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Para se sair bem na redação do ENEM (1): Não fuja do tema!

Para não fugir do tema e correr o risco de zerar na redação do ENEM, é fundamental que você desenvolva seu texto “dentro dos limites do tema definido pela proposta”, como explica a Cartilha do Participante do ENEM.

Isso significa que, ao ler a proposta de redação, você não só precisa entender exatamente qual é o tema, de caráter mais amplo e abrangente, mas especialmente o recorte sugerido pela banca, ou seja, sob qual perspectiva, mais restrita e específica, aquele tema deve ser analisado.

Vamos ver como isso funciona na prática, observando duas propostas do ENEM que apresentam o mesmo tema, mas com recortes, indicados pela banca, muito diferentes:

ENEM 2011 – Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado

ENEM 2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Em ambas as propostas, o tema (amplo e abrangente) é o mesmo: a relação do usuário com a internet. Contudo, os recortes – os “limites do tema definido pela proposta” – são bem distintos. Enquanto no ENEM 2011 a banca pedia que se discutisse a forma como o usuário lida com a identificação do que é público e do que é privado nessa relação; no ENEM 2018, a proposta era analisar como na internet, a partir do controle de dados, o comportamento do usuário é manipulado.

Para começar a se sair bem na redação do ENEM, portanto, é necessário que você leia com atenção a proposta, ajustando o foco do seu texto para os “limites” do tema definido. Se houver dúvidas, recorra aos textos motivadores para encontrar pistas sobre o caminho a seguir.

Veja, por exemplo, no ENEM 2011. Eram três os textos motivadores. O primeiro – Liberdade sem fio – trazia declaração da ONU considerando o acesso à rede um direito fundamental do ser humano, assim como saúde, moradia e educação.

O segundo texto – A internet tem ouvidos e memória –, mostrava que estar nas redes sociais faz parte da socialização do indivíduo de nossa época e que isso é benéfico para a disseminação das ideias; advertia, no entanto, para os riscos e consequências do compartilhamento de informações, pois tudo se torna público na internet.

O terceiro texto, uma tirinha, trazia um personagem que discursava contra o monitoramento constante das câmeras de segurança, hoje presentes em cada vez mais lugares. Mas quem o monitorava, de acordo com o último quadrinho, também era monitorado, sugerindo que está cada vez mais difícil manter a privacidade.

Assim, observando as pistas dos textos motivadores, seria possível estruturar a redação com a seguinte linha de raciocínio: a internet já faz parte da vida em sociedade, até como um direito assegurado; permite amplo acesso às informações, facilita a comunicação e aproxima as pessoas via redes sociais; porém, como tudo é compartilhado, necessário ter cuidado e saber lidar com os limites entre o público e o privado.

Para o correto entendimento da proposta de redação, portanto, leia com bastante atenção o que é pedido pela banca; identifique qual é o tema (mais amplo) e qual é o recorte do tema (mais específico), e confirme essa identificação pelas pistas encontradas nos textos motivadores.

No mais, ajuste o foco e escreva sua redação, sem risco de fugir do tema.

Veja os outros posts desta série:

Para se sair bem na redação do ENEM (2): Desenvolva o tipo de texto pedido

Para se sair bem na redação do ENEM (3): Atenda os critérios de avaliação

Para se sair bem na redação do ENEM (4): Faça revisão do texto

Para se sair bem na redação do ENEM (5): É bom saber!

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Para se sair bem na redação do ENEM (2): Desenvolva o tipo de texto pedido

Para a redação do ENEM, a banca pede que você produza um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo. Não se sinta intimidado pelo “texto em prosa”. Texto assim nada mais é do que o texto corrido – como o deste post –, “sem metrificação intencional e não sujeito a ritmos regulares”, como explica o Houaiss, ou seja, o oposto do texto usual da poesia, escrita em verso.

Quanto à tipologia textual, o exigido é o padrão dissertativo-argumentativo, referindo-se ao texto que usa a dissertação para discorrer sobre um assunto, definir um ponto de vista e defendê-lo por meio de argumentos.

O texto dissertativo-argumentativo organiza-se em três segmentos que estão ligados entre si de forma lógica e encadeada. São eles: introdução; desenvolvimento e conclusão.

No primeiro segmento, a introdução, você pode usar um parágrafo para apresentar o tema – sobre o que estou falando?; delimitar o contexto em que esse tema se aplica – estou falando sobre esse tema em um determinado conjunto de circunstâncias (lugar, época, momento histórico, cultural, social etc.), e expor seu ponto de vista a respeito do tema – como avalio essa questão?

No segundo segmento, o desenvolvimento, você pode usar de dois a três parágrafos para apresentar seus argumentos, buscando fatos, informações, dados, histórias, exemplos, reflexões, explicações, análises, comparações, alusões históricas, citações, entre outros recursos, para demonstrar o acerto de sua maneira de pensar a respeito do tema.

No terceiro segmento, a conclusão, você pode usar um parágrafo para finalizar seu raciocínio, apresentando a dedução lógica da reflexão feita, ou seja, dando um arremate às ideias apresentadas.

Mas não se esqueça, como se trata de ENEM, você também deve incluir na conclusão, de forma encadeada com o arremate feito anteriormente, uma proposta de intervenção para o problema abordado.

Fica à sua escolha fazer ou não um título para a redação, pois se trata de um elemento opcional, de acordo com o ENEM. Contudo, a sugestão é que você defina um, ainda antes de escrever a redação.

Isso porque um título adequado deve resumir ou dar uma ideia de seu ponto de vista a respeito do tema abordado na redação e, assim, serve para direcionar o desenvolvimento de seu texto. Funciona como uma bússola, ajudando-o a não se perder em voltas desnecessárias e a ganhar em objetividade e coerência.

Para se sair bem na redação do ENEM, portanto, ajuda não sair do traçado do texto dissertativo-argumentativo.

Veja os outros posts desta série:

Para se sair bem na redação do ENEM (1): Não fuja do tema!

Para se sair bem na redação do ENEM (3): Atenda os critérios de avaliação

Para se sair bem na redação do ENEM (4): Faça revisão do texto

Para se sair bem na redação do ENEM (5): É bom saber!

 

E, para entender melhor como trabalhar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, não deixe de ver: Redação em quatro etapas

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Para se sair bem na redação do ENEM (3): Atenda os critérios de avaliação

Os critérios de avaliação do ENEM baseiam-se em cinco competências, cada uma valendo uma nota que varia de zero a duzentos pontos. A soma desses pontos compõe a nota total, que pode chegar a 1000 pontos.

Para se sair bem na redação do ENEM, é fundamental entender, e atender adequadamente, o que é pedido em cada uma dessas competências. Vamos a elas:

Competência 1 – Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita

Para ter uma boa nota nessa competência, você precisa escrever seu texto de acordo com a modalidade escrita formal da língua portuguesa, ou seja, nada de usar a linguagem coloquial das conversas e, menos ainda, da internet. É preciso também seguir as regras de ortografia e de acentuação gráfica regidas pelo atual Acordo Ortográfico.

Usando, então, uma linguagem formal, procure desenvolver sua redação de maneira clara, objetiva e direta, estruturando frases com começo, meio e fim, ou seja, com informações completas e bem encadeadas, que contribuam para a fluidez da leitura.

Também fique atento para o uso de um vocabulário variado e correto. Evite repetir palavras e busque os termos mais precisos, ou seja, que tenham de fato o sentido do que você quer expressar. Se não souber ou tiver dúvidas quanto ao significado correto de uma palavra, substitua por outra cujo sentido você conheça e que seja ajustada para aquele contexto. É melhor escolher palavras mais simples, mas corretas, do que termos sofisticados, mas inadequados.

Outra importante ferramenta que você deve usar para demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita é a pontuação. Em uma conversa, para expressar com clareza suas ideias, você usa basicamente a entoação: inflexão ou modulação que se dá à fala para que o interlocutor perceba que o falante está formulando uma afirmação, pergunta, pedido ou ordem; que está surpreso, contente etc.

Quando você escreve, no entanto, só tem palavras enfileiradas no papel. Como sinalizar quando existe uma pausa, um fim, uma pergunta, uma hesitação etc.? Ainda bem que existe a pontuação, recurso indispensável para dar clareza e precisão à expressão de ideias por escrito e que tem, justamente, a função lógica de organizar o texto.

Competência 2 Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo

Como vimos no post Não fuja do tema! desta série, é fundamental, para se sair bem na redação do ENEM, entender corretamente a proposta de redação: qual é o tema mais amplo e qual o recorte do tema indicado pela banca.

Também vimos, no post Desenvolva o tipo de texto pedido, que é preciso desenvolver a redação de acordo com o padrão de texto dissertativo-argumentativo, um texto que se caracteriza por ser opinativo, organizando-se na defesa de um ponto de vista sobre determinado assunto.

Para desenvolver sua redação, inspire-se nos textos motivadores, mas não copie trechos deles, pois esse procedimento é avaliado de forma negativa, diminuindo sua pontuação (veja mais no post É bom saber!). Melhor utilizar informações de várias áreas do conhecimento para justificar e validar seu ponto de vista. Evite recorrer a reflexões previsíveis, que demonstram pouca originalidade no desenvolvimento do tema proposto.

Seu texto, para ser bem avaliado nessa competência, deve ser estruturado com uma introdução, em que a tese a ser defendida é explicitada (começo do texto); argumentos que comprovam a tese distribuídos em até três parágrafos do desenvolvimento (meio do texto); e um parágrafo final com o arremate da reflexão feita mais a proposta de intervenção funcionando como uma conclusão.

Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista

Para se sair bem na avaliação dessa competência, seu texto deve apresentar consistência e coerência.

Um texto consistente explora em profundidade o assunto que é a essência da mensagem, apresentando informações completas e confiáveis e argumentos bem desenvolvidos e convincentes.

Um texto coerente traz as ideias harmoniosamente encadeadas, de maneira a traçar uma linha de raciocínio objetiva e de fácil acompanhamento pelo leitor.

Para conseguir consistência e coerência em seu texto, vale fazer um planejamento prévio, montar um roteiro antes de escrever. Veja como:

  • Defina seu ponto de vista sobre o tema da proposta de redação em até quatro linhas;
  • Com base nesse ponto de vista, defina um título para sua redação;
  • Defina, então, em linhas gerais, o que você vai incluir no começo (introdução), no meio (desenvolvimento) e no fim (conclusão) de seu texto;
  • Para o começo de seu texto, busque ideias nas respostas a três questões: sobre qual assunto estou escrevendo? / estou escrevendo sobre esse assunto em qual contexto? / qual é o meu ponto de vista sobre esse assunto?
  • Para o meio, relacione argumentos (informações, fatos, dados, histórias, exemplos, reflexões, explicações, análises, citações, comparações, alusões históricas, entre outros) que ajudem a defender, justificar e validar suas ideias a respeito do assunto;
  • Para o fim, retome o fio condutor de seu raciocínio e pense na proposta de intervenção como uma sugestão que pode minimizar, ajudar a resolver o problema apontado na discussão do assunto.

Feito o roteiro, analise-o pelo prisma da consistência: há um ponto de vista bem definido sobre o assunto? / os argumentos escolhidos são os mais adequados para a defesa desse ponto de vista? / os argumentos escolhidos dão sustentação lógica e clara a esse ponto de vista?

E também pelo prisma da coerência: os três segmentos lógicos do texto (começo, meio e fim) estão bem articulados? / as ideias estão harmoniosamente encadeadas? / há uma linha de raciocínio objetiva e de fácil acompanhamento pelo leitor, que “costura” o começo ao meio e o meio ao fim?

O passo seguinte é escrever sua redação, lembrando que um texto consistente e coerente flui agradavelmente, envolvendo o leitor e fazendo-o refletir a respeito do que está escrito.

Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação

Se a competência 3 avalia o conteúdo da sua redação, ou seja, a consistência e a coerência de suas ideias, a competência 4 verifica a forma como você articula essas ideias ao longo do texto; primeiro, encadeando-as em frases, períodos e parágrafos e, depois, encadeando frases, períodos e parágrafos entre si.

O principal recurso dessa articulação, essencial para que o texto flua de forma clara e agradável, são os conectores: palavras ou expressões que estabelecem conexão entre frases, períodos e parágrafos de um texto, permitindo a sequência harmoniosa de ideias.

Quando um texto está bem articulado, com seus vários segmentos encadeados em uma sequência lógica, dizemos que há coesão textual. A utilização adequada de elementos de coesão, os conectores, contribui para a progressão textual.

Os conectores não são palavras estranhas à nossa escrita rotineira. Ao contrário, são muito conhecidos. Entre eles estão conjunções, advérbios, pronomes, locuções adverbiais etc. No texto, funcionam como pecinhas de quebra-cabeça, cujo encaixe adequado possibilita formar corretamente o quadro geral.

Vamos rever, agora, alguns desses conectores discursivos e os efeitos de sentido que agregam às frases, períodos e parágrafos:

Para dar sentido de continuidade ou acrescentar algo – e / além disso / ainda / também / ademais / não só / não apenas / bem como

Para ilustrar ou esclarecer algo – por exemplo / isto é / ou seja / aliás

Para mostrar propósito, intenção ou finalidade – a fim de / com o propósito de / com o intuito de / para que / para

Para concluir ou introduzir um resumo – em suma / em síntese / portanto / assim / dessa forma / dessa maneira / desse modo / logo / pois / nesse sentido

Para explicar causas e consequências – por consequência / por conseguinte / por isso / por causa de / em virtude de / assim / com efeito / que / já que / uma vez que / portanto / de tal forma

Para introduzir contraste, oposição, restrição e ressalva – pelo contrário / salvo / exceto / menos / mas / contudo / todavia / entretanto / no entanto / apesar de / ainda que / mesmo que / posto que / ao passo que / em contrapartida

Veja, a seguir, como a utilização de conectores ajuda a fazer fluir o texto:

Estudou muito para o vestibular. Além disso, leu todos os livros recomendados, ou seja, investiu tempo e disposição nessas tarefas, com o propósito de alcançar seu objetivo.

Dessa forma, não viu o tempo passar e, quando chegou o momento do exame, por causa de sua dedicação, foi muito bem-sucedido.

Contudo, não começou a faculdade junto com os outros calouros, mas isso ocorreu por um bom motivo: estava de férias na praia, pois precisava muito de um descanso.

Prepare-se, então. Em sua redação, para se sair bem nessa competência, você deve usar conectores para garantir as relações de continuidade essenciais à elaboração de um texto coeso, ou seja, que apresenta unidade lógica.

Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos

Vale a pena investir atenção e cuidado na elaboração de uma proposta de intervenção. Para conseguir a melhor nota nessa competência, sua sugestão precisa ser detalhada, relacionada ao tema e articulada com a discussão desenvolvida no texto.

Por expressar a sua visão, como autor, das possíveis soluções para a questão discutida, essa proposta deve estar coerente com a sua argumentação e apresentar um vínculo direto com a tese desenvolvida no texto.

Além disso, importante lembrar que sua proposta deve respeitar os direitos humanos: “não rompa com valores como cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural”, esclarece a Cartilha do Participante do ENEM.

Sua proposta de intervenção deve incluir não só a ação sugerida, mas também o agente social – pais, educadores, escola, governo, redes sociais, mídia, instituições etc. – capaz de executá-la, de acordo com o âmbito da ação sugerida: individual, familiar, comunitário, social, político etc.

Não se esqueça ainda de detalhar, em sua proposta, o meio de execução da ação sugerida, respondendo à pergunta: como isso pode ser feito?; bem como os resultados, em linhas gerais, que você imagina alcançar com a intervenção.

Faça, então, uma proposta de intervenção bem elaborada e detalhada para garantir uma boa avaliação nessa competência.

Veja os outros posts desta série:

Para se sair bem na redação do ENEM (1): Não fuja do tema!

Para se sair bem na redação do ENEM (2): Desenvolva o tipo de texto pedido

Para se sair bem na redação do ENEM (4): Faça revisão do texto

Para se sair bem na redação do ENEM (5): É bom saber!

Leia também:

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Para se sair bem na redação do ENEM (4): Faça revisão do texto

Antes de passar seu texto a limpo, é importante revisar o rascunho. Isso significa dar uma avaliada crítica no texto para identificar eventuais erros de grafia, acentuação, concordância, pontuação etc.; imprecisões do vocabulário; repetições de palavras ou de expressões etc.

Vale também verificar a lógica, a consistência e a coerência do texto, observando se sua discussão sobre o tema ficou clara, objetiva e compreensível.

Se você quer a melhor nota para a sua redação, não deixe de fazer o checklist da revisão:

Conteúdo

  • Lógica – meu texto apresenta um começo, um meio e um fim facilmente identificáveis e compreensíveis?
  • Coerência – meu texto apresenta o tema usando uma sequência harmoniosa de frases, períodos e parágrafos, que se integram no desenvolvimento de um raciocínio com sentido completo?
  • Consistência – meu texto traz um ponto de vista bem definido sobre o tema? / os argumentos que usei dão sustentação lógica a esse ponto de vista? / a proposta de intervenção que fiz apresenta a ação; o agente social capaz de executá-la; o meio pelo qual a ação pode ser executada, e os resultados pretendidos com a ação sugerida?
  • Precisão – meu texto usa palavras adequadas às ideias desenvolvidas?

Forma

  • Correção gramatical – as palavras que usei estão grafadas corretamente? / as frases estão adequadamente construídas? / há algum problema de concordância nominal ou verbal? / há palavras repetidas?
  • Pontuação – há algum descompasso entre pausas para respiração, ênfase, entonação e os sinais de pontuação utilizados?
  • Objetividade – consegui ir do ponto de partida (introdução) ao ponto de chegada (conclusão) do meu texto sem dispersões, rodeios ou detalhes irrelevantes?
  • Clareza – utilizei frases de construção simples e direta, com começo, meio e fim, ou seja, com informações completas?

 

Veja os outros posts desta série:

Para se sair bem na redação do ENEM (1): Não fuja do tema!

Para se sair bem na redação do ENEM (2): Desenvolva o tipo de texto pedido

Para se sair bem na redação do ENEM (3): Atenda os critérios de avaliação

Para se sair bem na redação do ENEM (5): É bom saber!

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Para se sair bem na redação do ENEM (5) – É bom saber!

Como sua prova será avaliada

Os critérios de avaliação do ENEM baseiam-se em cinco competências, cada uma valendo uma nota que varia de zero a duzentos pontos. A soma desses pontos compõe a nota total, que pode chegar a 1000 pontos.

Para se sair bem na redação do ENEM, é fundamental entender, e atender adequadamente, o que é pedido em cada uma das seguintes competências:

Competência 1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Com base nesses critérios, cada redação será avaliada de forma independente por, pelo menos, dois professores. A nota final corresponderá à média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores.

Caso haja alguma discrepância entre as notas – uma diferença de mais de 200 pontos na nota total ou uma diferença de mais de 80 pontos em qualquer uma das competências –, a redação será avaliada por um terceiro professor. A nota final resultará, então, da média aritmética das duas notas totais que mais se aproximarem.

Se, mesmo depois da terceira avaliação, a discrepância continuar, a redação será avaliada por uma banca com três professores, que se responsabilizará por definir a nota final.

Para não zerar na redação

Fique atento para as razões que levam uma redação a receber nota zero na prova do ENEM:

  • Fugir totalmente do tema proposto;
  • Não desenvolver o texto de acordo com a estrutura dissertativo-argumentativa;
  • Fazer um texto de até sete linhas;
  • Fazer cópia integral de um ou mais textos motivadores da Proposta de Redação e/ou de um ou mais textos apresentados no Caderno de Questões;
  • Escrever impropérios (insultos, ofensas), fazer desenhos e levar a efeito outras formas propositais de anulação, como inserir números ou sinais gráficos fora do texto;
  • Inserir parte deliberadamente desconectada do tema proposto e da argumentação apresentada, ou seja, incluir elementos estranhos, como bilhetes destinados à banca avaliadora, mensagens de protesto, orações, trechos de música etc., que não tenham conexão com o tema nem com as ideias desenvolvidas na redação;
  • Pôr assinatura, nome, apelido ou rubrica fora do local devidamente designado para a assinatura do participante;
  • Desenvolver o texto predominantemente em língua estrangeira;
  • Apresentar a folha própria para a redação em branco, mesmo que haja texto na folha de rascunho.

Outras observações importantes:

O texto definitivo da redação deve ser escrito a tinta, na folha própria, em até 30 linhas.

Para efeito de avaliação e de contagem do mínimo de linhas escritas, os trechos que forem cópia de textos motivadores da Proposta de Redação ou de textos apresentados no Caderno de Questões serão desconsiderados em relação ao total de linhas escritas, valendo somente as que foram produzidas pelo participante.

Redação com letra ilegível poderá não ser avaliada. Por isso, capriche na letra para evitar dúvidas no momento da avaliação.

O título é um elemento opcional na produção da redação do ENEM. Se você fizer um título, será considerado como linha escrita; porém, não será analisado em nenhum aspecto relacionado às competências, nas quais os critérios de avaliação do exame se baseiam.

 

Veja os outros posts desta série:

Para se sair bem na redação do ENEM (1): Não fuja do tema!

Para se sair bem na redação do ENEM (2): Desenvolva o tipo de texto pedido

Para se sair bem na redação do ENEM (3): Atenda os critérios de avaliação

Para se sair bem na redação do ENEM (4): Faça revisão do texto

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Outras dicas interessantes:

O que será que texto e bombom têm em comum?

A lógica do texto

Fontes de pesquisa para os posts desta série:

A Redação no ENEM 2012 – Guia do Participante

Redação no ENEM 2018 – Cartilha do Participante

A arte de virgular

Vírgula 2

Essa tal arte de virgular, ou seja, de colocar vírgula no texto, mais do que conhecimento gramatical, exige sensibilidade. É preciso estar atento ao fluir da frase. Se interrompemos o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito, colocando a vírgula de forma errada, a frase resulta truncada, até sem sentido.Veja os exemplos a seguir:

O Presidente da República, nomeou o Ministro do Trabalho.

Tente não repetir, os mesmos erros.

Uma vírgula mal colocada atrapalha o entendimento agradável do pensamento. Mesmo que não tenhamos consciência clara disso, sentimos certo desconforto ao ler uma frase assim. De acordo com a gramática, isso ocorre porque não se pode separar o que está sintaticamente ligado: sujeito-verbo-complemento. Por isso:

Não se usa vírgula entre sujeito e verbo (primeira frase).

Não se usa vírgula entre verbo e complemento (segunda frase).

FALAR E ESCREVER

Mas a vírgula deve ser usada em muitas outras situações. Trata-se, assim como os demais sinais de pontuação, de um precioso recurso que utilizamos para sinalizar ao leitor como a frase deve ser lida e entendida.

Quando conversamos com alguém, face a face, fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos…

Nos textos, contudo, para obter o mesmo efeito, temos de recorrer à pontuação, em especial à vírgula, pois seu uso permite a correta entonação e interpretação da frase escrita, sinalizando quando se deve fazer uma pausa ligeira na leitura.

INTERCALAÇÕES

Ao sinalizar essa pausa, a vírgula ajuda o leitor a perceber a ocorrência de intercalações na estrutura básica da frase – aquela do sujeito-verbo-complemento –, sem interromper o fluxo natural do pensamento. Veja como isso ocorre nos seguintes exemplos:

O resultado do exame, ao que tudo indica, logo será publicado.

A vacinação, mesmo em doses fracionadas, ainda é o melhor sistema de prevenção.

A leitura da ideia principal (em negrito) ocorre de forma natural, sem que a intercalação (em itálico), por estar entre vírgulas, atrapalhe a compreensão da frase. Ao contrário, a separação com vírgulas ajuda a entender a frase de maneira mais completa, pois indica que há uma explicação, um esclarecimento, uma condição etc. associada à ideia principal.  A variedade de intercalações é grande, vamos conhecer as mais comuns…

EXPRESSÕES EXPLICATIVAS

As intercalações aqui são aquelas expressões corretivas, explicativas, tais como isto é; ou melhor; quer dizer; data vênia; ou seja; por exemplo etc. Como tais, devem ser colocadas entre vírgulas.

O professor, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil compreensão.

CONJUNÇÕES  

Certas conjunções, quando intercaladas, prepostas (postas antes) ou pospostas (postas depois) devem ser acompanhadas de vírgulas.

Empenhava-se no estudo com afinco e, por isso, conseguia bons resultados.

A verdade revelada, contudo, não fazia sentido.

Tratava-se, portanto, de fake news.

Entretanto, seguiu em frente.

O ano foi difícil; não me queixo, porém.

SUBORDINADAS

Nestes exemplos, separa-se com vírgula da oração principal (em negrito)  a oração subordinada (adverbial e reduzidas de gerúndio, particípio ou infinitivo, em itálico), que equivale a uma intercalação explicativa.

Quando chamado a comentar, fez um grave pronunciamento.

Sendo contrário, votou pela reprovação do projeto.

Abandonado pelos amigos, ele se virou como pôde.

Por ter parentesco com o réu, declarou-se impedido de julgar.

Os alunos colocaram-se em fila, atendendo ao sinal do recreio.

CONDICIONAL

Também se separa da oração principal (em negrito), com vírgula, a oração subordinada adverbial (em itálico), que funciona como uma intercalação condicional.

Ainda que o provoquem, não reage com violência.

Ele deve concluir o estudo hoje, se for possível.

VOCATIVO E APOSTO

Observe, nos exemplos a seguir, que se deve usar vírgula para separar os vocativos (primeira e segunda frase) e os apostos (terceira e quarta frase). Repare que a lógica de colocar a vírgula para organizar a frase principal, sem interromper sua fluência, se mantém. No caso do vocativo, em particular, a vírgula ainda ajuda a produzir um efeito dramático.

Amigos, é chegada a hora de buscar o entendimento.

Acorda, Brasil.

Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.

O homem, que é um ser mortal, deve se preocupar em deixar um legado.

PALAVRAS ISOLADAS

Aqui, a ideia é dar ênfase a uma afirmação, um conceito, uma tese. Palavras ou expressões intercaladas na frase principal conseguem alcançar esse efeito com o uso das vírgulas.

Compete ao cidadão, sim, exigir do político o cumprimento das promessas de campanha.

Ao político, de fato, cabe a responsabilidade de legislar em prol do bem de todos.

O USO MAIS COMUM

As vírgulas, portanto, são muito úteis para indicar a ocorrência de intercalações dos mais variados tipos na frase principal, sem interromper o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito.

Mas a vírgula se destaca naturalmente como recurso usado para organizar e ordenar uma sequência de termos ou de orações em um período. Veja os exemplos a seguir:

Chegou ao Rio de Janeiro, visitou o Pão de Açúcar, levou os filhos ao Jardim Botânico, passeou pela Avenida Atlântica, conheceu o novíssimo Museu do Amanhã.

Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem observadas na redação formal.

Assim, como explica a gramática, usa-se a vírgula para separar orações paralelas justapostas, ou seja, não ligadas por conjunção (primeira frase) e para separar termos independentes entre si (segunda frase).

O MAIS ELEGANTE

A vírgula também pode ser empregada para indicar a elipse, ou seja, a ocultação de verbo ou de outro termo usado anteriormente, ajudando a estruturar a frase de forma mais sofisticada. Observe:

João prefere os livros e Carlos, os esportes. 

(João prefere os livros e Carlos prefere os esportes.)

No horizonte distante, uma promessa de navio.

(No horizonte distante havia uma promessa de navio.)

O MAIS PRÁTICO

Quem não conhece este uso da vírgula? Com o objetivo de organizar e deixar bem claro o que está expresso por escrito, usamos a vírgula para separar os topônimos (nome do lugar) em datas e endereços.

São Paulo, 23 de abril de 1999.

Rua Nascimento e Silva, 107.

POR FIM, ALGUMAS PECULIARIDADES

  • No caso das conjunções mas e pois, importante lembrar que elas requerem continuidade e não pausa ligeira. Assim: Ele veio rápido, mas não ficou muito tempo. (e não Ele veio rápido, mas, não ficou muito tempo.) / Riu muito da situação, pois foi um acontecimento inusitado. (e não Riu muito da situação, pois, foi um acontecimento inusitado.)
  • Em uma única situação, quando tem o sentido de por conseguinte, portanto, a conjunção pois vem entre vírgulas: Ele está em outra cidade e não pode, pois, saber o que acontece aqui.
  • Não se usa vírgula antes de e, ou e nem, com algumas exceções:  1) Quando o e liga orações de sujeitos diferentes: O menino respondeu com um sorriso, e a menina, com uma piscadela. / 2) Quando o e e o nem estiverem repetidos na frase, visando dar ênfase ou sinalizar uma pausa mais marcada: Ele tropeçou, e caiu, e se machucou… / Ninguém o acompanhou, nem os irmãos, nem os amigos, nem a namorada! / 3) Quando se quer dar ênfase a uma afirmação ou deixar mais marcada uma pausa na frase: Ela contou toda a história, e pôs muita emoção nisso. / Vamos sair agora, ou não? / Vou entrar neste mar, nem que fique congelada!
  • A colocação da vírgula é opcional quando o termo anteposto – em geral, advérbios e adjuntos adverbiais – se constitui em uma única palavra. Mas nada impede que coloquemos a vírgula, especialmente se a intenção for realçar o termo: Ontem a CPI decidiu convocar mais um depoente. Ou Ontem, a CPI decidiu convocar mais um depoente. / Depois vamos ao show. Ou Depois, vamos ao show. / Repentinamente disse tudo que o incomodava. Ou Repentinamente, disse tudo que o incomodava.

Vírgula 9

VÍRGULA: APROVEITE ESSE RECURSO COM MUITA ARTE!

 

Veja também:

REDAÇÃO EM QUATRO ETAPAS

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