Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Londrina, 31 de março de 2020

Por Berenice Setti Rosa

A angústia da solidão

Eta palavrinha difícil! Até achava que fazia ideia do que significava, mas não, com certeza não sabia, não tinha absolutamente nenhuma ideia.

Aos poucos, fui descobrindo que confinamento é você se deparar consigo mesmo; é encarar suas dificuldades, e facilidades; é confrontar as inesperadas atribulações da vida. Hoje em dia, com a tecnologia mostrando tudo de forma on-line, o confinamento torna-se ainda mais estranho. Você se sente sem noção, como se não estivesse vivendo neste planeta, como se não pertencesse mais à sociedade… Você se sente excluído, você se sente isolado, você se sente só, mesmo estando no meio de uma multidão.

Por mais entendimento que se tenha para concordar que é uma situação necessária, dá vontade de falar um palavrão e dizer chega, não quero mais. Mas aí você para e pensa e fala: tá bom, precisa, então vou ficar quieta dentro da minha casa!

Não é fácil, mas sinto que de tudo isso algo bom está surgindo; as pessoas estão mais solidárias, estão enxergando que o próximo existe e isso pode significar um recomeço. Compelidos à solidão, percebemos a importância de estar juntos e de apoiar uns aos outros.

E a roda de crônicas continua…Setas 3

Londrina, 30 de março de 2020

Por Cristina Consalter

Mais um dia…

Hoje, acordei com vontade de sair na rua; de ir para a academia do meu prédio e de me encontrar com as pessoas, mas meu livre-arbítrio me diz que ainda não devo fazer isso. Então, me contento em olhar para o céu e para os carros que transitam pela avenida. Ouço o canto dos pássaros e a música da minha rádio preferida. Tenho consciência da oportunidade de viver, mesmo sendo nos limites das minhas escolhas e possibilidades…

Tenho uma agenda on-line apertada no decorrer da semana e espero contribuir e aprender com as pessoas que se conectarem comigo. Há vida lá fora, há vida em mim; os sonhos, os desejos e a fé são parceiros leais.

Assim, não me sinto presa, o verdadeiro cárcere é mental, porque empobrece a nossa alma! Sinto-me viva e ativa, mas ficarei muito melhor se você, que está lendo esta mensagem, fizer a sua parte! Tudo isso vai passar e como você passará por essa experiência? Mantenha um propósito de vida, conecte-se com o seu melhor!

E a roda de crônicas continua…Setas 3

Maringá, 28 de março de 2020

Por: Amanda Serra Prata

Sem surtar na quarentena

Venho escrever sobre confinamento pelo ângulo do desespero, pois acredito que, assim como eu, muitas pessoas também se desesperam nesta quarentena. É um desespero mental quando pensamos em como as coisas serão daqui para a frente ou em como seguir com essa vida de confinamento sem surtar, continuando com a faculdade EAD, terapia on-line, cuidando da alimentação e fazendo exercício físico.

Pensamos com desespero que temos de manter tudo como era antes desse período de reclusão, sem perceber que não precisa ser assim. Estamos vivendo um momento atípico, em que o mundo todo está funcionando de forma diferente. Então, porque é que você tem de agir no automático, como se nada tivesse mudado? A questão é: não tem de agir no automático. Está tudo bem não conseguir fazer exercício físico todo dia ou não fazer vários cursos on-line, ou não cuidar perfeitamente da alimentação.

Neste momento, é importante tentar cuidar de você, da sua saúde mental, fazendo também coisas das quais você goste, que lhe deem prazer. Temos prazos, contas a pagar e, alguns, até filhos para cuidar, mas é valioso se lembrar de que está tudo bem não ser cem por cento produtivo nesse período. Está tudo bem olhar para si e cuidar do que quer que esteja aí dentro. Vamos nos lembrar disso.

E a roda de crônicas continua…Setas 3

Maringá, 26 de março de 2020

Por Cris Schneider

Chorar é muito bom!

Hoje, chorei pela primeira vez desde que entramos em isolamento social.

Chorei de raiva, inicialmente por ver que pessoas não estão levando a sério o problema e, com isso, acabam colocando a vida de outros em risco; assumi o medo por mim e pela minha família e por todos os seres humanos.

Chorei pela pressão que vem de todos os lados: leia um livro; faça isso, aquilo; produza algo; crie um curso on-line; faça uma live; arrume um armário! No início, até sugeri algumas coisas, sugeri apenas.

A ditadura do “você tem de” só aumenta, assim como aumentam as exigências, os padrões, a ansiedade, a vontade de comer; surge a culpa e, na sequência, a necessidade de mais aplicativos, de mais senhas que preciso decorar… Tudo porque não estou fazendo o “que tem de” ser feito.

Chorei porque vejo pessoas gananciosas e egoístas; chorei por não poder sair e “tomar uma com um espeto” – maringaenses entenderão…

Chorar é muito bom!

Chorei porque, com o choro, as pressões se dissipam; chorei, porque é melhor chorar do que perder o controle, melhor do que responder uma mensagem de forma rude. Chorei, porque é melhor chorar do que absorver todas as fake news que nos assombram.

Chorei, porque meu apartamento é pequeno e muito quente devido ao sol da tarde e porque minhas gambiarras com isolantes térmicos estão caindo das janelas. Depois, chorei porque estou abrigada, longe do perigo iminente; chorei porque senti gratidão pelo alimento que tenho e pela possibilidade de compra; chorei porque sinto esperança e por ter conseguido me manter em alerta, mas positiva em relação ao futuro.

Chorei de alegria por ver tantas iniciativas de ajuda; chorei porque não me envolvi com nenhuma até agora…

Chorei porque sinto saudades de minha sobrinha; chorei porque não poderei ir no feriado de Páscoa revê-la. E, depois, chorei de alegria por saber que só terei de esperar algumas semanas a mais para vê-la.

Chorar é muito bom!

Por fim, chorei porque não tenho superpoderes, nem uma máquina de fazer dinheiro, mas tenho um namorado companheiro e acolhedor, uma família saudável e uma boa noite de sono pela frente.

Sobre o isolamento: mais um dia, menos um dia.

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Londrina, 25 de março de 2020

Por Ana Setti Rosa

A solidariedade pode mudar o mundo

De repente, o mundo parou. Um inimigo invisível e sorrateiro avançou pelos quatro cantos do planeta, deixando um rastro de aflição e medo. Diante do inesperado, do sem precedentes, do ainda sem solução, foi preciso buscar caminhos alternativos para amenizar o impacto do contágio. Um deles foi o confinamento.

Com ele, assim como Alice no País das Maravilhas, caímos em um espaço estranho, surreal, surpreendente. Até ontem, não tínhamos tempo para nada; vivíamos atormentados pelas obrigações e compromissos, pelas cobranças e pressões… Hoje, temos tempo de sobra e nosso único compromisso é manter a sanidade, sejam quais forem as condições do isolamento social, a dois, a três, a quatro… ou, de fato, apenas consigo mesmo.

Mas essa estranheza se expande e avança para o sistema, para a estrutura de nossa civilização. Com o confinamento, tudo o que elegemos como “forma natural de viver” está sob escrutínio, levando-nos a perceber com mais nitidez a desigualdade que grassa lá fora: quem não tem nem casa para ficar confinado; quem tem casa, mas não tem espaço para ficar isolado; quem tem casa, mas não tem dinheiro para se alimentar ou comprar sabão; quem está preso, mas precisa ser solto para se isolar…

Fechados em casa, nossa “visão de mundo” vai se modificando: tanto faz quanto poder tem o indivíduo, o volume de moedas que possui, o brilho de sua imagem virtual… Ao fim e ao cabo, todos queremos sobreviver e, para isso, será preciso aceitar nossa humana igualdade. Sim, em essência, somos todos iguais e queremos apenas continuar vivendo.

O mundo parou, mas vai voltar a girar e, quando isso ocorrer, além de prantear nossos mortos, celebraremos a vida, renovada pelas ações que tivermos coragem de empreender neste momento. A solidariedade é o que nos levará adiante e mesmo um pequeno gesto terá enorme valor. Como dizia Madre Teresa de Calcutá, “toda vez que ponho minha gota no oceano, ele fica maior”.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Para dicas sobre como escrever sua crônica, clique aqui e aqui.

E a roda de crônicas continua…Setas 3

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