Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

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O outro eu

Poema e gravura da designer e artista plástica Denise de Camargo (DD Camargo) que, para meu orgulho e alegria, é também minha filha muito querida.

Onde haverá de estar

Aquele que oculto em trevas

– Ou em luz –

Se atreve a ficar submerso

Escondido

Inalcançável

Em algum lugar do universo

Ao contrário

Inefável

Provavelmente perdido

E indefensável

Ego baldio

Rarefeito

Desencontrado

E vazio

Nessa cama desfeita

– E que não está pronta –

Para recebê-lo

Aonde caminha esse espectro

E por quais ruas etéreas se deixa levar?

Por debaixo da pele?

Na nuca, na retina dos olhos

No pensamento

Encontrará abrigo?

Ou refúgio, quem sabe

Na porta da aurora da morte

Com passagem sem volta

Para o outro eu

Que vencido pelo tempo

Resolva, finalmente, deixar de existir.

O outro eu (DD Camargo)

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Contínuo espaço-tempo

Estava pensando

no dia de amanhã

como se já fosse hoje,

aí percebi que não é

o dia vigente,

ou qualquer outro dia,

que chega,

mas a mente

que escorrega

para a frente.

Dias da semana OK

Crônica do Tempo

 

Porque roubaram o frescor das árvores e das águas,

o inverno se tornou irreconhecível

Porque deixaram a Terra ser irremediavelmente ferida,

a primavera enlouqueceu

Porque acenderam fornalhas de ganância por todos os cantos,

o verão se agigantou

Porque as cinzas pesaram impunemente sobre a ferrugem das folhas,

o outono morreu

Foi-se o tempo

e nenhum outro

veio para ocupar 

o seu lugar.

Crônica do tempo 2A

 

Haicai 19

O fim da tarde estende

uma sombra grande

sob a árvore pequena.

Sombra de árvore 2

 

Sob a luz

Flores tristes 8

Tenho cultivado um jardim

de mágoas e ressentimentos.

São muitas as flores,

mas tristes, sem viço.

Não atraem pássaros,

raios de sol, ventos amenos,

só amargura, vitimação,

sombria solitude.

É hora de mudar,

de plantar otimismos.

Nem pra frente, nem pra trás

Imagem do swiss photographer Fabian Oefner

Um medo

Muitos medos 

Medo de ser

Medo de fazer

Medo do que vai acontecer

Medo

Com ou sem

O resultado é o mesmo

Estarei viva amanhã

Ou não

Realizarei o que desejo

Ou não

Terei o que quero

Ou não

Soçobrarei

Ou

Sobreviverei

Às tempestades 

Da vida

O medo não ajuda

Em nada

E atrapalha muito! 

Banquete da vida

 

Farinha de trigo - Mais Trigo

A vida nos mói

como a um feixe

de trigo,

para tirar o melhor

de nós mesmos.

Em meio à trituração,

ao amassamento,

temos flashes

de esclarecimento,

um raio de sol

que perpassa, sorrateiro,

as tábuas do moinho.

Cabe a cada um

cooperar

para que a aflição

da moagem

não se prolongue;

para que, uma vez

farinha,

acordemos,

nos libertemos,

participando assim,

matéria-prima refinada,

do banquete da vida.

Farinha de trigo - 300

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