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Crônicas do Confinamento: Por um instante

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Londrina, 3 de abril de 2020

Por João Augusto Barbosa

Por um instante

Por um instante, as pessoas olham-se no espelho e ficam com medo de si mesmas. Por um instante, todos estão surpresos por ficar ao lado de quem amam. Por um instante, o mundo para e somos obrigados a sair da zona de conforto. Por um instante, percebemos que o que achávamos importante talvez não seja tão importante assim.

Por um instante, estamos presos uns aos outros como se fôssemos grudes. Por um instante, dá uma vontade de abraçar, beijar um amigo, uma amiga, mas é o isolamento que dita as normas. Por um instante, nossa liberdade de ir e vir está confinada ao quarto e sala…

Por um instante, ficamos perplexos com a capacidade de solidariedade do ser humano. Por um instante, estamos na mesma vala, sejamos pobres, ricos, pretos, brancos, felizes ou infelizes, e não sabemos lidar com o silêncio.

Por um instante, olhamos o céu e tudo o que pedimos é que a vida seja preservada. Por um instante, todos os corações dos homens vibram na mesma direção. Por um instante, percebemos quão frágeis e indefesos nós somos.

Por um instante, o planeta respira melhor, a natureza sorri e os animais não são infectados. Por um instante, o amor e a mansidão se fazem presentes em nossos pensamentos. Por um instante, vamos aproveitar para refletir e agradecer pela oportunidade desta existência.

Por um instante, vamos cultivar a amizade desinteresseira, ainda que isso seja custoso para nosso ego. Por um instante, vamos tentar ficar felizes com aquilo que somos e não com aquilo que temos. Por um instante, vamos nos esforçar mais em busca da verdadeira felicidade. Por um instante, como disse há muito tempo uma pessoa muito conhecida, vamos amar o próximo como a nós mesmos!

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SOLUÇÃO

 

cachorro uivando 3

Uivava muito e sofridamente de dia e de noite, lua nova ou cheia.

Se fosse no campo ou se ele fosse lobo, vá lá, mas era um cachorro branco, raça indefinida, espadaúdo e urbano, uivando e tirando do sério os vizinhos das casas e dos prédios do entorno.

De tudo um pouco os donos tentaram: remédio, veterinário, reza brava, aconchego, brinquedo de bola, corrida, cala a boca, chamego, nada resolvia e o cachorro uivava triste, coração partido, tirando o sossego de quem ouvia, enchendo os dias de melancolia.

Então, tiveram uma ideia ou será que veio de alguém um conselho?

Um belo dia, ouviu-se o dono bravo com o cachorro: Fica quieto! Sentado! Sossega! E o cão, inquieto, rosnava e não sossegava. O que estava acontecendo?

O que se sabe é que, a partir daí, ele nunca mais uivou; só brincava, serelepe. Até se podia dizer que estava alegre, pois latia muito e alto. A razão disso tudo é que ao lado dele, agora, corria e muito sapeca se mostrava mais um vira-lata, só que preto, porte miúdo, em tudo diferente do outro, mas solidário na jornada.

Enfim, um amigo, um companheiro, a solução encontrada!

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