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Quando usar? Ao encontro de / De encontro a

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Quando usar? Afim / A fim de

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Quando usar? À medida que / Na medida em que

Vez ou outra, ao escrever, “tropeçamos” em alguma dúvida…  Uma bastante comum é sobre o uso correto de determinadas expressões. Vamos ultrapassar essas dificuldades do caminho? Siga as dicas.

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Redação em quatro etapas

Sem medo de escrever 3

Imagine ser convidado a escrever um artigo, uma reflexão, uma opinião sobre qualquer assunto…  A primeira dica é seguir o sábio conselho do escritor Douglas Adams, que vem impresso “em letras garrafais e amigáveis” na capa de seu Guia do Mochileiro das Galáxias: NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Isso é muito importante porque, ficando calmos, vamos perceber que a escrita não depende só de uma ação – escrever –, mas sim de um processo que todos podemos desenvolver para dar conta do desafio.

Primeira etapa

A primeira etapa do processo da escrita é muito simples. Trata-se de pensar e refletir a respeito do assunto sobre o qual vamos escrever; de pesquisar e explorar mais a fundo o tema em questão.

Como exemplo, vamos imaginar que nosso tema seja: TOMATE.  O que escrever a respeito? Não sendo especialista na área, o jeito é pesquisar, explorar o assunto. Ao consultar o “doutor” Google, entre outras fontes dos tempos modernos, obtemos algumas informações, tais como:

  • O tomate é um fruto de formato arredondado e de cor vermelha, rico em licopeno – excelente agente antioxidante –,vitaminas A, B e C, e sais minerais como o fósforo, potássio, cálcio e magnésio. Esses nutrientes ajudam no desenvolvimento de dentes, músculos e ossos, e na proteção do sistema imunológico, entre muitos outros benefícios. O licopeno, que está associado à redução do risco de doença cardíaca e dos níveis de colesterol, possui propriedades anti-inflamatórias e ainda ajuda na prevenção de doenças relacionadas com a idade, como a degeneração macular.
  • O tomate caracteriza-se por sua versatilidade, podendo ser usado em massas, saladas, sopas, guisados, refogados, entre outras composições, e por possuir poucas calorias. Um tomate de tamanho médio contém cerca de 24 calorias. Uma rodela fina de tomate tem em torno de três calorias. Dizem que o tomate deve ser consumido cozido para render o máximo de seu valor nutritivo. No caso do licopeno, isso é verdade, mas a vitamina C e as enzimas são absorvidas com mais facilidade quando o tomate é consumido cru. 
  • O tomate recebe muito agrotóxico durante seu cultivo tradicional. Por isso, deve-se lavá-lo muito bem, retirar as partes de cima e de baixo, que acumulam mais agrotóxicos e também evitar consumi-lo verde. O melhor é optar por tomates bem maduros, nos quais a concentração de agrotóxicos já se diluiu um pouco. Recomenda-se também colocar o tomate em uma solução de 1 litro de água + 1 colher de sopa de bicarbonato, deixar de molho por meia hora e depois lavar novamente em água corrente.
  • O tomate já esteve em destaque nos noticiários, especialmente em 2013, e não por bons motivos. Naquele ano, foi o “puxador” da inflação, com uma alta de 72,79% acumulada em apenas quatro meses. Os produtores atribuíram o aumento à falta de chuvas ou ao excesso delas. O preço alto do tomate rendeu muitas piadas.

Tomates 1A

Segunda etapa

Com os dados em mãos, podemos passar para a segunda etapa do processo da escrita, que é organizar as ideias em um projeto de texto. Essa organização começa pela definição de um título, que vai nos indicar o melhor “recorte”, a melhor abordagem para aquele assunto.

Em nosso exemplo, soubemos vários fatos interessantes a respeito do tomate. Podemos até escrever sobre todos eles, mas teremos de escolher antes por qual ângulo vamos tratar o assunto. Do ponto de vista da nutrição? A partir da versatilidade do tomate na gastronomia? De uma perspectiva mais informativa? Eu optaria por esta última, com um toque de humor.

Para definir esse recorte, vamos “bolar” um título. Começamos “pinçando”, de todas as informações obtidas sobre o tomate, palavras/frases/conceitos que mais têm a ver com a perspectiva escolhida. Eis aí minha lista:

Tomate é um fruto – Vermelho – Redondo – Versátil – Sopas – Guisados – Massas – Saladas – Alimento “magro” – Agrotóxico – “Puxador” da inflação

Agora, com essas palavras e outras, que acabam vindo por associação durante o processo, vamos tentar “montar”, como em um puzzle, um quebra-cabeça, títulos que levem em conta o recorte definido. No caso, a ideia de “informar com leveza e bom humor”. O resultado:

  • Redondo, vermelho e versátil
  • Tomate: não pode faltar
  • Redondo, nutritivo e magro
  • É um pecado não comer deste fruto
  • Tomate, o pequeno notável

Escolheria o último porque ficou do jeito que eu queria, leve e com um toque de humor, devido à associação com a cantora e atriz luso-brasileira Carmen Miranda (1909-1955), de renome internacional, que era conhecida como “a pequena notável”.

Tomate + Carmen Miranda 5A

A partir do título escolhido, vamos elencar, em um roteiro, as ideias que comporão o texto sobre o tomate. O que vou pôr no começo, no meio e no fim do texto?

Roteiro

Título: Tomate, o pequeno notável

Começo

(apresentação do tema) O tomate e sua “notável” contribuição para nossa alimentação…

(contextualização) Sempre foi e continua sendo apreciado pela versatilidade / é recomendado tanto pela ciência quanto pela gastronomia…

(meu ponto de vista) Nutritivo e saboroso, vale a pena incluí-lo nas refeições…

Meio

(argumentos, informações, dados que justifiquem, apoiem meu ponto de vista) Quais são os nutrientes do tomate e para que servem; é versátil na culinária; tem poucas calorias; é saudável tanto cru quanto cozido; é preciso ter cuidado com os agrotóxicos…

Fim

(conclusão/dedução natural) Tão notável, por tantos aspectos, quando encarece vira um problema nacional, como no “surto” de inflação em 2013, do qual foi o principal “vilão”…

Quando fazemos um roteiro, uma prévia do que vamos escrever, fica muito mais fácil desenvolver o texto. Sabemos como começar e aonde queremos chegar. Temos a perspectiva, o foco e, por isso, dificilmente nos perderemos pelo caminho.

Terceira etapa

Com o roteiro, chegamos à terceira e principal etapa do processo: a escrita propriamente dita. Nesta fase, o que mais ajuda é contar com um bom “repertório” de recursos linguísticos, entre eles, um vocabulário variado. Para isso, é fundamental que nos exercitemos em uma prática muito prazerosa: a leitura. Por meio da leitura habitual, absorvemos conhecimento de forma natural, sem esforço, em diversas áreas. Junte-se a isso o “costume” de pensar e refletir sobre os fatos da vida, de exercitar a visão crítica sobre as questões cotidianas, que a leitura também estimula, e teremos excelente matéria-prima para usar na escrita.

Tomate + Carmen Miranda 3B

Assim, seguindo a orientação do roteiro para escrever o texto, temos:

Tomate, o pequeno notável

(Começo) Pequeno, arredondado e de cor vermelha, o tomate é um fruto muito sedutor. Cativa os nutricionistas pelo bem que faz à saúde. Estimula a criatividade dos “chefs” por sua inigualável versatilidade. Vai bem em molhos, saladas, sopas, refogados… De fato, um pequeno notável que não podemos deixar de incluir nas refeições. O que seria do macarrão das “mammas” sem ele?

(Meio) Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito bem dotado. Entre seus muitos nutrientes, conta com o licopeno, considerado um excelente antioxidante e que é associado à redução do risco de doença cardíaca e dos níveis de colesterol, e à prevenção de doenças relacionadas com a idade. Ainda dispõe das vitaminas A, B e C e de sais minerais como o fósforo, potássio, cálcio e magnésio, úteis no desenvolvimento de dentes, músculos e ossos, e na proteção do sistema imunológico.

Não bastasse tudo isso, o tomate inclui-se na categoria de alimentos “magros”. Um fruto de tamanho médio tem em torno de 24 calorias. Nas saladas, portanto, ou como aperitivo, o tomate vai bem e não compromete a silhueta. Além disso, ao ser consumido cru, facilita a absorção da vitamina C e das enzimas presentes no alimento. Quando cozido, no entanto, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno.

Mas seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto. Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de água (um litro) com bicarbonato (uma colher de sopa), retirar as pontas, que acumulam mais agrotóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando o defensivo agrícola já está mais diluído no fruto.

(Fim) Por ser tão presente, em tantos preparos culinários, quando o tempo não ajuda e a colheita é pouca, o tomate “puxa” a inflação lá para cima. Foi o que ocorreu em 2013, quando seu preço aumentou vertiginosamente e foi motivo de notícias e piadas, como aquela que circulou pela internet, criando um novo programa do governo: “Meu tomate, minha vida”. Mesmo caro, portanto, o fato é que não dá para passar sem ele. Melhor é aceitar essa nutritiva realidade e incluir, sempre que possível, esse pequeno notável em nossas refeições.

Quarta etapa  

Na última etapa do processo da escrita, o objetivo é revisar, fazer os ajustes necessários para deixar o texto “redondo”. Trata-se de uma “olhada” final para identificar erros (grafia, acentuação, concordância, pontuação etc.), imprecisões (às vezes, a palavra escolhida não é a mais apropriada naquele contexto ou para a expressão daquela ideia), repetições e outros problemas. Tudo isso para conseguir um texto mais claro, objetivo, bonito…

Tomate close 2A

Em nosso exemplo, fiz as seguintes mudanças:

(Começo) … O que seria do macarrão das “mammas” sem ele? – Achei que ficou um pouco forçado. Por isso, mudei para: O que seria do macarrão de domingo sem ele?

(Meio) Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito bem dotado. – Percebi que o bem dotado com aspas acentuaria, daria destaque ao humor, à ambiguidade do conceito: Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito “bem dotado”.

(Meio) Quando cozido, no entanto, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno. – Aqui, vi que havia a repetição de um conectivo – no entanto. Quando fui procurar uma variação, percebi também que esse conectivo em particular não era o mais apropriado para aquele contexto.  Assim, mudei para: Quando cozido, por outro lado, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno.

(Meio) Mas seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto. – Aqui, identifiquei a falta da vírgula depois do “Mas”. Isso porque o “seja cru ou cozido” é uma intercalação explicativa e, portanto, deve estar entre vírgulas: Mas, seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto.

(Meio) …Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de água (um litro) com bicarbonato (uma colher de sopa), retirar as pontas, que acumulam mais agrotóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando o defensivo agrícola já está mais diluído no fruto. – Aqui, verifiquei que ficaria melhor para a fluência da frase tirar as indicações dos parênteses e rearranjá-las. Também, como se trata de uma relação de procedimentos, seria melhor um ponto e vírgula antes de “retirar as pontas”. Além disso, há a repetição de uma palavra – agrotóxico – e a utilização de um seu sinônimo – defensivo agrícola – que ficou meio deslocado no contexto. Mudei para: Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de um litro de água com uma colher de sopa de bicarbonato; retirar as pontas, que acumulam mais agentes tóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando esses elementos estão mais diluídos no fruto.

(Fim) …Mesmo caro, portanto, o fato é que não dá para passar sem ele. Melhor é aceitar essa nutritiva realidade e incluir, sempre que possível, esse pequeno notável em nossas refeições. – Aqui, observei que o fim do texto ficou sem força, além de repetitivo em relação ao que foi escrito no primeiro parágrafo. Assim, ajustei para: O fato é que não passamos sem ele. Cheio de predicados, é um alimento não só notável como indispensável.

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Tomate, o pequeno notável

 Pequeno, arredondado e de cor vermelha, o tomate é um fruto muito sedutor. Cativa os nutricionistas pelo bem que faz à saúde. Estimula a criatividade dos “chefs” por sua inigualável versatilidade. Vai bem em molhos, saladas, sopas, refogados… De fato, um pequeno notável que não podemos deixar de incluir nas refeições. O que seria do macarrão de domingo sem ele?

Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito “bem dotado”. Entre seus muitos nutrientes, conta com o licopeno, considerado um excelente antioxidante e que é associado à redução do risco de doença cardíaca e dos níveis de colesterol, e à prevenção de doenças relacionadas com a idade. Ainda dispõe das vitaminas A, B e C e de sais minerais como o fósforo, potássio, cálcio e magnésio, úteis no desenvolvimento de dentes, músculos e ossos, e na proteção do sistema imunológico.

Não bastasse tudo isso, o tomate inclui-se na categoria de alimentos “magros”. Um fruto de tamanho médio tem em torno de 24 calorias. Nas saladas, portanto, ou como aperitivo, o tomate vai bem e não compromete a silhueta. Além disso, ao ser consumido cru, facilita a absorção da vitamina C e das enzimas presentes no alimento. Quando cozido, por outro lado, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno.

Mas, seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto. Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de um litro de água com uma colher de sopa de bicarbonato; retirar as pontas, que acumulam mais agentes tóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando esses elementos estão mais diluídos no fruto.

Por ser tão presente, em tantos preparos culinários, quando o tempo não ajuda e a colheita é pouca, o tomate “puxa” a inflação lá para cima. Foi o que ocorreu em 2013, quando seu preço aumentou vertiginosamente e foi motivo de notícias e piadas, como aquela que circulou pela internet, criando um novo programa do governo: “Meu tomate, minha vida”. O fato é que não passamos sem ele. Cheio de predicados, é um alimento não só notável como indispensável.

Se gostou dessa dica de redação, dê uma olhadinha também em:

A lógica do texto

A arte de virgular

 

 

Defina o título antes de escrever o texto

Consciência

Em minhas aulas de redação, muitas vezes os alunos se surpreendem quando, a partir de uma boa reflexão sobre o tema proposto, peço para que definam o título do texto a ser escrito. Isso porque é muito mais comum a prática de “escolher” um título depois de escrever o texto.

Vejo essa prática como desperdício de um recurso fundamental para o desenvolvimento da escrita, que é o de “escolher” sim, mas um recorte, um caminho, uma perspectiva pela qual vamos trabalhar aquele texto. Essa escolha fica mais fácil de ser visualizada, quando definimos o título antes de começar a escrever.

Por mais objetivo que seja um tema, sempre há várias possibilidades de abordagem. Isso é percebido ao longo da exploração do assunto, da reflexão: o que esse assunto significa; em que contexto ele faz sentido; o que eu sei sobre esse assunto; qual é a minha opinião sobre esse tema; quais argumentos justificam a minha opinião…

Uma vez explorado o máximo possível o tema em questão, cabe analisar por qual ângulo, dentre todos aqueles vistos, é mais fácil, mais confortável – por termos mais informações –, e até mesmo mais instigante escrever a respeito. Aí entra a definição do título, fazendo um resumo da abordagem escolhida, para nos direcionar, ao longo de todo o texto, como uma bússola. Dificilmente, contando com esse apoio, nos perderemos em sinuosidades desnecessárias ou em fuga do tema. Ao contrário, será muito provável conseguirmos escrever um texto muito mais coerente e objetivo.

Vejamos alguns exemplos de títulos (de quatro de meus posts), com base nessa técnica. Para efeito de demonstração, só coloco aqui o tema genérico e a abordagem escolhida, depois de feita a reflexão a respeito do assunto:

(1)

Tema: Desenvolvimento da escrita

Abordagem escolhida: O que levou o homem ao desenvolvimento da escrita? A necessidade de fixar o que era, até então, só falado. Isso acabou por nos levar também a temê-la, pois “o que se escreve, fica”. Essa afirmação, por sinal, traduz a razão de ser da escrita!

Resumo da abordagem em um título: Medo de escrever… Quem não tem?

(2)

Tema: Incentivar o gosto pela leitura

Abordagem escolhida: Para quem quer escrever bem e ampliar sua visão de mundo, tornando-se mais crítico e menos sujeito à manipulação, tão comum nos tempos atuais, fazer da leitura um hábito prazeroso é fundamental.

Resumo da abordagem em um título: Ler e gostar, é só começar!

(3)

Tema: Exercícios criativos de redação

Abordagem escolhida: Exercitar-se com palavras “soltas” (sem um contexto que as “ampare” ou explique) estimula a imaginação, permite que se vá longe em termos de associação de ideias, de emoções e de reflexões, o que resulta em inspiração para escrever, conversar e formar opinião, respeitando e fortalecendo a percepção pessoal sobre as coisas

Resumo da abordagem em um título: O poder das palavras soltas

(4)

Tema: Aceitação

Abordagem escolhida: Aceitar as coisas como são é um dos maiores desafios do ser humano. Nada mais parece ter tanta importância

Resumo da abordagem em um título: Tudo o mais é poeira de estrelas

Pode acontecer, depois de escrito o texto, que se resolva dar uma aprimorada no título definido inicialmente, tornando-o ainda mais adequado, ou instigante, ou envolvente, ou ainda divertido, irônico etc. É certo, no entanto, que aquele primeiro título, que foi pensado antes da escrita e resumiu com clareza a perspectiva escolhida para tratar o assunto, cumpriu sua importante função, ou seja, a de levar o autor a escrever, com segurança, facilidade e sem perda de foco, um texto objetivo e coerente.

Pensando sobre a criatividade

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1) O QUE É CRIATIVIDADE?

2) TODOS NÓS TEMOS?

3) POR QUE MUITAS PESSOAS ACREDITAM

QUE NÃO SÃO CRIATIVAS?

Vamos tentar descobrir as respostas a essas instigantes questões,

refletindo juntos a respeito de algumas ideiazinhas muito interessantes,

como as que vêm a seguir:

 “Livre pensar é só pensar.”

Millôr

Essa frase vai fundo em um dos mais destacados pressupostos da criatividade: todos podemos pensar livremente. Nenhuma situação – política, social, familiar, empresarial etc. -, por mais restritiva que seja, nos impede de exercer o mais soberano dos direitos, o de pensar. Sejamos diplomáticos, quando a realidade assim o exigir, mas jamais deixemos de respeitar a liberdade de pensar de outra forma, que não a mais conveniente no momento, e de confiar no que pensamos.

Se nos limitarmos ao pensamento comum (aquele que é considerado apropriado, adequado, politicamente correto, socialmente aceito etc.), dificilmente abriremos espaço para o florescimento de nossa criatividade.

“Criatividade é como barba.

Você só a terá se deixá-la crescer.”

Roberto Menna Barreto

O livre pensar abre espaço para que a criatividade floresça, naturalmente.

“Ser criativo é muito gostoso. O pensamento criativo

pode ser encarado como o sexo de nossa vida mental.”

Roger von Oech

Quando a criatividade floresce, o prazer é todo nosso, pois nossos neurônios deleitam-se com uma boa profusão de ideias!

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“Nada é mais perigoso do que uma ideia,

quando ela é a única que você tem.”

Emile Chartier

Se a criatividade não floresce, contudo, corremos o sério risco de ficar só com uma ideia, com uma perspectiva, uma única forma de entender a realidade e essa prática limitada, na melhor das hipóteses, nos fará estagnar, caminhar sempre na mesma trilha, obter sempre os mesmos resultados.

Na pior das hipóteses, dará fundamento ao radicalismo, à intransigência, ao fanatismo, que se baseiam em verdades únicas para enquadrar, restringir, limitar, as infinitas verdades do mundo.

“A criatividade não é uma qualidade de que estão

particularmente dotados os artistas e outros indivíduos,

mas sim uma atitude de cada pessoa.”

E. Fromm

A criatividade não está fora de nós, aguardando uma chamada para se apresentar. Está em nós e é nossa responsabilidade abrir espaço para cultivá-la, estimulando-a a crescer.

“Liberdade significa responsabilidade.

É por isso que tanta gente tem medo dela.”

G.B. Shaw

Interligação 4

“Criatividade é o encontro do homem

intensamente consciente com o seu mundo.”

R. May

“Criatividade é o processo

de transformação pessoal do meio.”

S. de la Torre

Ser criativo, portanto, é estar aberto para o viver, sem restrições no pensar e no sentir e com confiança no que se pensa e sente. Abrindo espaço para a criatividade, podemos ser e nos expressar mais plenamente. Atuando de forma criativa, contribuímos, consciente e alegremente, para a transformação do mundo em que vivemos.

A criatividade está em nós,

mas, às vezes, não a encontramos.

Estará perdida?

A criatividade parece perdida quando a imaginamos fora de alcance, à disposição apenas dos gênios. A realidade demonstra que não é assim. Todos somos criativos. Então, se a criatividade está em nós, mas anda perdida, como encontrá-la?

Fractais - Detalhe - Vários

“Assim que você pensar que sabe como são realmente as coisas,

descubra outra maneira de olhar para elas.”

Robin Willians

O livre pensar abre espaço mental para muitas ideias. E uma ideia levará a outra, que levará a outra, que levará a… É o que ocorre quando nos dispomos a refletir sobre um assunto, conhecido ou não, sob diferentes perspectivas.

“Nunca saberás o bastante, enquanto não souberes

o que é mais que bastante.

W. Blake

A criatividade também pressupõe que nunca se sabe o suficiente sobre um assunto, mesmo que sejamos especialistas na área. Aceitar isso como um fato é a melhor forma de se abrir para novas descobertas.

“Tome-se outra vereda, e pronto.”

Cervantes

Muitas vezes, a criatividade se perde porque insistimos em seguir um mesmo e único caminho. Há tantos caminhos, vias, trilhas, atalhos, autoestradas, estradas secundárias… Fica até parecendo teimosia – “É ansim, ansim é!”, dizia e repetia uma velha tia – não permitir às nossas ideias passearem por outras veredas.

“Algo só é impossível até que alguém duvida

acaba provando o contrário.”

Einstein

Muitas vezes, a limitação do que é possível está em nossa cabeça. Basta duvidar, no entanto, da aparente impossibilidade, para que alguma ideia “maluca” apareça e nos dê uma pista para chegar àquela, considerada até então, inviável solução.

“Quem se senta no fundo do poço para contemplar o céu,

há de achá-lo pequeno.”

Han-Yu

 QUAL É A SUA PERSPECTIVA?

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Todos somos criativos. Somos criativos, mesmo sem saber. Quando sabemos, então, fica mais fácil.Aí, depende exclusivamente de nós dar a esse veio de ouro, finalmente encontrado, o tratamento que merece, para dele obter uma riqueza, capaz de nos sustentar por toda a vida!

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Dicas para o aprimoramento contínuo da escrita

Quem já conquistou certa desenvoltura na escrita, não pode deixar de praticar, não só escrevendo, mas também se lembrando de que escrever é um processo que inclui o pensar, o organizar as ideias e o revisar. Por isso:

 CULTIVE O PENSAMENTO LÓGICO

Raciocine com começo, meio e fim

Pontuarcoracao

DÊ COLORIDO ÀS SUAS IDEIAS

 Crie imagens na tela mental

 Faça comparações, analogias

Fantasie sobre a realidade

Reflita sobre a realidade mostrada pela fantasia

 CONFIE EM SUA OPINIÃO

Use-a como base e referência para qualquer reflexão

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 DESENVOLVA A ARGUMENTAÇÃO COM LEITURA

Converse com o autor

Argumente e contra-argumente

Não concorde só porque está escrito

 HABITUE-SE A FAZER LEITURA CRÍTICA

Desconfie sempre

Discorde

Não se contente com pouco

 ESTEJA ATENTO À CORREÇÃO GRAMATICAL

Leia muito, com constância e de forma prazerosa

Habitue-se a observar a construção e o enquadramento dos bons textos

Habitue-se a consultar o dicionário, a gramática e similares

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 ESTEJA ATENTO ÀS PALAVRAS

 Leia muito, para ampliar o vocabulário e descobrir novos sentidos para palavras conhecidas

Procure referências e imagens que combinem com a sua mensagem e com o público para o qual sua mensagem se destina

 E, QUANDO ESCREVER, UTILIZE ESTAS VANTAGENS

Habitue-se a pesquisar e a refletir sobre o tema de sua mensagem antes de escrever a respeito

Sempre defina um título para o seu texto, visando se orientar sobre a essência da mensagem e sobre o melhor ângulo de abordagem

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E, DEPOIS, REVISE DE FORMA DESAPAIXONADA

Habitue-se a fazer uma revisão crítica, desapaixonada de seus textos. Corte, se for preciso (enxugue). Amplie ou explore mais, se julgar necessário. Faça correção gramatical. Substitua palavras muito repetidas. Substitua palavras ambíguas por termos mais precisos. Enfeite e dê mais colorido ao seu texto, quando isso se revelar importante para o entendimento e a apreciação de sua mensagem. Verifique a coerência – em cada bloco de frases (parágrafo) e entre os blocos de frases. Verifique a clareza, se o vocabulário e as referências estão adequadas para o leitor imaginado. Verifique a consistência, se os argumentos, as informações estão corretos, bem fundamentados e bem apresentados.

Geração Z - 3

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A apresentação do texto

  Como vimos, na primeira desta série de dicas, a FORMA de um texto também está relacionada à APRESENTAÇÃO (aparência, estética, formato) da sequência lógica e coerente de frases, que desenvolve um raciocínio com sentido completo (texto).

As cores do Ano Novo - 2

  Preocupar-se com a apresentação de um texto significa, basicamente, fazer escolhas, tais como:

* Escrever em prosa (texto corrido) ou em verso (poesia)?

* Diagramar, ou seja, dispor harmoniosamente elementos diversos – texto, figuras, molduras etc. – num determinado espaço, com mais sobriedade, formalismo ou com mais ousadia, criatividade, informalidade?

* Utilizar qual formato, entre tantos à nossa disposição, como: relatório, projeto, carta, comunicado, e-mail, folheto, mala-direta, discurso, livro, texto teatral, roteiro de cinema, anúncio, cartaz…?

* A apresentação de um texto abrange muitas escolhas e a melhor forma de decidir é avaliar, especialmente:

– A mensagem que se quer passar.

– O público ao qual a mensagem se destina.

Exemplo:

1) Quero passar mensagens sequenciais sobre como conquistar desenvoltura, segurança e prazer na expressão por escrito. O público ao qual essa mensagem se destina é formado por jovens e adultos interessados em escrever bem.

2) Pelo tipo de mensagem e abrangência do público escolho o formato “Dicas”, ou seja, textos não muito extensos, objetivos e, escritos em prosa – texto corrido -, já que as dicas são, basicamente, artigos  didáticos.

3) Quanto à diagramação, opto por uma miscelânea (organizada). Centralizo alguns trechos, justifico outros ou os alinho à esquerda e à direita; recorro ao negrito, ao itálico e ao sublinhado, à CAIXA ALTA ou baixa;  uso molduras ou apenas um sombreamento; eventualmente, utilizo marcadores ou numeração; recorro ainda ao espaçamento (entre linhas) e ao parágrafo (mudança de linha e entrada) para conseguir um visual mais leve. Todos esses recursos (que o computador oferece hoje ao escritor) são usados com o objetivo de passar para o leitor uma mensagem clara, precisa, instigante, atraente.

APRESENTAÇÃO de um texto é isso!

  Vale lembrar que os variados formatos de texto já estão genericamente definidos, ou seja, possuem elementos básicos de apresentação que os caracterizam como tais ou quais.

  Um roteiro de cinema, por exemplo, exige, para ser considerado como tal, uma apresentação bastante específica. Entre outras coisas, páginas divididas verticalmente, para que, de um lado, seja descrita a cena, e, do outro, sejam descritos os diálogos.

  Uma carta comercial, por sua vez, pede um texto curto, com ênfase (negrito, sublinhado etc.) em algumas frases ou palavras que não podem passar despercebidas, e diagramação mais sóbria.

MAS TUDO PODE SER REINVENTADO E APRIMORADO!

Ao escolher um formato de texto, adequado à sua mensagem e ao público ao qual sua mensagem se destina, dê uma espiada no que existe (em relação ao formato escolhido) e use a criatividade e o bom senso para adaptá-lo às suas necessidades e às de seus leitores.

Retrospecto por meio da leitura

  Para conquistar maior desenvoltura no “ofício” da escrita, vimos que é preciso ter conteúdo e saber como expressá-lo, desenvolvendo um texto lógico, coerente, fluente, bem escrito, bem pontuado e com uma apresentação adequada.  Vale também, e muito, criar o prazeroso hábito da leitura, mas… Seja crítico:

* Reforce sua confiança,

* Confie em sua opinião.

* Confie em seu sentimento.

* SEMPRE use sua opinião e seu sentimento como referências para concordar ou discordar do que está escrito.

* Lembre-se: não é porque está escrito que é verdade.

Exercite seu raciocínio

* Argumente e contra-argumente com o autor.

* Reflita sobre as razões que o levaram a concordar.

* Reflita sobre as razões que o levaram a discordar.

* Habitue-se a desenvolver argumentos que validem seu ponto de vista.

Solte-se

* Dê asas à sua imaginação.

* Fantasie.

* Brinque com as ideias que a leitura lhe traz.

* Deixe-se levar pelas palavras em viagens prazerosas.

Veja outras dicas desta série:

1) Forma & Conteúdo: a anatomia de um texto

2) A estrutura lógica de um texto

3) Vocabulário na ponta da língua

4) O inestimável apoio da pontuação

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