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Paradoxos do viver

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O medo é nosso pior conselheiro e também é aquele que mais consultamos.

Erro mais quando não faço nada, por medo de errar.

Todos temos uma fera e um anjo dentro de nós. É sensato manter a fera sob controle; mas é preciso, para aguentar o tranco, dar ao anjo pés de barro.

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Consciência de ser

Costumamos usar, com frequência e muita propriedade, expressões como: “Tomei consciência do fato.”; “Em questão de segundos, tive consciência do perigo que corria.”; “A consciência de que ia magoá-la, impediu-o de fazer o que pretendia.”…

A familiaridade e a desenvoltura com que tratamos o conceito de consciência, comumente restrito ao pensamento filosófico, revela que nos apropriamos da essência de seu significado quando o aplicamos na prática.

Pelos exemplos acima, de uso corriqueiro, observamos que, na perspectiva do cotidiano, consciência equivale à percepção da realidade, interna e externa a nós.

Assim, sem recorrer a qualquer tipo de especulação esotérica, podemos dizer, pela observação, que o ser humano conta com um recurso natural, que lhe permite ligar-se ao mundo exterior e interior, e tomar conhecimento do que acontece à sua volta e dentro de si mesmo. Esse recurso é a consciência ou, como o uso comum a define: a percepção da realidade.

Seguindo esse encadeamento de ideias, faz sentido pensar que o despertar da consciência tenha propiciado ao primata, que havia se desenvolvido mais e melhor do que os outros de sua espécie, a oportunidade de alcançar o estágio de Homo sapiens, dando origem à linhagem do ser humano, tal como somos hoje.

A evolução e o medo

Por começar a perceber o que se passava à sua volta e a se perceber como um ser à parte, esse nosso antepassado longínquo teve condições de se relacionar com o ambiente e com os demais seres, tirando dessa interação o melhor proveito. Utilizou objetos de osso e pedra como ferramentas e armas; aprendeu a acender, a manter e a empregar o fogo; buscou formas de comunicação, como a fala,  mais eficientes aos seus propósitos.

Por tomar consciência do que não conhecia, em oposição ao que sabia e podia controlar, teve medo. Por temer, sentiu-se impelido a enterrar seus mortos e a registrar a fugaz existência nas paredes escarpadas das cavernas, pintando cenas de seu cotidiano.

Por raciocinar sobre o que percebia, deduziu a vantagem de se fixar numa terra apropriada e dela tirar, por meio do cultivo de plantas e da domesticação de animais, o seu sustento. Por começar a sentir, expandindo sua percepção em relação ao mero instinto, solidarizou-se com seus iguais, formando povoados, cidades, civilizações.

Contrapondo experiências

A evolução da consciência tem sido, desde então, o balizador da evolução do ser humano. As experiências individuais e coletivas do homem com relação ao seu meio, por intermédio do processo de tentativa e erro, permitiram o avanço das sociedades, em termos de organização social, política e econômica.

Mesmo os aparentes retrocessos levaram o homem adiante, uma vez que experiências negativas, em contraponto a experiências mais positivas, propiciam uma nova média entre os altos e baixos da civilização, estimulando uma percepção consciente mais apurada sobre o que é melhor para a sociedade num determinado momento.

A conscientização do homem sobre a extensão, a complexidade e os mistérios do ambiente que o envolve e do qual depende, incentivou-o às descobertas e ao desenvolvimento.

Por conseguir idealizar e aplicar na prática o que observava e deduzia, a partir da realidade à sua volta, foi capaz de acumular, organizar, registrar e divulgar conhecimento, de acordo com os interesses prevalecentes em cada época, demarcando assim os diversos estágios de progresso vivenciados pela espécie humana em sua espiral ascendente de evolução.

Por conseguir idealizar o que sentia em relação ao outro, aos outros e à realidade visível e invisível, motivou-se a partilhar o resultado desse contato com o imponderável, expressando-se religiosa, filosófica e artisticamente.

A expansão do sentir e sua expressão, cada vez mais diversificada e sofisticada, pontuaram toda a progressão alcançada pelo homem no plano material, revestindo-a de sentido e estimulando sua continuidade.

Vantagem competitiva

O despertar da consciência no homem, a ampliação e o depuramento de sua percepção consciente, permitindo que abrangesse um maior número de fatos, ideias e sentimentos, e os manipulasse com cada vez maior desenvoltura, foram e continuam sendo o grande diferencial da espécie humana em relação às demais espécies do planeta.

Por intermédio da consciência, nos damos conta de que existimos. Por intermédio da consciência, refletimos sobre a existência e nos propomos questões, que fazem avançar ainda mais nossa percepção, revelando novas perspectivas.

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