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Jeito de ser–estilo: como se refletir neste espelho?

Todos nós temos um jeito de ser, composto por um conjunto de características e particularidades, que nos fazem únicos, e definem tanto nossa aparência física quanto a forma como nos relacionamos com o mundo.

Esse jeito de ser reflete, entre outras peculiaridades, nosso comportamento e atitudes em relação a nós mesmos e aos outros; e nosso modo de ver e de entender a vida.

Na expressão de ideias e sentimentos por escrito, essa maneira particular, única, de compreender a vida e de vivê-la transparece tanto no conteúdo, quanto na forma.

No conteúdo, revela-se especialmente nos temas que preferimos e no tipo de abordagem que utilizamos para avaliá-los.

Na forma, reflete-se na escolha do vocabulário, no uso da pontuação, na lógica, coerência e clareza do raciocínio, na linguagem preferida (conceitual ou poética), no formato mais usado (verso, artigo, ensaio, crônica, livro etc.), na objetividade, no detalhamento, na fluência, na harmonia etc.

Esse conjunto de especificidades em nossa expressão por escrito formam um estilo – o jeito de ser do escritor transposto para a escrita – e viram nossa marca registrada.

Ter um estilo definido na escrita demonstra domínio das técnicas básicas de redação; segurança no aproveitamento dos recursos da linguagem; e confiança, principalmente na capacidade de transformar ideias e sentimentos particulares em ideias e sentimentos que podem ser compartilhados e, assim, suscitar reflexões, sempre benéficas para todos.

Identificar o próprio estilo e, com isso, nossos pontos fortes e fracos na escrita, requer estudo e observação desapaixonada, primeiramente do nosso jeito de ser na vida e, depois, de como esse jeito de ser se reflete tanto no conteúdo, quanto na forma de nossos textos.

Parece difícil? Então, vamos ver como isso ocorre em uma análise sobre um renomado poeta português, no post Jeito de ser-estilo: um estudo sobre Fernando Pessoa. Não perca!

Escrevendo “em bom português!”

A leitura é uma forma prazerosa de se aprender a escrever corretamente, pela observação.

Contudo, as mudanças propostas pelo novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – em vigor desde 1° de janeiro de 2009 – e que têm até 2012 para serem totalmente integradas, vão exigir de nós, leitores, um pouco de cuidado nesse tipo de aprendizado espontâneo.

A mídia, em geral, parece bastante empenhada em se sobressair na tarefa de nos esclarecer sobre as alterações na escrita. E isso é bom por, pelo menos, duas razões.

Uma é que nos assegura a leitura cotidiana de textos de revistas, jornais, internet, entre outros meios de comunicação, com as mudanças já incluídas. Podemos nos exercitar – até que prazerosamente, dependendo da notícia -, pela observação.

Outra é que, de tanto comentar sobre o assunto, analisando-o pela perspectiva do “não é mais assim”, acabamos nos lembrando ou nos interessando em saber sobre “como era mesmo?”. E não só o que mudou de fato, mas também o que permaneceu. Assim, por caminhos sinuosos, tenderemos a aprender ou a reaprender como escrever “em bom português”.

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E não estamos sozinhos. Somos cerca de 230 milhões de pessoas, em oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), a utilizar o português como língua oficial.

No entanto, até agora, o nosso era o único idioma do mundo, com essa abrangência, a ter duas grafias oficiais, a do Brasil e a de Portugal.

Por conta disso, havia como que um desperdício de esforços e de investimentos no “mundo português”, pois era  necessário “traduzir” documentos, livros e outros materiais de indispensável circulação entre países de mesma língua.

Também nossa imagem internacional ficava prejudicada, pois o fato de contarmos com duas grafias igualmente válidas tem dificultado, por exemplo, o estabelecimento do português como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU – cujos idiomas oficiais são: inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo).

Parece, então, que estamos no rumo certo. Como diz o texto oficial do acordo, trata-se de “um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

O gramático Evanildo Bechara, 80 anos, que ocupa a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras e foi escolhido como a autoridade máxima no país para decidir eventuais divergências e pendências em relação ao novo acordo ortográfico, reforça esse propósito em entrevista à Folha de São Paulo (reprodução site ABL – 29/12/2008): “É essencial que o português se apresente internacionalmente com uma única vestimenta gráfica. Para manter o prestígio e para que seja melhor ensinado e compreendido por todos.”

A ortografia (conjunto de normas que, entre outras orientações, indica como escrever e acentuar as palavras corretamente) pode estar a caminho da unificação, mas o sotaque, a forma particular de cada população falar o português, deve se manter, felizmente!, para que continuemos a nos divertir com histórias como esta, do mestre cronista Rubem Braga (1913-1990), em Recado de Primavera (Círculo do Livro / 1984):

“A língua (conta-me Cláudio Mello e Souza) — Estando em um café de Lisboa a conversar com dois amigos brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que perguntou, intrigado: – Que raio de língua é essa que estão aí a falar, que eu percebo tudo?”

 

 

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