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Que tal dar uma espiadinha lá fora?

Caverna360difusaoImagine-se vivendo em uma caverna, onde prospera uma comunidade que acredita ser o mundo apenas aquele definido pelos limites estreitos de seu abrigo, um lugar desconfortável, mas seguro, pela perspectiva da continuidade.

Imagine-se, agora, como alguém curioso, um pouco rebelde, que não acredita que a realidade se esgote apenas no que vê. Alguém para quem parece haver mais, no invisível, no impalpável, no que apenas se sente ou se percebe pela intuição.

Aquelas réstias de luz, que passam sorrateiras por alguns orifícios da caverna, e que até então não haviam sido explicadas por ninguém, sugerem novas e atraentes possibilidades. Por que não tentar, por que não experimentar?

Movido por essa vontade de conhecer, você vai, com muita paciência e por um longo tempo, alargando essas frestas, até que consegue sair da caverna. Primeiro, fica quase cego pela luz. Depois, quando seus olhos se acostumam à claridade, às formas, às cores, à imensidão, você se maravilha.

 

Essa mesma sensação de encantamento vem sendo compartilhada por quem começa a entender as implicações, em seu cotidiano, de um conjunto de descobertas científicas feitas ao longo do século XX e que possibilitaram o nascimento da Física Quântica, também chamada, dada a abertura de conhecimentos que trouxe, de Nova Ciência.

 

Num salto, que levou 100 anos para se completar, o determinismo, o mecanicismo e o materialismo, que caracterizavam a ciência até então, foram relegados a explicar apenas parte – o que se pode ver, medir, quantificar, determinar – de um todo muito maior.

 

Começando com as Teorias da Relatividade e Quântica, passando por descobertas muito estranhas sobre o comportamento das partículas componentes do átomo e chegando à impossibilidade da determinação exata e simultânea da posição e velocidade de um corpo, registrada no Princípio da Incerteza, os cientistas ficaram espantados. Onde esperavam encontrar respostas definitivas, acabaram deparando com explicações intrigantes, que levaram não mais a outras perguntas, mas a reflexões filosóficas.

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Afinal, constataram, tudo parece ser energia e a matéria – nossa realidade visível – retrata somente um de seus aspectos potenciais. Outro fator desconcertante foi observar que a regularidade cronológica a que estávamos acostumados – com passado, presente e futuro bem definidos em segundos, minutos e horas escoando em um único sentido – funcionava muito bem sob o ponto de vista do relógio – até então, a representação mais perfeita do padrão de previsibilidade do universo. Mas explicava apenas uma pequena parte dos fatos, sob o ponto de vista da relatividade.

 

O tempo revelou-se tão mais amplo que foi preciso reconsiderá-lo como uma quarta dimensão, e alargar nossa visão para além do restrito traçado espacial  – onde comprimento, largura e altura são passíveis de dimensionamento –, abarcando assim o abstrato conceito do contínuo espaço-tempo, em que não há uma rígida precisão cronológica, mas apenas um fluir por ondas de eventos.

 

Mas foi no microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – que as surpresas se sucederam vertiginosamente. Além de constatarem que eram os elétrons os responsáveis pela transmissão da energia entre os átomos (por meio de minúsculos “pacotes” energéticos, denominados “quanta” ou “quantum”, no singular, daí o nome Quântica), os cientistas deram-se conta do estranho comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo.

 

Neste mundo fundamental para a nossa existência, já que somos feitos, em essência, de somatória de átomos, os cientistas verificaram que as partículas estão entrelaçadas, interligadas, mesmo a grandes distâncias. Observaram ainda que as partículas podem se comportar, simultaneamente, como ondas (ondas de energia é o que se supõe), e estar superpostas em vários lugares ao mesmo tempo.

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Essa constatação abriria espaço para a suposição de existência de mais de uma “realidade”, além daquela com a qual estamos acostumados a nos relacionar por meio de nossos sentidos. Tanto no nível macro, do universo, levando-nos a imaginar a possibilidade de outras dimensões; quanto no nível micro, do nosso cotidiano, com a idéia de que existiriam potenciais de realidade a explorar ou, dito de outra forma, os eventos em nossas vidas não estariam predestinados a ocorrer, mas teriam tendência a ocorrer.

 

A descoberta seguinte, no nível das partículas, permitiria entender melhor o aparente enigma anterior. Ao fazer experiências com os elementos atômicos, buscando detectar quando agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos – mais uma vez – com a comprovação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

 

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas. Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

De tão inovador e assustador o conceito, já que exigiria uma mudança completa de nossa forma de ver o mundo, os cientistas preferiram deixar para pensar a respeito “depois” e agir de forma pragmática. Varreram a reflexão filosófica para debaixo do tapete e seguiram um dito muito popular em seu meio: “Cale-se e calcule”.

 

E foi assim, com base em muitos cálculos, que todas essas descobertas puderam ser aplicadas ao concreto do dia-a-dia, trazendo um grande avanço tecnológico. Dos transístores aos chips, passando pelos semicondutores, o desvendamento do microcosmo atômico possibilitou a revolução digital que estamos vivendo: carros com injeção eletrônica, calculadoras, relógios digitais, controle remoto, celulares, aparelhos de fax, equipamentos médicos, robôs, videocassetes, rádio-relógios, impressoras, computadores…

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No horizonte já se delineia, inclusive, a computação quântica, que vai se valer da manipulação de átomos, moléculas e suas partículas subatômicas para processar informações. A eletrônica molecular ou “moletronics”, como está sendo chamada, prevê o desenvolvimento de superchips do tamanho de grãos de areia e até cem bilhões de vezes mais rápidos do que o mais rápido processador do momento.

 

Mas será que vamos nos contentar com isso? Fazer cálculos e aplicá-los na tecnologia ? Esquecer que essas descobertas estão tentando nos mostrar que há mais do que matéria? Que o que não se vê, não se pega, não se mede, nem se quantifica, pode nos explicar melhor o que é a vida? Que não estamos à parte do todo, mas que somos parte do todo e, por isso, interconectados uns com os outros em uma grande rede de energia? Que o mundo pode ser melhor, desde que nos disponhamos a viver a mais positiva das realidades disponíveis? Que não estamos sujeitos ao acaso, mas comandamos nossas próprias vidas, definindo as experiências que queremos ter?

 

Sair da caverna não é fácil, mas o novo mundo que nos espera lá fora bem compensa a coragem e o esforço necessários para, pelo menos, dar uma espiadinha.

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O ponto de vista do observador

 knutunico1Ser rejeitado, qualquer que seja a circunstância, é um sentimento doído, que abala a confiança em si mesmo e põe por terra toda a autoestima construída com tanto esforço.

Não importa muito de onde vem a rejeição – familiares, amigos, colegas… -, o que importa é a dor sentida e a forma como lidamos com isso.
Toda essa imensa mágoa, no entanto, talvez pudesse  se resumir a uma questão de perspectiva. Quem é o observador?

  

Ao estudar o microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – os cientistas estranharam o comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo. Ao fazer experiências, observaram que as partículas podem se comportar simultaneamente como ondas.

Buscando detectar quando os elementos atômicos agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos com a constatação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas.

Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

Quem é o observador quando nos sentimos rejeitados? Nós ou o outro?

Será que estamos partindo do ponto de vista do que pensamos sobre nós ou do que supomos que o outro pense sobre nós? Há de fato uma rejeição ou simplesmente um “não estou nem aí”. Isso porque o outro – e somos o outro em muitas situações – tem mais com o que se preocupar, como suas próprias inseguranças e medos.

Assim, será vantajoso dar ao outro – um ser humano tão cheio de incertezas quanto nós – esse tremendo poder? De decidir, avaliar, dar peso e forma ao nosso valor?

Cultivar a rejeição só parece ser vantajoso quando se transforma em justificativa para não olharmos para nós mesmos, em busca do nosso próprio valor.

 

 “Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?”
em poema de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa

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