Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Posts marcados ‘Autoconhecimento’

Banquete da vida

 

Farinha de trigo - Mais Trigo

A vida nos mói

como a um feixe

de trigo,

para tirar o melhor

de nós mesmos.

Em meio à trituração,

ao amassamento,

temos flashes

de esclarecimento,

um raio de sol

que perpassa, sorrateiro,

as tábuas do moinho.

Cabe a cada um

cooperar

para que a aflição

da moagem

não se prolongue;

para que, uma vez

farinha,

acordemos,

nos libertemos,

participando assim,

matéria-prima refinada,

do banquete da vida.

Farinha de trigo - 300

Anúncios

A arte de viver, segundo Anselm Grün

Alguns pensadores do mundo contemporâneo são, para mim, filósofos da Nova Era. Seu pensar pode ter como fundamentação um viver religioso, como é o caso de Anselm Grün, 64 anos, doutor em Teologia e administrador da abadia beneditina de Münsterschwarzach, Alemanha. Ou não.

As origens desses novos pensadores são muito diversas, mas têm, como ponto comum – e aí vinculam-se aos primeiros filósofos de que temos notícia, os gregos da Antiguidade – a perspectiva “panorâmica” na forma de refletir sobre a vida.

Assim como os gregos antigos, os filósofos da Nova Era incluem em suas reflexões o concreto (a matéria, o que se pode medir, pesar etc.) e o abstrato (a energia, o espiritual, o que não se pode ver, mas sim sentir, intuir etc.).

Todos eles, filósofos da Nova Era, buscam mostrar o caminho do autoconhecimento e como, por meio dele, podemos viver melhor, ser mais felizes e, assim, contribuir de forma positiva para o mundo.

Olivrodaartedeviver150O Livro da Arte de Viver, de Anselm Grün, publicado pela Editora Vozes, é uma conversa, essencialmente carinhosa, feita de muitos temas e de pequenos tópicos, quase crônicas. Grün comenta sobre a felicidade e a importância de sermos o que de fato somos; sobre a busca da profundidade em todos os relacionamentos e a confiança no amor; sobre transformação, anseios e o viver – “viva em vez de ser vivido”, alerta. Também recomenda: “Aceite-se. Seja bom para você mesmo.”

Veja um trecho:

“O cerne da felicidade

Na minha juventude procurei imitar pessoas célebres. Queria ser tão erudito e tão perspicaz como o grande teólogo Karl Rahner e meu sonho era cantar tão bem como o brilhante tenor Fritz Wunderlich.

(…)

Hoje agradeço pelo que sou. Ainda me vêm à cabeça pensamentos como: ‘Gostaria de saber formular as questões tão bem quanto o fez Santo Agostinho’. Ou: ‘Oxalá eu conseguisse nas conversas manifestar meu pensamento com a mesma clareza que meu supervisor’. Quando percebo isto, procuro ficar comigo e dizer a mim mesmo: ‘Eu sou eu. E está bom assim como sou. Faço aquilo que estiver ao meu alcance’.

Quando consigo ficar totalmente em sintonia comigo mesmo e aceitar agradecido as capacidades que Deus me concedeu, mas ser grato também pelos limites que experimento, então pressinto de certa forma o que é a verdadeira felicidade. E mais: posso dizer a meu respeito que sou feliz. Está bom assim como está.

Sento-me despreocupadamente, respiro cadenciadamente e tenho prazer em sentir a vida, em perceber minha unicidade. Degusto a vida, saboreio a felicidade. Não preciso mudar nada com violência ou teimosia, não preciso trabalhar sempre duro em mim mesmo. Sou aquele que sou, incondicionalmente confirmado por Deus que me criou, formou e resguardou em seu amor. Então trago a paz em mim. Então tudo está bem.”

Anselm Grün

Não deixe de ver: Redação em quatro etapas, uma miniaula para você!

____________________________________________________________________________________________

Informática para a terceira idade

O avanço tecnológico vem acontecendo muito rápido. Por isso,  a geração mais velha às vezes se sente um pouco intimidada diante de um computador e das muitas maravilhas possibilitadas pela internet. Agora, no entanto, isso não é mais problema,  basta fazer um curso personalizado de informática (aulas particulares) com a Professora Berenice. Clique aqui para saber mais.

Pensar positivo e o lado escuro da força

Pensamos…

E procuramos pensar de forma positiva, porque sabemos a força que o pensamento tem.

Mesmo assim, nada parece mudar ou muda muito pouco, quase como se arrastássemos um móvel de um lado para o outro, uma mudança mais estética do que fundamental.

Ficamos, então, um pouco decepcionados com essa história de pensamento positivo.

Por que não funciona comigo?, perguntamos.

Talvez estejamos nos esquecendo do lado escuro da força, o pensamento negativo, que parece ter vindo acionado desde quando nascemos ou que, por questões culturais e de história familiar, acaba por nos impregnar, de ponta a ponta.

Enfrentar o dark side é preciso

Enfrentar o dark side é preciso

É ele, o pensamento negativo, que, inconscientemente, limita nossa mudança. Queremos subir, mas ele nos puxa para baixo. Pensamos positivamente e com confiança, no nível consciente, mas a força do pensamento negativo, no inconsciente, age como um freio.

Uma forma de lidar com isso é a aceitação. Aceitar que seja assim. Quando aceitamos que o lado escuro da força existe e que age sobre nós, estimulamos os pensamentos negativos a virem à tona, ao nível consciente.

Ah, então eu quero isso, mas, na verdade, não me acho merecedor porque sempre agi “errado” neste aspecto, como poderia ser diferente agora?, refletimos.

Conhecer o pensamento negativo que limita nossos anseios é o primeiro passo para efetivamente “dissolvê-lo”. Aceitar que “erramos” é o segundo. O terceiro, e libertador passo, é perceber que qualquer que tenha sido nosso “erro” (ou, melhor do que erro, algo que fizemos e que não nos trouxe bons resultados), a possibilidade de repeti-lo está praticamente zerada, uma vez que nos tornamos conscientes dele. E consciência é tudo.

Nada melhor, portanto, do que fortalecer nossa consciência, pelo autoconhecimento; pela aceitação do que efetivamente somos; pelo amor a nós mesmos; pela compreensão em relação à forma como aprendemos; pelo respeito ao nosso jeito de ser… E pelo pensamento positivo, que nos ajuda a descobrir, caso haja algum, o pensamento negativo a ele associado. Assim, podemos “dissolvê-lo”, aceitando-o e integrando-o positivamente (como aprendizado) em nós.

Isso traz poder. O poder de estar em paz consigo mesmo, ao instituir um cessar-fogo entre o pensamento positivo e o negativo. E, estando em paz consigo mesmo, o poder de avançar pela vida com menos medo e mais resultados.

A ansiedade e o conceito espaço-tempo

Tudo é relativo, do ponto de vista de quem observa os acontecimentos.

Tudo tem seu tempo. Em linhas gerais, passado, presente e futuro.

Tudo acontece em um espaço que lhe é próprio, dentro e fora de nós, simultaneamente.

 

esptempo150A teoria da relatividade,  desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein, sustenta a noção de que não há movimentos absolutos no universo, apenas relativos. Qualquer movimento é relativo a algum sistema de referência escolhido (para conveniência de quem está estudando o movimento). Sob essa perspectiva, o espaço e o tempo desaparecem como entidades independentes e são substituídos pelo conceito espaço-tempo.

 

Onde está o observador – nós mesmos – está o nosso espaço. E o tempo que temos à disposição é este momento, o presente, o agora.

Existe ansiedade quando nos deslocamos mentalmente para o passado ou para o futuro e deixamos de preencher nosso espaço no presente com energia e atenção.

Pode ser surpreendente descobrir se vivemos de fato o momento presente.

Observe-se. Quanto da angústia, do desconforto, dos receios que porventura esteja vivenciando têm relação com este momento? Mais provável que tenham relação com fatos passados ou com preocupações a respeito do futuro.

E como não se pode voltar ao passado ou alcançar o futuro neste momento, vem a ansiedade, na forma de uma angustiosa sensação de pressa; de impotência; de sofrimento constante; de nervosismo; de exasperação; de desespero; de uma ou mais noites de insônia…

Quando você se conecta com o momento que efetivamente está vivendo, o passado perde a força e o futuro, a inevitabilidade. Ao concentrar sua energia no agora, você conquista poder para direcionar sua vida da forma que considerar mais adequada.

Respire fundo e concentre-se no momento que está vivendo. Observe-se.

Acalme sua mente e coloque sua atenção neste momento. Onde você está. Como são as coisas à sua voltas. E você: seu nível de relaxamento; seus gestos; suas sensações – de conforto, calor, frio; sua percepção quanto à luminosidade que entra pela janela, à água que escorre sobre suas mãos, de como você respira, à forma como anda – a força que coloca em cada passada, à tepidez do contato de sua mão sobre o seu braço…

Essa experiência vai ajudá-lo a se conectar com o presente. Pode ser que a sensação de tranquilidade decorrente, que vai lhe dar uma visão geral mais otimista sobre sua vida, não dure muito. Mas se valeu a pena fazer o contato, repita a experiência sempre que seus pensamentos insistirem em voar para o futuro ou ficarem tentados a mergulhar no passado. Principalmente, surpreenda-se com as muitas descobertas em relação à riqueza que existe em seu presente.

Tudo o mais é poeira de estrelas

imagensnasapoeira5Aceitar o que é.

Nada mais difícil.

Pois o que é, em geral, não tem nada a ver com o que gostaríamos que fosse.

Voltamos ao passado, em busca da pessoa, pessoas ou situações que nos trouxeram a esta realidade de que não gostamos e que, por isso, não aceitamos.

Se ele/ela tivesse agido de outro modo comigo; se eu tivesse reagido de outra forma àquela situação; se eu tivesse me posicionado de um jeito diferente…

Talvez nos projetemos no futuro, em busca daquela realidade que gostaríamos de vivenciar hoje.

Quando eu tiver isto ou aquilo, poderei me posicionar como quero; quando tiver isto ou aquilo, tudo vai mudar; quando alcançar o que quero, as pessoas vão ver como sou de fato…

Enquanto vivemos no passado ou no futuro, o presente escorre por entre nossos dedos, desaproveitado. E nos sentimos tristes, desanimados, frustrados, infelizes.

Aceitar o que é tem a grande vantagem de nos dar base sólida para qualquer mudança que queiramos fazer em nós e em nossa vida.

Tudo o mais é poeira de estrelas.

O ponto de vista do observador

 knutunico1Ser rejeitado, qualquer que seja a circunstância, é um sentimento doído, que abala a confiança em si mesmo e põe por terra toda a autoestima construída com tanto esforço.

Não importa muito de onde vem a rejeição – familiares, amigos, colegas… -, o que importa é a dor sentida e a forma como lidamos com isso.
Toda essa imensa mágoa, no entanto, talvez pudesse  se resumir a uma questão de perspectiva. Quem é o observador?

  

Ao estudar o microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – os cientistas estranharam o comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo. Ao fazer experiências, observaram que as partículas podem se comportar simultaneamente como ondas.

Buscando detectar quando os elementos atômicos agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos com a constatação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas.

Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

Quem é o observador quando nos sentimos rejeitados? Nós ou o outro?

Será que estamos partindo do ponto de vista do que pensamos sobre nós ou do que supomos que o outro pense sobre nós? Há de fato uma rejeição ou simplesmente um “não estou nem aí”. Isso porque o outro – e somos o outro em muitas situações – tem mais com o que se preocupar, como suas próprias inseguranças e medos.

Assim, será vantajoso dar ao outro – um ser humano tão cheio de incertezas quanto nós – esse tremendo poder? De decidir, avaliar, dar peso e forma ao nosso valor?

Cultivar a rejeição só parece ser vantajoso quando se transforma em justificativa para não olharmos para nós mesmos, em busca do nosso próprio valor.

 

 “Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?”
em poema de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: