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Crônicas do Confinamento: Agora, já são 16 dias…

Maringá, 4 de abril de 2020

Por Cris Schneider

Agora, já são 16 dias…

Os dias de isolamento social têm ficado mais demorados e as atividades, perdido seu poder de distrair. O emocional das pessoas, e me incluo entre elas, tem demonstrado níveis de tolerância muito baixos e as orientações de isolamento já não são mais respeitadas como no início.

A mídia segue informando; as fake news seguem aterrorizando. As notícias políticas e econômicas só nos trazem mais espanto e preocupação. E em meio a esse turbilhão, vi pessoas alheias a tudo, olhando apenas para um aspecto – o retorno ao trabalho.

Parece que a volta ao trabalho está se tornando a salvação. Vejo a dificuldade das pessoas na convivência consigo mesmas; a dificuldade de passar dias inteiros com a família e, neste início de abril, a dificuldade de enfrentar as contas, que vêm chegando com sua pressão de rolo compressor.

Entendo a necessidade do retorno ao trabalho, mas questiono as razões. Será que nos demos conta de que nada será como antes? E a causa do aumento dos conflitos é o isolamento ou a falta de estrutura emocional das pessoas? As pessoas se preparam para lidar com crises, qualquer tipo de crise? É mais fácil negar do que enfrentar a realidade?

Quantas perguntas ainda sem resposta. Consolo-me porque sei que é só um período e vai passar. Melhor em casa do que num leito de hospital. Melhor em casa com contas atrasadas do que perder a vida para a impaciência, para a ausência de autocontrole e para a falta de inteligência emocional.

Entendo e tenho a necessidade de sair; fiz caminhadas para pegar sol; fui ao mercado; senti falta de conversar com as pessoas, de sentir o calor delas e não apenas de ficar aflita porque o sinal de internet está travando ou não.

Me pego olhando pela janela e pensando: será que quando saí para o mercado fui contaminada? Será que as frutas, verduras e própolis têm sido suficientes para ajudar minha imunidade? O pensamento vai longe…

Todo este tempo comigo mesma me mostrou que abandonei pelo caminho muitas coisas sobre mim: leituras de romances, bordados (sim, eu já bordei), pessoas e memórias. Me dei conta de que estava presa à loucura da vida e, diante do risco desta vida, meu único compromisso agora é me manter serena, positiva; manter meu bem-estar físico e emocional.

Sobre o isolamento: mais um dia, menos um dia.

E a roda de crônicas continua…Setas 3

 

 

Crônicas do Confinamento: Chorar é muito bom!

Maringá, 26 de março de 2020

Por Cris Schneider

Chorar é muito bom!

Hoje, chorei pela primeira vez desde que entramos em isolamento social.

Chorei de raiva, inicialmente por ver que pessoas não estão levando a sério o problema e, com isso, acabam colocando a vida de outros em risco; assumi o medo por mim e pela minha família e por todos os seres humanos.

Chorei pela pressão que vem de todos os lados: leia um livro; faça isso, aquilo; produza algo; crie um curso on-line; faça uma live; arrume um armário! No início, até sugeri algumas coisas, sugeri apenas.

A ditadura do “você tem de” só aumenta, assim como aumentam as exigências, os padrões, a ansiedade, a vontade de comer; surge a culpa e, na sequência, a necessidade de mais aplicativos, de mais senhas que preciso decorar… Tudo porque não estou fazendo o “que tem de” ser feito.

Chorei porque vejo pessoas gananciosas e egoístas; chorei por não poder sair e “tomar uma com um espeto” – maringaenses entenderão…

Chorar é muito bom!

Chorei porque, com o choro, as pressões se dissipam; chorei, porque é melhor chorar do que perder o controle, melhor do que responder uma mensagem de forma rude. Chorei, porque é melhor chorar do que absorver todas as fake news que nos assombram.

Chorei, porque meu apartamento é pequeno e muito quente devido ao sol da tarde e porque minhas gambiarras com isolantes térmicos estão caindo das janelas. Depois, chorei porque estou abrigada, longe do perigo iminente; chorei porque senti gratidão pelo alimento que tenho e pela possibilidade de compra; chorei porque sinto esperança e por ter conseguido me manter em alerta, mas positiva em relação ao futuro.

Chorei de alegria por ver tantas iniciativas de ajuda; chorei porque não me envolvi com nenhuma até agora…

Chorei porque sinto saudades de minha sobrinha; chorei porque não poderei ir no feriado de Páscoa revê-la. E, depois, chorei de alegria por saber que só terei de esperar algumas semanas a mais para vê-la.

Chorar é muito bom!

Por fim, chorei porque não tenho superpoderes, nem uma máquina de fazer dinheiro, mas tenho um namorado companheiro e acolhedor, uma família saudável e uma boa noite de sono pela frente.

Sobre o isolamento: mais um dia, menos um dia.

Clique aqui para voltar ao começo da roda…Setas 3

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