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Almas gêmeas e as mudanças na ortografia

Era uma vez, em um tempo nem tão distante assim, as letras, que formam os românticos pares oo e ee, assinalavam “seu encontro” com um acento circunflexo (na primeira vogal da dupla). Aí veio o novo acordo e acabou com esse cerimonioso ritual do “acento de compromisso”.

Agora, os chamados hiatos (encontro de duas vogais que formam sílabas diferentes porque pronunciadas em dois impulsos distintos) oo e ee (na forma eem dos verbos dar, crer, ver, ler e derivados) não devem ser mais acentuados: enjoo / voo / zoo / perdoo / abençoo / coroo / magoo / abotoo / leiloo / povoo — deem / creem / veem / leem / descreem / reveem / releem / preveem etc.

THE END

Oh, não, ainda não! Não perca esta outra história enquanto “passam os créditos”.

São palavras que se parecem muito… Assim como almas gêmeas. Só que mais conhecidas como homógrafas – diferentes no significado e na pronúncia, mas escritas de modo idêntico. Para facilitar o reconhecimento rápido de uma e de outra, colocava-se o acento diferencial.

Mas, vocês sabem, veio o acordo e, com ele, a “separação”.

As palavras homógrafas perderam seus acentos diferenciais e, agora, só sobrou o contexto (o texto em que a palavra se insere) para nos dar pistas a respeito da identificação correta.

A mais polêmica é esta:

Para com isso, rapaz. Deixa estar que vou contar tudo para sua mãe.

Para (flexão do verbo parar, antes com acento), homógrafa de para (preposição)

Esta é irresistível:

 Vamos jogar a pela pela janela?, perguntou Júnior. Não me parece uma boa ideia, respondeu a mãe.

Pela (bola e flexão do verbo pelar, antes com acento), homógrafa de pela (preposição resultante da combinação de per e la)

Outros casos: pelo (substantivo, homógrafo de pelo – preposição); polo (substantivo, homógrafo de polo preposição); pera (substantivo, homógrafo de pera – preposição).

Por um instante, seus pelos se arrepiaram, pensando que o jogo de polo, para o qual fora escalado e cujo cobiçado troféu lembrava o formato de uma pera, seria disputado em terras geladas, próximas do Polo. Suspirou, então, mais confortado. O momentâneo estranhamento devia-se apenas ao fato de estar sonhando acordado enquanto abria a porta da geladeira.

E atenção para as “pegadinhas”:

1) O acento diferencial foi mantido no caso de pôr (verbo, em contraposição a por – preposição) e em pôde (pretérito perfeito do verbo poder, em contraposição a pode – presente do verbo poder).

As cores do pôr do sol espraiaram-se por todo o horizonte, formando uma impressionante tessitura. Ele pôde, então, livrar-se do peso da dúvida e deixar-se levar pela crença de que a vida tudo pode.

2) No caso de fôrma (recipiente), em contraposição a forma (configuração física / jeito / flexão do verbo formar),  a acentuação é facultativa.

Ela escolheu uma fôrma de coração para acomodar a massa do bolo tão calórico, uma forma carinhosa de se absolver do pecado da gula e de se esquecer da ditadura da boa forma.

3) Foi mantido o acento que diferencia o singular do plural dos verbos ter e vir e de seus derivados. Assim:

Ela tem covinhas.

Será por isso que as outras  têm inveja dela?

Reunião de família: ele vem de Brasília,

enquanto os primos vêm de Recife.

 

UFA! Crédito final: É sem acento no pelo e na pela!

peloepela

 

 

 

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