelo respeito ao nosso jeito de ser… E pelo pensamento positivo, que nos ajuda a descobrir, caso haja algum, o pensamento negativo a ele associado. Assim, podemos “dissolvê-lo”, aceitando-o e integrando-o positivamente (como aprendizado) em nós.

Isso traz poder. O poder de estar em paz consigo mesmo, ao instituir um cessar-fogo entre o pensamento positivo e o negativo. E, estando em paz consigo mesmo, o poder de avançar pela vida com menos medo e mais resultados.

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