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Banquete da vida

 

Farinha de trigo - Mais Trigo

A vida nos mói

como a um feixe

de trigo,

para tirar o melhor

de nós mesmos.

Em meio à trituração,

ao amassamento,

temos flashes

de esclarecimento,

um raio de sol

que perpassa, sorrateiro,

as tábuas do moinho.

Cabe a cada um

cooperar

para que a aflição

da moagem

não se prolongue;

para que, uma vez

farinha,

acordemos,

nos libertemos,

participando assim,

matéria-prima refinada,

do banquete da vida.

Farinha de trigo - 300

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Consciência de ser

Costumamos usar, com frequência e muita propriedade, expressões como: “Tomei consciência do fato.”; “Em questão de segundos, tive consciência do perigo que corria.”; “A consciência de que ia magoá-la, impediu-o de fazer o que pretendia.”…

A familiaridade e a desenvoltura com que tratamos o conceito de consciência, comumente restrito ao pensamento filosófico, revela que nos apropriamos da essência de seu significado quando o aplicamos na prática.

Pelos exemplos acima, de uso corriqueiro, observamos que, na perspectiva do cotidiano, consciência equivale à percepção da realidade, interna e externa a nós.

Assim, sem recorrer a qualquer tipo de especulação esotérica, podemos dizer, pela observação, que o ser humano conta com um recurso natural, que lhe permite ligar-se ao mundo exterior e interior, e tomar conhecimento do que acontece à sua volta e dentro de si mesmo. Esse recurso é a consciência ou, como o uso comum a define: a percepção da realidade.

Seguindo esse encadeamento de ideias, faz sentido pensar que o despertar da consciência tenha propiciado ao primata, que havia se desenvolvido mais e melhor do que os outros de sua espécie, a oportunidade de alcançar o estágio de Homo sapiens, dando origem à linhagem do ser humano, tal como somos hoje.

A evolução e o medo

Por começar a perceber o que se passava à sua volta e a se perceber como um ser à parte, esse nosso antepassado longínquo teve condições de se relacionar com o ambiente e com os demais seres, tirando dessa interação o melhor proveito. Utilizou objetos de osso e pedra como ferramentas e armas; aprendeu a acender, a manter e a empregar o fogo; buscou formas de comunicação, como a fala,  mais eficientes aos seus propósitos.

Por tomar consciência do que não conhecia, em oposição ao que sabia e podia controlar, teve medo. Por temer, sentiu-se impelido a enterrar seus mortos e a registrar a fugaz existência nas paredes escarpadas das cavernas, pintando cenas de seu cotidiano.

Por raciocinar sobre o que percebia, deduziu a vantagem de se fixar numa terra apropriada e dela tirar, por meio do cultivo de plantas e da domesticação de animais, o seu sustento. Por começar a sentir, expandindo sua percepção em relação ao mero instinto, solidarizou-se com seus iguais, formando povoados, cidades, civilizações.

Contrapondo experiências

A evolução da consciência tem sido, desde então, o balizador da evolução do ser humano. As experiências individuais e coletivas do homem com relação ao seu meio, por intermédio do processo de tentativa e erro, permitiram o avanço das sociedades, em termos de organização social, política e econômica.

Mesmo os aparentes retrocessos levaram o homem adiante, uma vez que experiências negativas, em contraponto a experiências mais positivas, propiciam uma nova média entre os altos e baixos da civilização, estimulando uma percepção consciente mais apurada sobre o que é melhor para a sociedade num determinado momento.

A conscientização do homem sobre a extensão, a complexidade e os mistérios do ambiente que o envolve e do qual depende, incentivou-o às descobertas e ao desenvolvimento.

Por conseguir idealizar e aplicar na prática o que observava e deduzia, a partir da realidade à sua volta, foi capaz de acumular, organizar, registrar e divulgar conhecimento, de acordo com os interesses prevalecentes em cada época, demarcando assim os diversos estágios de progresso vivenciados pela espécie humana em sua espiral ascendente de evolução.

Por conseguir idealizar o que sentia em relação ao outro, aos outros e à realidade visível e invisível, motivou-se a partilhar o resultado desse contato com o imponderável, expressando-se religiosa, filosófica e artisticamente.

A expansão do sentir e sua expressão, cada vez mais diversificada e sofisticada, pontuaram toda a progressão alcançada pelo homem no plano material, revestindo-a de sentido e estimulando sua continuidade.

Vantagem competitiva

O despertar da consciência no homem, a ampliação e o depuramento de sua percepção consciente, permitindo que abrangesse um maior número de fatos, ideias e sentimentos, e os manipulasse com cada vez maior desenvoltura, foram e continuam sendo o grande diferencial da espécie humana em relação às demais espécies do planeta.

Por intermédio da consciência, nos damos conta de que existimos. Por intermédio da consciência, refletimos sobre a existência e nos propomos questões, que fazem avançar ainda mais nossa percepção, revelando novas perspectivas.

O avesso e o direito

Atualmente, a realidade nos mostra sua face mais desagradável: violência, agressividade, desamor, desencontros, sofrimento, infelicidade, dor. Sentimo-nos a tal ponto angustiados e inseguros que chegamos a nos perguntar se a vida faz algum sentido.

Sabemos, no entanto, que, na realidade objetiva, tudo obedece à lei da ação e da reação. “O que se planta, se colhe”, afirma a sabedoria popular. “Não faça aos outros o que não quer que façam a você”, orientou-nos Mestre Jesus. É válido pensar, portanto, que o que estamos colhendo hoje seja, simplesmente, o resultado do que temos semeado, como civilização, ao longo dos séculos.

Mas nem tudo é colheita desapontadora. Há pessoas e grupos obtendo bons resultados em suas searas. Provavelmente porque já se conscientizaram de que existem outras formas de se relacionar com a realidade. Consciência, no caso, é tudo, uma vez que se revela a balizadora da evolução da humanidade. À medida que nossa percepção consciente se amplia e se apura, não só tomamos conhecimento de mais fatos sobre a realidade, como compreendemos melhor nosso relacionamento com ela. Temos, então, condições de transformá-la.

Percepção consciente

Até agora, a evolução da consciência humana transcorreu, especialmente, no plano material. Nossa percepção foi capaz de nos situar no mundo; de nos estimular a conhecê-lo cada vez melhor; de nos motivar a utilizar as descobertas em proveito próprio e do bem comum, e de nos habilitar para um relacionamento interpessoal mais verdadeiro. O progresso científico, os avanços tecnológicos, a divulgação massiva e globalizada do conhecimento e a preocupação preservacionista destacam-se entre as inúmeras conquistas da humanidade ao longo do tempo. Contudo, não fomos capazes de encontrar respostas para as perguntas que nos angustiam desde sempre.

Essas respostas começam a ser vislumbradas agora, com a evolução da consciência alcançando o plano espiritual. Já aceitamos, com alguma naturalidade, o que nos dizem sobre a realidade por meio da percepção denominada extrassensorial ou paranormal. Não consideramos mais como mistificação o que nos explicam ter, como causa, o poder mental, os campos de energia humanos, a intuição, a mediunidade. Respeitamos, como plausíveis, os bons resultados obtidos a partir de terapias alternativas. Ainda não dominamos o que nos parece imponderável, mas já o incluímos, como fato aceitável, na realidade.

Contraposições como pistas

Ter noção do que é espiritualismo, em contraposição ao que sabemos ser materialismo, indica um primeiro passo em um novo caminho. A contraposição, em si, oferece igualmente uma pista sobre qual tem sido o sentido de nossa evolução até agora. Se não temêssemos as sombras, não valorizaríamos a luz. Se não sentíssemos a dor, não almejaríamos o prazer. Se não padecêssemos, não imaginaríamos a felicidade. Se não errássemos, não saberíamos o que significa acertar. Se não percorrêssemos um descaminho, não teríamos noção do que é um caminho.

Com o despertar da consciência espiritual, estamos no limiar de uma nova era, de mais luz, prazer e felicidade. Sabemos que há um caminho. Para percorrê-lo, precisamos exercitar nossa percepção consciente, analisando o que já conhecemos sob diferentes pontos de vista. A reflexão nos ajuda a avançar nessa direção.

As descobertas que levaram a uma nova visão de mundo

Há um século os cientistas vêm descobrindo novos aspectos da realidade e colocando de ponta-cabeça o universo que aprendemos a conhecer tanto como mecânico e previsível, quanto governado por leis rígidas e imutáveis. Einstein, com sua Teoria da Relatividade, e Planck, com seu estudo sobre o quantum,  são considerados os iniciadores,  ainda no alvorecer do século XX, dessa assombrosa mudança. Faça agora um passeio pelos principais pressupostos científicos da Física Quântica:

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Teoria da Relatividade

A teoria desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein sustenta a noção de que não há movimentos absolutos no Universo, apenas relativos. Qualquer movimento é relativo a algum sistema de referência escolhido (para conveniência de quem está estudando o movimento). Sob essa perspectiva, o espaço e o tempo desaparecem como entidades independentes e são substituídos pelo conceito espaço-tempo. Einstein também definiu a inter-relação existente entre massa e energia, traduzida na equação: E = mc² ou Energia (E) é igual à massa (m), multiplicada pelo quadrado da luz  (c²).

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Teoria Quântica

O físico alemão Max Planck é considerado o pai da teoria quântica. Seu objeto de estudo foi o mundo microscópico, dos elétrons e das partículas subatômicas, buscando encontrar resposta para uma pergunta em especial: se a matéria é feita de átomos, por que a energia não seria? Nasceu assim a Teoria do Quantum, que descreve a troca de energia entre corpos ou como os elétrons absorvem e emitem energia radiante. Segundo Planck, essa transmissão seria feita por saltos, na transição de uma órbita  para a outra, pois, ao absorver energia, o eletrón saltaria para uma órbita mais externa (conceito quantum) e, ao emiti-la, passaria para outra mais interna (conceito fóton).

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Teoria da Dualidade: Partículas e Ondas

Por uma combinação muito simples da fórmula de Einstein, que relacionava massa e energia, com a de Planck, que relacionava frequência e energia, o físico francês De Broglie demonstrou que o elétron não era apenas uma partícula, mas uma forma de onda. A idéia de que a matéria não passava de um aspecto da energia e de que ambas eram interconvertíveis tornou-se mais evidente quando se pôde ver que partículas eram sempre semelhantes a ondas, e ondas sempre semelhantes a partículas. Massa e energia passaram a significar a mesma coisa.

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Princípio da Onda Estacionária – um novo modelo de átomo

O físico austríaco Erwin Schrödinger acreditou que o modelo de átomo proposto pelo dinamarquês Niels Bohr podia ser modificado, levando-se em conta essas ondas. Elaborou, assim, a teoria segundo a qual o elétron não evoluía em torno de um núcleo, mas era apenas uma onda estacionária constante formada em torno dele.

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Princípio das Probabilidades

O físico alemão Max Born percebeu que a função de onda deveria ser interpretada em termos de probabilidades. Quando os físicos experimentais medem a posição de um elétron, a probabilidade de encontrá-lo em uma região determinada depende da magnitude da função de onda nessa região. Essa interpretação concedia ao acaso um papel fundamental nas leis da natureza.

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Princípio de Complementaridade

A representação de um elétron ao mesmo tempo como partícula e como onda levou o físico Niels Bohr a observar que um fenômeno pode ser encarado de duas maneiras que se excluem mutuamente, permanecendo válidas, em seus próprios termos, as duas maneiras de considerá-lo.

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Princípio da Incerteza

Deve-se ao físico alemão Werner Karl Heisenberg a constatação de que é impossível fazer uma determinação exata e simultânea da posição e do momento (produto da massa pela velocidade) de qualquer corpo. Quanto mais exata for uma, mais falsa será a outra. Em consequência disso, caiu por terra a visão puramente determinística do astrônomo e matemático francês Laplace, que sustentava que toda a história do universo, passada e futura, podia ser calculada se a posição e a velocidade de cada uma de suas partículas fosse conhecida a qualquer instante do tempo.

Modernamente, com base em estudos cada vez mais aprofundados, essas descobertas estão ganhando contornos de Leis Quânticas. Veja as mais comentadas:

Superposition / Superposição

As partículas podem estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Wave – Particle Duality / Dualidade Onda – Partícula

As partículas podem se comportar como ondas, espalhando-se no espaço e no tempo.

Entanglement / Entrelaçamento

As partículas podem estar interligadas a grandes distâncias.

Bose – Einstein Condensates / Condensados Bose – Einstein

As partículas podem estar unificadas em um grande estado (de energia/matéria), regidos por uma função de onda.

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Colapso da função de onda

Aqui se revela o mais estranho comportamento dos elementos quânticos. Quando observados, os elétrons só apresentam a função ou o comportamento de partículas.  Como tenta explicar o professor de Física Amit Goswami, da Universidade de Oregon, EUA (no documentário “Quem Somos Nós” 2): “Quando não se está olhando, existem ondas de possibilidades. Quando se está olhando, existem partículas de experiência.”

Entenda o que era e o que está mudando, a partir das contribuições da Física Quântica ao nosso viver cotidiano:

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Visão de mundo que

prevalece até hoje

  • Materialista, mecanicista e determinística.
  • Dividida: a Igreja fica com o invisível, o que é oculto: a Ciência, com o que é visível e, portanto, pode ser quantificado, medido e experimentado.
  • Pré-determinada: os homens são como pequenas máquinas, operando em um universo mecânico e previsível, governado por leis rígidas e imutáveis.
  • Símbolo da ordem do mundo: o relógio (de acordo com a compreensão determinística do astrônomo e matemático francês Laplace, ao sustentar que toda a história do universo, passada e futura, podia ser calculada se a posição e a velocidade de cada uma de suas partículas fosse conhecida a qualquer instante do tempo – tese derrotada pela Física Quântica, com o Princípio da Incerteza, formulado por Heisenberg).
  • Frase que explica: A ordem é redundante.

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Nova visão de mundo

  • A matéria é apenas um aspecto da energia.
  • Não há como separar o visível do invisível, uma vez que somos campos de energia operando em um campo de energia ainda maior.
  • Nossa consciência, nossos pensamentos e intenções definem a realidade que queremos viver.
  • Estamos todos interconectados em inúmeros sistemas superpostos, que se influenciam uns aos outros.
  • A realidade é feita de tendências potenciais.
  • O caos é aparente porque existem padrões de diferentes níveis de complexidade a “organizá-lo” (os fractais, por exemplo).
  • Símbolo do caos do mundo: Efeito Borboleta (não se pode determinar a maioria dos sistemas por causa da chamada “dependência sensível das condições iniciais”. Usando como exemplo um sistema metereológico, uma pequena borboleta, batendo as asas na Amazônia, poderia causar um tornado no Texas).
  • Frase que explica: O caos é informativo.

Que tal dar uma espiadinha lá fora?

Caverna360difusaoImagine-se vivendo em uma caverna, onde prospera uma comunidade que acredita ser o mundo apenas aquele definido pelos limites estreitos de seu abrigo, um lugar desconfortável, mas seguro, pela perspectiva da continuidade.

Imagine-se, agora, como alguém curioso, um pouco rebelde, que não acredita que a realidade se esgote apenas no que vê. Alguém para quem parece haver mais, no invisível, no impalpável, no que apenas se sente ou se percebe pela intuição.

Aquelas réstias de luz, que passam sorrateiras por alguns orifícios da caverna, e que até então não haviam sido explicadas por ninguém, sugerem novas e atraentes possibilidades. Por que não tentar, por que não experimentar?

Movido por essa vontade de conhecer, você vai, com muita paciência e por um longo tempo, alargando essas frestas, até que consegue sair da caverna. Primeiro, fica quase cego pela luz. Depois, quando seus olhos se acostumam à claridade, às formas, às cores, à imensidão, você se maravilha.

 

Essa mesma sensação de encantamento vem sendo compartilhada por quem começa a entender as implicações, em seu cotidiano, de um conjunto de descobertas científicas feitas ao longo do século XX e que possibilitaram o nascimento da Física Quântica, também chamada, dada a abertura de conhecimentos que trouxe, de Nova Ciência.

 

Num salto, que levou 100 anos para se completar, o determinismo, o mecanicismo e o materialismo, que caracterizavam a ciência até então, foram relegados a explicar apenas parte – o que se pode ver, medir, quantificar, determinar – de um todo muito maior.

 

Começando com as Teorias da Relatividade e Quântica, passando por descobertas muito estranhas sobre o comportamento das partículas componentes do átomo e chegando à impossibilidade da determinação exata e simultânea da posição e velocidade de um corpo, registrada no Princípio da Incerteza, os cientistas ficaram espantados. Onde esperavam encontrar respostas definitivas, acabaram deparando com explicações intrigantes, que levaram não mais a outras perguntas, mas a reflexões filosóficas.

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Afinal, constataram, tudo parece ser energia e a matéria – nossa realidade visível – retrata somente um de seus aspectos potenciais. Outro fator desconcertante foi observar que a regularidade cronológica a que estávamos acostumados – com passado, presente e futuro bem definidos em segundos, minutos e horas escoando em um único sentido – funcionava muito bem sob o ponto de vista do relógio – até então, a representação mais perfeita do padrão de previsibilidade do universo. Mas explicava apenas uma pequena parte dos fatos, sob o ponto de vista da relatividade.

 

O tempo revelou-se tão mais amplo que foi preciso reconsiderá-lo como uma quarta dimensão, e alargar nossa visão para além do restrito traçado espacial  – onde comprimento, largura e altura são passíveis de dimensionamento –, abarcando assim o abstrato conceito do contínuo espaço-tempo, em que não há uma rígida precisão cronológica, mas apenas um fluir por ondas de eventos.

 

Mas foi no microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – que as surpresas se sucederam vertiginosamente. Além de constatarem que eram os elétrons os responsáveis pela transmissão da energia entre os átomos (por meio de minúsculos “pacotes” energéticos, denominados “quanta” ou “quantum”, no singular, daí o nome Quântica), os cientistas deram-se conta do estranho comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo.

 

Neste mundo fundamental para a nossa existência, já que somos feitos, em essência, de somatória de átomos, os cientistas verificaram que as partículas estão entrelaçadas, interligadas, mesmo a grandes distâncias. Observaram ainda que as partículas podem se comportar, simultaneamente, como ondas (ondas de energia é o que se supõe), e estar superpostas em vários lugares ao mesmo tempo.

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Essa constatação abriria espaço para a suposição de existência de mais de uma “realidade”, além daquela com a qual estamos acostumados a nos relacionar por meio de nossos sentidos. Tanto no nível macro, do universo, levando-nos a imaginar a possibilidade de outras dimensões; quanto no nível micro, do nosso cotidiano, com a idéia de que existiriam potenciais de realidade a explorar ou, dito de outra forma, os eventos em nossas vidas não estariam predestinados a ocorrer, mas teriam tendência a ocorrer.

 

A descoberta seguinte, no nível das partículas, permitiria entender melhor o aparente enigma anterior. Ao fazer experiências com os elementos atômicos, buscando detectar quando agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos – mais uma vez – com a comprovação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

 

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas. Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

De tão inovador e assustador o conceito, já que exigiria uma mudança completa de nossa forma de ver o mundo, os cientistas preferiram deixar para pensar a respeito “depois” e agir de forma pragmática. Varreram a reflexão filosófica para debaixo do tapete e seguiram um dito muito popular em seu meio: “Cale-se e calcule”.

 

E foi assim, com base em muitos cálculos, que todas essas descobertas puderam ser aplicadas ao concreto do dia-a-dia, trazendo um grande avanço tecnológico. Dos transístores aos chips, passando pelos semicondutores, o desvendamento do microcosmo atômico possibilitou a revolução digital que estamos vivendo: carros com injeção eletrônica, calculadoras, relógios digitais, controle remoto, celulares, aparelhos de fax, equipamentos médicos, robôs, videocassetes, rádio-relógios, impressoras, computadores…

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No horizonte já se delineia, inclusive, a computação quântica, que vai se valer da manipulação de átomos, moléculas e suas partículas subatômicas para processar informações. A eletrônica molecular ou “moletronics”, como está sendo chamada, prevê o desenvolvimento de superchips do tamanho de grãos de areia e até cem bilhões de vezes mais rápidos do que o mais rápido processador do momento.

 

Mas será que vamos nos contentar com isso? Fazer cálculos e aplicá-los na tecnologia ? Esquecer que essas descobertas estão tentando nos mostrar que há mais do que matéria? Que o que não se vê, não se pega, não se mede, nem se quantifica, pode nos explicar melhor o que é a vida? Que não estamos à parte do todo, mas que somos parte do todo e, por isso, interconectados uns com os outros em uma grande rede de energia? Que o mundo pode ser melhor, desde que nos disponhamos a viver a mais positiva das realidades disponíveis? Que não estamos sujeitos ao acaso, mas comandamos nossas próprias vidas, definindo as experiências que queremos ter?

 

Sair da caverna não é fácil, mas o novo mundo que nos espera lá fora bem compensa a coragem e o esforço necessários para, pelo menos, dar uma espiadinha.

Wall-E e o respeito pelos frutos da civilização

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Evolução? Não há como negar.

Estou aqui, frente à uma tela de computador, redigindo um blog, que vai ser lido por não sei quantas pessoas. Estou aqui, em conexão com o mundo, e apenas preciso digitar palavras soltas ou inter-relacionadas em um teclado. Se quero fotos, basta buscar. Se quero sons, basta “baixar”. Se quero imagens em movimento, deve haver um meio de obtê-las. Sempre há. Se quero pagar uma conta, vou ao banco sem sair da minha cadeira. Se quero mandar mensagens, os Correios ficam em frente, mas não preciso ir até lá, mando um e-mail. Se quero notícias, diversão, bate papo, é só fazer a conexão. Com Londrina, Paraná, Brasil? Com a China? Com o Japão? Não sei a língua, mas há tradução automática e mesmo um mau inglês pode ser uma boa solução.

Rádio, tevê, cinema, nada passou. Ao contrário, todas as mídias evoluíram, de um jeito ou de outro. Mas nada são sem o computador, o mundo virtual, o reinado da tecnologia quântica, para o qual migraram ou tendem a migrar, gostem ou não. Tudo está aqui, à mão, à distância de um toque. Podemos nos expressar individualmente, em grupo, em fórum. Dar nossa opinião. Tornarmo-nos celebridades e nem tão efêmeras assim. Quem sabe não estamos naquele vídeo mais acessado? Ou filmamos aquela cena ou fotografamos aquela imagem, ambas – cena e imagem – que vão nos tornar conhecidos no mundo virtual ou real, quem se importa? Tivemos uma ideia. Ela rende. Então, acabamos virando os mais novos milionários do planeta. Consumimos mais, poluimos mais, divertimo-nos mais… É isso?

A tecnologia é fascinante. Confortável, libertadora e inesgotável. Mas será que tem direção? Ou melhor, será que ela precisa de direção? De princípios, talvez? Quem sabe, não precise de nada e eu é que estou procurando a saída de emergência, quando não há a menor necessidade de algum escape. Só que o homem – por trás dessas máquinas cada vez mais fantásticas – continua em guerra, consigo mesmo e com o outro. E infeliz, na maior parte do tempo. Isso é tudo o que conseguimos?

Interessante, para reflexão, assistir Wall-E, uma produção da Pixar (Disney), com roteiro e direção de Andrew Stanton, ganhador do Oscar de melhor animação de 2008 (disponível em DVD).

A história é sobre evolução tecnológica e poluição. Enquanto os humanos escapam de um mundo tornado inabitável por causa do lixo acumulado, embarcando em um cruzeiro de longuíssima duração pelo universo, Wall-E, um dos robôs encarregados da limpeza do planeta, vai ficando e acaba se tornando o último representante na Terra de nossa civilização. E se sai muito bem.

Não só cuida de si mesmo, mantendo-se ativo pelo autoconserto e pela exposição regular ao sol (para recarregar a bateria), como, ao realizar o seu humilde trabalho, demonstra carinho por tudo o que encontra, seja uma lâmpada, um cubo mágico, uma planta.

A receita de Wall-E é bem simples: respeito. Respeito pelo que somos, pelo outro, pelo planeta… Será que não é disso que  nossa evolução anda precisando?

Pensar positivo e o lado escuro da força

Pensamos…

E procuramos pensar de forma positiva, porque sabemos a força que o pensamento tem.

Mesmo assim, nada parece mudar ou muda muito pouco, quase como se arrastássemos um móvel de um lado para o outro, uma mudança mais estética do que fundamental.

Ficamos, então, um pouco decepcionados com essa história de pensamento positivo.

Por que não funciona comigo?, perguntamos.

Talvez estejamos nos esquecendo do lado escuro da força, o pensamento negativo, que parece ter vindo acionado desde quando nascemos ou que, por questões culturais e de história familiar, acaba por nos impregnar, de ponta a ponta.

Enfrentar o dark side é preciso

Enfrentar o dark side é preciso

É ele, o pensamento negativo, que, inconscientemente, limita nossa mudança. Queremos subir, mas ele nos puxa para baixo. Pensamos positivamente e com confiança, no nível consciente, mas a força do pensamento negativo, no inconsciente, age como um freio.

Uma forma de lidar com isso é a aceitação. Aceitar que seja assim. Quando aceitamos que o lado escuro da força existe e que age sobre nós, estimulamos os pensamentos negativos a virem à tona, ao nível consciente.

Ah, então eu quero isso, mas, na verdade, não me acho merecedor porque sempre agi “errado” neste aspecto, como poderia ser diferente agora?, refletimos.

Conhecer o pensamento negativo que limita nossos anseios é o primeiro passo para efetivamente “dissolvê-lo”. Aceitar que “erramos” é o segundo. O terceiro, e libertador passo, é perceber que qualquer que tenha sido nosso “erro” (ou, melhor do que erro, algo que fizemos e que não nos trouxe bons resultados), a possibilidade de repeti-lo está praticamente zerada, uma vez que nos tornamos conscientes dele. E consciência é tudo.

Nada melhor, portanto, do que fortalecer nossa consciência, pelo autoconhecimento; pela aceitação do que efetivamente somos; pelo amor a nós mesmos; pela compreensão em relação à forma como aprendemos; pelo respeito ao nosso jeito de ser… E pelo pensamento positivo, que nos ajuda a descobrir, caso haja algum, o pensamento negativo a ele associado. Assim, podemos “dissolvê-lo”, aceitando-o e integrando-o positivamente (como aprendizado) em nós.

Isso traz poder. O poder de estar em paz consigo mesmo, ao instituir um cessar-fogo entre o pensamento positivo e o negativo. E, estando em paz consigo mesmo, o poder de avançar pela vida com menos medo e mais resultados.

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