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Crônicas do Confinamento

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Dicas para escrever sua crônica – 1

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Dicas para escrever sua crônica – 2

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Argumentação, como defender ideias e convencer pessoas

Sabemos que um bom texto deve trazer uma mensagem consistente e coerente e seguir uma lógica – começo, meio e fim – de fácil identificação e acompanhamento pelo leitor. Contudo, um texto opinativo, do tipo dissertativo-argumentativo, exige algo mais, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento das ideias.

Esse “algo mais” se traduz em argumentos, usados para justificar, validar e defender o ponto de vista a respeito do tema sobre o qual se escreve. O objetivo é convencer o leitor ou, pelo menos, levá-lo a pensar, a refletir sobre o assunto.

De geração para geração, quem nunca usou esse recurso?

O adolescente quer ir a uma festa; os pais dizem não. “Mas por que não?”, ele pergunta.

Os pais, então, vão defender seu posicionamento, respondendo: “Porque você ainda não tem idade para ir a festas.” ou “Você está de castigo por ter brigado com sua irmãzinha.” ou “Porque precisa estudar para as provas do colégio e não pode dormir tarde.”

O jovem, por sua vez, contrapõe: “Mas o meu amigo Mário tem a mesma idade e vai à festa!” ou “É, mas foi ela que começou, ela é que devia estar de castigo!” ou “A festa não vai até tarde e eu já estudei tudo!”

Tal como o jovem e os pais dele, estamos sempre argumentando em defesa de nossas opiniões. Argumentamos para recomendar um filme, um livro, algo de que gostamos; para justificar a tomada de uma decisão; para demonstrar a validade de um pedido, como o de um aumento de salário, por exemplo…

Argumentar por escrito

Na escrita, a argumentação também serve para justificar, defender, validar nossa opinião sobre determinado assunto. Ao argumentar, tentamos convencer, persuadir o leitor de que nosso ponto de vista a respeito do tema sobre o qual escrevemos está correto.

E, para isso, usamos vários recursos, como fatos, informações, dados, histórias, exemplos, reflexões, explicações, análises, comparações, alusões históricas, citações etc., atendendo a diversas estratégias de argumentação.

Para saber mais sobre isso, vamos fazer um exercício:

Temos um tema, globalização, e um ponto de vista a respeito do tema:

Nas últimas décadas, com a globalização, impulsionada pelos avanços da tecnologia, o mundo se transformou em uma aldeia. A esperança de que essa mudança de perspectiva fosse capaz de trazer mais justiça social e menos desigualdade econômica não se realizou. Ao contrário, o que vem ocorrendo é uma valorização massiva do ter, do ganhar, do competir. A falta de valores sociais a permear uma dinâmica de tal porte assusta, porque impede a definição de rumos e de objetivos. Aonde queremos chegar?

O passo seguinte é encontrar argumentos que justifiquem e defendam esse posicionamento. Para isso, vamos recorrer a algumas estratégias argumentativas. São elas que permitem encadear argumentos à linha de raciocínio desenvolvida no texto:

Estratégia da validação

Consiste em detalhar, esclarecer com fatos o que foi afirmado no ponto de vista, na tese sobre o tema. Em nosso exemplo, uso essa estratégia para detalhar o processo de globalização, que “reduziu” o mundo a uma aldeia:

Há muito movimento nesse nosso pequeno grande mundo. Empresas agigantam-se e ultrapassam fronteiras, espalhando capital, receita de impostos, lucros e investimentos ao redor do planeta. O dinheiro, assim pulverizado, reúne-se novamente em um e outro oásis financeiro, com o objetivo de gerar mais dinheiro, concentrando nas mãos de poucos um poder econômico que já foi sutil, eminência parda de muitos governos, mas hoje se escancara e, abertamente, controla o mundo. As nações, tentando resguardar um pouco do nacionalismo ultrapassado, unem-se em blocos, defendem mercados mais amplos, consolidam a ideia de uma única moeda. Seu propósito, contudo, é o de criar salvaguardas econômicas. A preocupação com o social fica para depois.

Estratégia de causa e consequência

Argumentar sob essa perspectiva é mostrar causas e consequências das ideias, da situação, dos fatos apresentados no ponto de vista sobre o assunto. Em nosso exemplo, uso essa estratégia para destacar a falta de valores (causa) que permeia o processo de globalização, deixando o futuro, sob essa perspectiva, incerto (consequência):

Os cidadãos do mundo são participantes involuntários desse processo intenso e transformador, mas também são, direta ou indiretamente, seus deflagradores. Nessa perspectiva, a falta de valores sociais a permear uma dinâmica de tal porte assusta, porque impede a definição de rumos e de objetivos. Aonde queremos chegar? Não temos ideia, mas continuamos a avançar e a nos surpreender e a celebrar cada nova conquista. O dinheiro estagnado, que só gera mais dinheiro, será capaz de nos dar uma resposta? O poder político, que deveria zelar pelo social, continuará subordinado às exigências do econômico? O grande será assim reconhecido só porque tem o poder de acumular cada vez mais? A solidariedade? O outro? Vamos deixar para pensar nisso depois.

Estratégia da fonte confiável

Argumentar com esse recurso é referendar, avalizar as ideias apresentadas por meio de citações de especialistas, autoridades, técnicos, analistas etc. que sejam fontes confiáveis nas áreas de conhecimento em que atuam; bem como por meio de citação de dados, informações, estatísticas, pesquisas etc., divulgados por instituições, organizações, institutos e outros similares considerados confiáveis. Em nosso exemplo, a ideia da inevitável inter-relação dos “cidadãos do mundo” é avalizada por intermédio da citação de especialista:

Os cidadãos do mundo são participantes involuntários desse processo intenso e transformador, mas também são, direta ou indiretamente, seus deflagradores. Como explica o filósofo Zygmunt Baumann, “em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas”.

Ainda em nosso exemplo, a ideia do dinheiro acumulado como solução é avalizada por meio da citação de dados divulgados por organização:

O dinheiro continua circulando e é a única ficha que temos para apostar em um mundo melhor. Contudo, como informa um relatório recente das Nações Unidas, “por mais de uma geração, a renda do 1% mais rico do mundo cresceu em um ritmo duas vezes maior que a dos 50% mais pobres”. Assim, será o dinheiro e, com ele, a ideia do ter em detrimento do ser, que nos indicará o melhor caminho?

Estratégia da exemplificação

O exemplo é um recurso argumentativo muito usado, pois ajuda a “ilustrar” as ideias apresentadas, permitindo ao leitor uma “visualização” imediata do que o autor do texto está querendo dizer. Em nosso caso, um exemplo é utilizado para mostrar ao leitor o tipo de iniciativa a que os mais ricos podem recorrer para cooperar com a diminuição das desigualdades do mundo:

Será o grande, só assim reconhecido por seu poderio econômico, suficientemente esperto para se dar conta de que não pertence a uma casta de eleitos (por um certo deus dourado), mas que pode se tornar efetivamente grande caso invista na certeza de um futuro para a aldeia? Exemplo disso é o movimento liderado pelo cofundador da Microsoft, Bill Gates, e pelo megainvestidor Warren Buffett, envolvendo quarenta bilionários norte-americanos e suas famílias. O compromisso deles é doar pelo menos metade de suas respectivas fortunas para projetos sociais que tenham real impacto na diminuição da desigualdade econômica.

Estratégia da analogia

Cabe aqui explorar situações análogas, similares àquelas sobre as quais se discorre – em geral, mais simples ou conhecidas do leitor –, com o objetivo de esclarecer pontos eventualmente complexos ou obscuros da apresentação de ideias. Em nosso caso, a história do rei Midas ajusta-se bem para mostrar, por analogia, que o acúmulo de riqueza e a obsessão por ter não parecem nos levar a um mundo melhor:

O dinheiro continua circulando e é a única ficha que temos para apostar em um mundo melhor. Será o dinheiro e, com ele, a ideia do ter em detrimento do ser, que nos indicará o melhor caminho? Faremos como o lendário rei Midas, que recebeu o dom de transformar em ouro tudo o que tocava e só percebeu que sua dádiva era, na verdade, uma maldição quando já estava quase morrendo de inanição e de solidão, uma vez que os alimentos que pegava e as pessoas que abraçava também se transformavam em ouro?

Argumentar é preciso. Quando se sabe como fazer, fica muito mais fácil!

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Sem Medo de Escrever, o livro

Olá, amigos! Acaba de chegar às bancas virtuais da Amazon o meu primeiro e-book Sem Medo de Escrever. A proposta do livro é ajudar o leitor a vencer com desenvoltura, segurança e criatividade os desafios profissionais, acadêmicos e pessoais da escrita. Afinal, quem não gostaria de escrever um artigo de opinião, um post para a internet ou mesmo um livro… sem medo algum?

Trata-se de uma orientação, passo a passo, sobre a arte e o ofício de escrever, baseada em minha experiência de mais de trinta anos com textos, seja trabalhando como jornalista, em comunicação empresarial, jornal impresso e portal de internet; seja como professora de redação, ajudando jovens e adultos a avançar no aprimoramento da escrita.

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Redação do Enem: para não fugir do tema!

Para não fugir do tema e correr o risco de zerar na redação do ENEM, é fundamental que você desenvolva seu texto “dentro dos limites do tema definido pela proposta”, como explica a Cartilha do Participante do ENEM.

Isso significa que, ao ler a proposta de redação, você não só precisa entender exatamente qual é o tema, de caráter mais amplo e abrangente, mas especialmente o recorte sugerido pela banca, ou seja, sob qual perspectiva, mais restrita e específica, aquele tema deve ser analisado.

Vamos ver como isso funciona na prática, observando duas propostas do ENEM que apresentam o mesmo tema, mas com recortes, indicados pela banca, muito diferentes:

ENEM 2011 – Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado

ENEM 2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Em ambas as propostas, o tema (amplo e abrangente) é o mesmo: a relação do usuário com a internet. Contudo, os recortes – os “limites do tema definido pela proposta” – são bem distintos. Enquanto no ENEM 2011 a banca pedia que se discutisse a forma como o usuário lida com a identificação do que é público e do que é privado nessa relação; no ENEM 2018, a proposta era analisar como na internet, a partir do controle de dados, o comportamento do usuário é manipulado.

Para começar a se sair bem na redação do ENEM, portanto, é necessário que você leia com atenção a proposta, ajustando o foco do seu texto para os “limites” do tema definido. Se houver dúvidas, recorra aos textos motivadores para encontrar pistas sobre o caminho a seguir.

Veja, por exemplo, no ENEM 2011. Eram três os textos motivadores. O primeiro – Liberdade sem fio – trazia declaração da ONU considerando o acesso à rede um direito fundamental do ser humano, assim como saúde, moradia e educação.

O segundo texto – A internet tem ouvidos e memória –, mostrava que estar nas redes sociais faz parte da socialização do indivíduo de nossa época e que isso é benéfico para a disseminação das ideias; advertia, no entanto, para os riscos e consequências do compartilhamento de informações, pois tudo se torna público na internet.

O terceiro texto, uma tirinha, trazia um personagem que discursava contra o monitoramento constante das câmeras de segurança, hoje presentes em cada vez mais lugares. Mas quem o monitorava, de acordo com o último quadrinho, também era monitorado, sugerindo que está cada vez mais difícil manter a privacidade.

Assim, observando as pistas dos textos motivadores, seria possível estruturar a redação com a seguinte linha de raciocínio: a internet já faz parte da vida em sociedade, até como um direito assegurado; permite amplo acesso às informações, facilita a comunicação e aproxima as pessoas via redes sociais; porém, como tudo é compartilhado, necessário ter cuidado e saber lidar com os limites entre o público e o privado.

Para o correto entendimento da proposta de redação, portanto, leia com bastante atenção o que é pedido pela banca; identifique qual é o tema (mais amplo) e qual é o recorte do tema (mais específico), e confirme essa identificação pelas pistas encontradas nos textos motivadores.

No mais, ajuste o foco e escreva sua redação, sem risco de fugir do tema.

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Dissertar e argumentar na redação do Enem

Para a redação do ENEM, a banca pede que você produza um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo. Não se sinta intimidado pelo “texto em prosa”. Texto assim nada mais é do que o texto corrido – como o deste post –, “sem metrificação intencional e não sujeito a ritmos regulares”, como explica o Houaiss, que é o texto típico da poesia.

Quanto à tipologia textual, o exigido é o padrão dissertativo-argumentativo, referindo-se ao texto que usa a dissertação para discorrer sobre um assunto, definir um ponto de vista e defendê-lo por meio de argumentos.

O texto dissertativo-argumentativo organiza-se em três segmentos que estão ligados entre si de forma lógica e encadeada. São eles: introdução; desenvolvimento e conclusão.

No primeiro segmento, a introdução, você pode usar um parágrafo para apresentar o tema – sobre o que estou falando?; delimitar o contexto em que esse tema se aplica – estou falando sobre esse tema em um determinado conjunto de circunstâncias (lugar, época, momento histórico, cultural, social etc.), e expor seu ponto de vista a respeito do tema – como avalio essa questão?

No segundo segmento, o desenvolvimento, você pode usar de dois a três parágrafos para apresentar seus argumentos, buscando fatos, informações, dados, histórias, exemplos, reflexões, explicações, análises, comparações, alusões históricas, citações, entre outros recursos, para demonstrar o acerto de sua maneira de pensar a respeito do tema.

No terceiro segmento, a conclusão, você pode usar um parágrafo para finalizar seu raciocínio, apresentando a dedução lógica da reflexão feita, ou seja, dando um arremate às ideias apresentadas.

Mas não se esqueça, como se trata de ENEM, você também deve incluir na conclusão, de forma encadeada com o arremate feito anteriormente, uma proposta de intervenção para o problema abordado.

Fica à sua escolha fazer ou não um título para a redação, pois se trata de um elemento opcional, de acordo com o ENEM. Contudo, a sugestão é que você defina um, ainda antes de escrever a redação.

Isso porque um título adequado deve resumir ou dar uma ideia de seu ponto de vista a respeito do tema abordado na redação e, assim, serve para direcionar o desenvolvimento de seu texto. Funciona como uma bússola, ajudando-o a não se perder em voltas desnecessárias e a ganhar em objetividade e coerência.

Para se sair bem na redação do ENEM, portanto, ajuda não sair do traçado do texto dissertativo-argumentativo.

E, para entender melhor como trabalhar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, não deixe de ver: Redação em quatro etapas

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