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Curso Prático de Redação

Sem medo de escrever 3

Quer conquistar desenvoltura e segurança para escrever?

Despertar sua criatividade adormecida?

Sair-se bem na escrita do dia a dia da empresa? Ser bem sucedido na redação para vestibular ou concurso? Escrever, sem medo, sua tese acadêmica ou aquele artigo para a revista?

Descobrir, enfim, como pode ser prazeroso expressar-se por escrito?

Então, você está no rumo certo. Veja:

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São aulas práticas, nas quais você vai exercitar, passo a passo,  o processo da escrita:

1º passo – refletir, explorar e pesquisar o tema.

2º passo – organizar as ideias, estruturar roteiro prévio.

3º passo – escrever, aprendendo a utilizar as técnicas de redação e os recursos da linguagem.

4º passo – revisar, fazer os ajustes necessários para deixar o texto “redondo”.

Ofereço também correção de redações via e-mail, ajudando na preparação de vestibulandos e concurseiros.

Para saber mais: entre em contato pelo fone (43) 9 9996.7791 (também WhatsApp) ou  por e-mail: anasetti@uol.com.br 

Aguardo você!

Ana Setti Rosa

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Conheça um pouco mais sobre mim:

Perfil profissional

Portfolio

Conheça um pouco mais sobre o desafio da escrita:

Medo de escrever… Quem não tem?

Conheça um pouco mais sobre o processo da escrita:

Redação em quatro etapas

Conheça um pouco mais sobre meu jeito de ensinar:

A arte de virgular

 

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A arte de virgular

Vírgula 2

Essa tal arte de virgular, ou seja, de colocar vírgula no texto, mais do que conhecimento gramatical, exige sensibilidade. É preciso estar atento ao fluir da frase. Se interrompemos o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito, colocando a vírgula de forma errada, a frase resulta truncada, até sem sentido.Veja os exemplos a seguir:

O Presidente da República, nomeou o Ministro do Trabalho.

Tente não repetir, os mesmos erros.

Uma vírgula mal colocada atrapalha o entendimento agradável do pensamento. Mesmo que não tenhamos consciência clara disso, sentimos certo desconforto ao ler uma frase assim. De acordo com a gramática, isso ocorre porque não se pode separar o que está sintaticamente ligado: sujeito-verbo-complemento. Por isso:

Não se usa vírgula entre sujeito e verbo (primeira frase).

Não se usa vírgula entre verbo e complemento (segunda frase).

FALAR E ESCREVER

Mas a vírgula deve ser usada em muitas outras situações. Trata-se, assim como os demais sinais de pontuação, de um precioso recurso que utilizamos para sinalizar ao leitor como a frase deve ser lida e entendida.

Quando conversamos com alguém, face a face, fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos…

Nos textos, contudo, para obter o mesmo efeito, temos de recorrer à pontuação, em especial à vírgula, pois seu uso permite a correta entonação e interpretação da frase escrita, sinalizando quando se deve fazer uma pausa ligeira na leitura.

INTERCALAÇÕES

Ao sinalizar essa pausa, a vírgula ajuda o leitor a perceber a ocorrência de intercalações na estrutura básica da frase – aquela do sujeito-verbo-complemento –, sem interromper o fluxo natural do pensamento. Veja como isso ocorre nos seguintes exemplos:

O resultado do exame, ao que tudo indica, logo será publicado.

A vacinação, mesmo em doses fracionadas, ainda é o melhor sistema de prevenção.

A leitura da ideia principal (em negrito) ocorre de forma natural, sem que a intercalação (em itálico), por estar entre vírgulas, atrapalhe a compreensão da frase. Ao contrário, a separação com vírgulas ajuda a entender a frase de maneira mais completa, pois indica que há uma explicação, um esclarecimento, uma condição etc. associada à ideia principal.  A variedade de intercalações é grande, vamos conhecer as mais comuns…

EXPRESSÕES EXPLICATIVAS

As intercalações aqui são aquelas expressões corretivas, explicativas, tais como isto é; ou melhor; quer dizer; data vênia; ou seja; por exemplo etc. Como tais, devem ser colocadas entre vírgulas.

O professor, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil compreensão.

CONJUNÇÕES  

Certas conjunções, quando intercaladas, prepostas (postas antes) ou pospostas (postas depois) devem ser acompanhadas de vírgulas.

Empenhava-se no estudo com afinco e, por isso, conseguia bons resultados.

A verdade revelada, contudo, não fazia sentido.

Tratava-se, portanto, de fake news.

Entretanto, seguiu em frente.

O ano foi difícil; não me queixo, porém.

SUBORDINADAS

Nestes exemplos, separa-se com vírgula da oração principal (em negrito)  a oração subordinada (adverbial e reduzidas de gerúndio, particípio ou infinitivo, em itálico), que equivale a uma intercalação explicativa.

Quando chamado a comentar, fez um grave pronunciamento.

Sendo contrário, votou pela reprovação do projeto.

Abandonado pelos amigos, ele se virou como pôde.

Por ter parentesco com o réu, declarou-se impedido de julgar.

Os alunos colocaram-se em fila, atendendo ao sinal do recreio.

CONDICIONAL

Também se separa da oração principal (em negrito), com vírgula, a oração subordinada adverbial (em itálico), que funciona como uma intercalação condicional.

Ainda que o provoquem, não reage com violência.

Ele deve concluir o estudo hoje, se for possível.

VOCATIVO E APOSTO

Observe, nos exemplos a seguir, que se deve usar vírgula para separar os vocativos (primeira e segunda frase) e os apostos (terceira e quarta frase). Repare que a lógica de colocar a vírgula para organizar a frase principal, sem interromper sua fluência, se mantém. No caso do vocativo, em particular, a vírgula ainda ajuda a produzir um efeito dramático.

Amigos, é chegada a hora de buscar o entendimento.

Acorda, Brasil.

Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.

O homem, que é um ser mortal, deve se preocupar em deixar um legado.

PALAVRAS ISOLADAS

Aqui, a ideia é dar ênfase a uma afirmação, um conceito, uma tese. Palavras ou expressões intercaladas na frase principal conseguem alcançar esse efeito com o uso das vírgulas.

Compete ao cidadão, sim, exigir do político o cumprimento das promessas de campanha.

Ao político, de fato, cabe a responsabilidade de legislar em prol do bem de todos.

O USO MAIS COMUM

As vírgulas, portanto, são muito úteis para indicar a ocorrência de intercalações dos mais variados tipos na frase principal, sem interromper o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito.

Mas a vírgula se destaca naturalmente como recurso usado para organizar e ordenar uma sequência de termos ou de orações em um período. Veja os exemplos a seguir:

Chegou ao Rio de Janeiro, visitou o Pão de Açúcar, levou os filhos ao Jardim Botânico, passeou pela Avenida Atlântica, conheceu o novíssimo Museu do Amanhã.

Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem observadas na redação formal.

Assim, como explica a gramática, usa-se a vírgula para separar orações paralelas justapostas, ou seja, não ligadas por conjunção (primeira frase) e para separar termos independentes entre si (segunda frase).

O MAIS ELEGANTE

A vírgula também pode ser empregada para indicar a elipse, ou seja, a ocultação de verbo ou de outro termo usado anteriormente, ajudando a estruturar a frase de forma mais sofisticada. Observe:

João prefere os livros e Carlos, os esportes. 

(João prefere os livros e Carlos prefere os esportes.)

No horizonte distante, uma promessa de navio.

(No horizonte distante havia uma promessa de navio.)

O MAIS PRÁTICO

Quem não conhece este uso da vírgula? Com o objetivo de organizar e deixar bem claro o que está expresso por escrito, usamos a vírgula para separar os topônimos (nome do lugar) em datas e endereços.

São Paulo, 23 de abril de 1999.

Rua Nascimento e Silva, 107.

POR FIM, ALGUMAS PECULIARIDADES

  • No caso das conjunções mas e pois, importante lembrar que elas requerem continuidade e não pausa ligeira. Assim: Ele veio rápido, mas não ficou muito tempo. (e não Ele veio rápido, mas, não ficou muito tempo.) / Riu muito da situação, pois foi um acontecimento inusitado. (e não Riu muito da situação, pois, foi um acontecimento inusitado.)
  • Em uma única situação, quando tem o sentido de por conseguinte, portanto, a conjunção pois vem entre vírgulas: Ele está em outra cidade e não pode, pois, saber o que acontece aqui.
  • Não se usa vírgula antes de e, ou e nem, com algumas exceções:  1) Quando o e liga orações de sujeitos diferentes: O menino respondeu com um sorriso, e a menina, com uma piscadela. / 2) Quando o e e o nem estiverem repetidos na frase, visando dar ênfase ou sinalizar uma pausa mais marcada: Ele tropeçou, e caiu, e se machucou… / Ninguém o acompanhou, nem os irmãos, nem os amigos, nem a namorada! / 3) Quando se quer dar ênfase a uma afirmação ou deixar mais marcada uma pausa na frase: Ela contou toda a história, e pôs muita emoção nisso. / Vamos sair agora, ou não? / Vou entrar neste mar, nem que fique congelada!
  • A colocação da vírgula é opcional quando o termo anteposto – em geral, advérbios e adjuntos adverbiais – se constitui em uma única palavra. Mas nada impede que coloquemos a vírgula, especialmente se a intenção for realçar o termo: Ontem a CPI decidiu convocar mais um depoente. Ou Ontem, a CPI decidiu convocar mais um depoente. / Depois vamos ao show. Ou Depois, vamos ao show. / Repentinamente disse tudo que o incomodava. Ou Repentinamente, disse tudo que o incomodava.

Vírgula 9

VÍRGULA: APROVEITE ESSE RECURSO COM MUITA ARTE!

 

Veja também:

REDAÇÃO EM QUATRO ETAPAS

AINDA BEM QUE EXISTE A PONTUAÇÃO

Quando usar? Afim / A fim de

 

dicas-redacao-lingua-portuguesa-5

 

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Quando usar? Ao encontro de / De encontro a

Quando usar? À medida que / Na medida em que

Quando usar? Ao encontro de / De encontro a

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Quando usar? À medida que / Na medida em que

Quando usar? Afim / A fim de

Quando usar? À medida que / Na medida em que

Vez ou outra, ao escrever, “tropeçamos” em alguma dúvida…  Uma bastante comum é sobre o uso correto de determinadas expressões. Vamos ultrapassar essas dificuldades do caminho? Siga as dicas.

dicas-redacao-lingua-portuguesa-1

 

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Quando usar? Ao encontro de / De encontro a

Quando usar? Afim / A fim de

Redação em quatro etapas

Sem medo de escrever 3

Imagine ser convidado a escrever um artigo, uma reflexão, uma opinião sobre qualquer assunto…  A primeira dica é seguir o sábio conselho do escritor Douglas Adams, que vem impresso “em letras garrafais e amigáveis” na capa de seu Guia do Mochileiro das Galáxias: NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Isso é muito importante porque, ficando calmos, vamos perceber que a escrita não depende só de uma ação – escrever –, mas sim de um processo que todos podemos desenvolver para dar conta do desafio.

Primeira etapa

A primeira etapa do processo da escrita é muito simples. Trata-se de pensar e refletir a respeito do assunto sobre o qual vamos escrever; de pesquisar e explorar mais a fundo o tema em questão.

Como exemplo, vamos imaginar que nosso tema seja: TOMATE.  O que escrever a respeito? Não sendo especialista na área, o jeito é pesquisar, explorar o assunto. Ao consultar o “doutor” Google, entre outras fontes dos tempos modernos, obtemos algumas informações, tais como:

  • O tomate é um fruto de formato arredondado e de cor vermelha, rico em licopeno – excelente agente antioxidante –,vitaminas A, B e C, e sais minerais como o fósforo, potássio, cálcio e magnésio. Esses nutrientes ajudam no desenvolvimento de dentes, músculos e ossos, e na proteção do sistema imunológico, entre muitos outros benefícios. O licopeno, que está associado à redução do risco de doença cardíaca e dos níveis de colesterol, possui propriedades anti-inflamatórias e ainda ajuda na prevenção de doenças relacionadas com a idade, como a degeneração macular.
  • O tomate caracteriza-se por sua versatilidade, podendo ser usado em massas, saladas, sopas, guisados, refogados, entre outras composições, e por possuir poucas calorias. Um tomate de tamanho médio contém cerca de 24 calorias. Uma rodela fina de tomate tem em torno de três calorias. Dizem que o tomate deve ser consumido cozido para render o máximo de seu valor nutritivo. No caso do licopeno, isso é verdade, mas a vitamina C e as enzimas são absorvidas com mais facilidade quando o tomate é consumido cru. 
  • O tomate recebe muito agrotóxico durante seu cultivo tradicional. Por isso, deve-se lavá-lo muito bem, retirar as partes de cima e de baixo, que acumulam mais agrotóxicos e também evitar consumi-lo verde. O melhor é optar por tomates bem maduros, nos quais a concentração de agrotóxicos já se diluiu um pouco. Recomenda-se também colocar o tomate em uma solução de 1 litro de água + 1 colher de sopa de bicarbonato, deixar de molho por meia hora e depois lavar novamente em água corrente.
  • O tomate já esteve em destaque nos noticiários, especialmente em 2013, e não por bons motivos. Naquele ano, foi o “puxador” da inflação, com uma alta de 72,79% acumulada em apenas quatro meses. Os produtores atribuíram o aumento à falta de chuvas ou ao excesso delas. O preço alto do tomate rendeu muitas piadas.

Tomates 1A

Segunda etapa

Com os dados em mãos, podemos passar para a segunda etapa do processo da escrita, que é organizar as ideias em um projeto de texto. Essa organização começa pela definição de um título, que vai nos indicar o melhor “recorte”, a melhor abordagem para aquele assunto.

Em nosso exemplo, soubemos vários fatos interessantes a respeito do tomate. Podemos até escrever sobre todos eles, mas teremos de escolher antes por qual ângulo vamos tratar o assunto. Do ponto de vista da nutrição? A partir da versatilidade do tomate na gastronomia? De uma perspectiva mais informativa? Eu optaria por esta última, com um toque de humor.

Para definir esse recorte, vamos “bolar” um título. Começamos “pinçando”, de todas as informações obtidas sobre o tomate, palavras/frases/conceitos que mais têm a ver com a perspectiva escolhida. Eis aí minha lista:

Tomate é um fruto – Vermelho – Redondo – Versátil – Sopas – Guisados – Massas – Saladas – Alimento “magro” – Agrotóxico – “Puxador” da inflação

Agora, com essas palavras e outras, que acabam vindo por associação durante o processo, vamos tentar “montar”, como em um puzzle, um quebra-cabeça, títulos que levem em conta o recorte definido. No caso, a ideia de “informar com leveza e bom humor”. O resultado:

  • Redondo, vermelho e versátil
  • Tomate: não pode faltar
  • Redondo, nutritivo e magro
  • É um pecado não comer deste fruto
  • Tomate, o pequeno notável

Escolheria o último porque ficou do jeito que eu queria, leve e com um toque de humor, devido à associação com a cantora e atriz luso-brasileira Carmen Miranda (1909-1955), de renome internacional, que era conhecida como “a pequena notável”.

Tomate + Carmen Miranda 5A

A partir do título escolhido, vamos elencar, em um roteiro, as ideias que comporão o texto sobre o tomate. O que vou pôr no começo, no meio e no fim do texto?

Roteiro

Título: Tomate, o pequeno notável

Começo

(apresentação do tema) O tomate e sua “notável” contribuição para nossa alimentação…

(contextualização) Sempre foi e continua sendo apreciado pela versatilidade / é recomendado tanto pela ciência quanto pela gastronomia…

(meu ponto de vista) Nutritivo e saboroso, vale a pena incluí-lo nas refeições…

Meio

(argumentos, informações, dados que justifiquem, apoiem meu ponto de vista) Quais são os nutrientes do tomate e para que servem; é versátil na culinária; tem poucas calorias; é saudável tanto cru quanto cozido; é preciso ter cuidado com os agrotóxicos…

Fim

(conclusão/dedução natural) Tão notável, por tantos aspectos, quando encarece vira um problema nacional, como no “surto” de inflação em 2013, do qual foi o principal “vilão”…

Quando fazemos um roteiro, uma prévia do que vamos escrever, fica muito mais fácil desenvolver o texto. Sabemos como começar e aonde queremos chegar. Temos a perspectiva, o foco e, por isso, dificilmente nos perderemos pelo caminho.

Terceira etapa

Com o roteiro, chegamos à terceira e principal etapa do processo: a escrita propriamente dita. Nesta fase, o que mais ajuda é contar com um bom “repertório” de recursos linguísticos, entre eles, um vocabulário variado. Para isso, é fundamental que nos exercitemos em uma prática muito prazerosa: a leitura. Por meio da leitura habitual, absorvemos conhecimento de forma natural, sem esforço, em diversas áreas. Junte-se a isso o “costume” de pensar e refletir sobre os fatos da vida, de exercitar a visão crítica sobre as questões cotidianas, que a leitura também estimula, e teremos excelente matéria-prima para usar na escrita.

Tomate + Carmen Miranda 3B

Assim, seguindo a orientação do roteiro para escrever o texto, temos:

Tomate, o pequeno notável

(Começo) Pequeno, arredondado e de cor vermelha, o tomate é um fruto muito sedutor. Cativa os nutricionistas pelo bem que faz à saúde. Estimula a criatividade dos “chefs” por sua inigualável versatilidade. Vai bem em molhos, saladas, sopas, refogados… De fato, um pequeno notável que não podemos deixar de incluir nas refeições. O que seria do macarrão das “mammas” sem ele?

(Meio) Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito bem dotado. Entre seus muitos nutrientes, conta com o licopeno, considerado um excelente antioxidante e que é associado à redução do risco de doença cardíaca e dos níveis de colesterol, e à prevenção de doenças relacionadas com a idade. Ainda dispõe das vitaminas A, B e C e de sais minerais como o fósforo, potássio, cálcio e magnésio, úteis no desenvolvimento de dentes, músculos e ossos, e na proteção do sistema imunológico.

Não bastasse tudo isso, o tomate inclui-se na categoria de alimentos “magros”. Um fruto de tamanho médio tem em torno de 24 calorias. Nas saladas, portanto, ou como aperitivo, o tomate vai bem e não compromete a silhueta. Além disso, ao ser consumido cru, facilita a absorção da vitamina C e das enzimas presentes no alimento. Quando cozido, no entanto, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno.

Mas seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto. Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de água (um litro) com bicarbonato (uma colher de sopa), retirar as pontas, que acumulam mais agrotóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando o defensivo agrícola já está mais diluído no fruto.

(Fim) Por ser tão presente, em tantos preparos culinários, quando o tempo não ajuda e a colheita é pouca, o tomate “puxa” a inflação lá para cima. Foi o que ocorreu em 2013, quando seu preço aumentou vertiginosamente e foi motivo de notícias e piadas, como aquela que circulou pela internet, criando um novo programa do governo: “Meu tomate, minha vida”. Mesmo caro, portanto, o fato é que não dá para passar sem ele. Melhor é aceitar essa nutritiva realidade e incluir, sempre que possível, esse pequeno notável em nossas refeições.

Quarta etapa  

Na última etapa do processo da escrita, o objetivo é revisar, fazer os ajustes necessários para deixar o texto “redondo”. Trata-se de uma “olhada” final para identificar erros (grafia, acentuação, concordância, pontuação etc.), imprecisões (às vezes, a palavra escolhida não é a mais apropriada naquele contexto ou para a expressão daquela ideia), repetições e outros problemas. Tudo isso para conseguir um texto mais claro, objetivo, bonito…

Tomate close 2A

Em nosso exemplo, fiz as seguintes mudanças:

(Começo) … O que seria do macarrão das “mammas” sem ele? – Achei que ficou um pouco forçado. Por isso, mudei para: O que seria do macarrão de domingo sem ele?

(Meio) Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito bem dotado. – Percebi que o bem dotado com aspas acentuaria, daria destaque ao humor, à ambiguidade do conceito: Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito “bem dotado”.

(Meio) Quando cozido, no entanto, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno. – Aqui, vi que havia a repetição de um conectivo – no entanto. Quando fui procurar uma variação, percebi também que esse conectivo em particular não era o mais apropriado para aquele contexto.  Assim, mudei para: Quando cozido, por outro lado, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno.

(Meio) Mas seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto. – Aqui, identifiquei a falta da vírgula depois do “Mas”. Isso porque o “seja cru ou cozido” é uma intercalação explicativa e, portanto, deve estar entre vírgulas: Mas, seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto.

(Meio) …Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de água (um litro) com bicarbonato (uma colher de sopa), retirar as pontas, que acumulam mais agrotóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando o defensivo agrícola já está mais diluído no fruto. – Aqui, verifiquei que ficaria melhor para a fluência da frase tirar as indicações dos parênteses e rearranjá-las. Também, como se trata de uma relação de procedimentos, seria melhor um ponto e vírgula antes de “retirar as pontas”. Além disso, há a repetição de uma palavra – agrotóxico – e a utilização de um seu sinônimo – defensivo agrícola – que ficou meio deslocado no contexto. Mudei para: Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de um litro de água com uma colher de sopa de bicarbonato; retirar as pontas, que acumulam mais agentes tóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando esses elementos estão mais diluídos no fruto.

(Fim) …Mesmo caro, portanto, o fato é que não dá para passar sem ele. Melhor é aceitar essa nutritiva realidade e incluir, sempre que possível, esse pequeno notável em nossas refeições. – Aqui, observei que o fim do texto ficou sem força, além de repetitivo em relação ao que foi escrito no primeiro parágrafo. Assim, ajustei para: O fato é que não passamos sem ele. Cheio de predicados, é um alimento não só notável como indispensável.

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Tomate, o pequeno notável

 Pequeno, arredondado e de cor vermelha, o tomate é um fruto muito sedutor. Cativa os nutricionistas pelo bem que faz à saúde. Estimula a criatividade dos “chefs” por sua inigualável versatilidade. Vai bem em molhos, saladas, sopas, refogados… De fato, um pequeno notável que não podemos deixar de incluir nas refeições. O que seria do macarrão de domingo sem ele?

Essa performance, no entanto, só é possível porque o tomate é muito “bem dotado”. Entre seus muitos nutrientes, conta com o licopeno, considerado um excelente antioxidante e que é associado à redução do risco de doença cardíaca e dos níveis de colesterol, e à prevenção de doenças relacionadas com a idade. Ainda dispõe das vitaminas A, B e C e de sais minerais como o fósforo, potássio, cálcio e magnésio, úteis no desenvolvimento de dentes, músculos e ossos, e na proteção do sistema imunológico.

Não bastasse tudo isso, o tomate inclui-se na categoria de alimentos “magros”. Um fruto de tamanho médio tem em torno de 24 calorias. Nas saladas, portanto, ou como aperitivo, o tomate vai bem e não compromete a silhueta. Além disso, ao ser consumido cru, facilita a absorção da vitamina C e das enzimas presentes no alimento. Quando cozido, por outro lado, libera o máximo do valor nutritivo do licopeno.

Mas, seja cru ou cozido, é preciso tomar cuidado com os agrotóxicos, muito usados no cultivo tradicional do fruto. Por isso, recomenda-se lavá-lo muito bem, de preferência em uma solução de um litro de água com uma colher de sopa de bicarbonato; retirar as pontas, que acumulam mais agentes tóxicos, e consumi-lo bem maduro, quando esses elementos estão mais diluídos no fruto.

Por ser tão presente, em tantos preparos culinários, quando o tempo não ajuda e a colheita é pouca, o tomate “puxa” a inflação lá para cima. Foi o que ocorreu em 2013, quando seu preço aumentou vertiginosamente e foi motivo de notícias e piadas, como aquela que circulou pela internet, criando um novo programa do governo: “Meu tomate, minha vida”. O fato é que não passamos sem ele. Cheio de predicados, é um alimento não só notável como indispensável.

Se gostou dessa dica de redação, dê uma olhadinha também em:

A lógica do texto

A arte de virgular

 

 

A lógica do texto

Parece óbvio, mas nem sempre nos lembramos de que um dos aspectos formais mais importantes do texto é apresentar um começo, um meio e um fim facilmente identificáveis e compreensíveis. Seja redação de vestibular, defesa de tese, carta, ou um simples e-mail, nada é mais agradável para o leitor do que acompanhar, com facilidade, o ponto de vista do escritor, do começo ao fim do texto.

Um bom texto apresenta o desenvolvimento de um raciocínio com sentido pleno e, por isso, é importante saber o que compõe cada um de seus segmentos lógicos. Assim:

Começo

O tema / assunto sobre o qual estou escrevendo.

O contexto no qual esse tema / assunto se insere.

Meu ponto de vista sobre o assunto.

Meio

Os argumentos, as informações, as histórias, as metáforas, as analogias etc. que justificam meu ponto de vista sobre o assunto, que defendem o posicionamento que apresentei no começo do texto.

Fim

A dedução lógica / natural de toda a reflexão feita.

A conclusão da linha de raciocínio desenvolvida (algo como 2 + 2 = 4).

Esse é o fio condutor básico de qualquer texto, mas as composições, a partir dessa base, podem ser infinitas. Quanto maior a desenvoltura do escritor, mais proveito criativo tirará desse recurso, inclusive, algumas vezes, revertendo essa lógica (o fim vira começo e o começo vira fim, por exemplo).

Mas vejamos uma referência de texto que segue a lógica do começo, meio e fim, com muita criatividade. Trata-se do haicai, uma forma de fazer poesia, de origem japonesa, que utiliza apenas três frases para “contar uma história”; “registrar um momento”; “expressar um sentimento”; “fazer uma reflexão” etc. Haja concisão e objetividade, não?

Moderno e à moda brasileira, o haicai a seguir, do poeta paranaense Paulo Leminski (1944-1989), dá uma boa ideia desse tipo de poema e de sua lógica perfeita:

acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo

Espelho 1

 

 

 

Na primeira fraseacordei e me olhei no espelho – revela-se o tema: um comportamento comum do nosso cotidiano. Já o contexto seria um dia qualquer desse cotidiano. Ainda na primeira frase, insinua-se o ponto de vista do autor: uma reflexão sobre a nossa condição humana.

Na segunda fraseainda a tempo de ver – apresenta-se a justificativa que motiva a reflexão do autor sobre a nossa condição humana, ou seja, estamos saindo de uma noite de sono, de sonhos, de descanso, em que a dura e corrida realidade do dia a dia ainda não se instalou; então, não totalmente armados das “defesas” que usamos nos enfrentamentos diários do viver, somos capazes de perceber algo mais sutil.

Na terceira frasemeu sonho virar pesadeloconclui-se a linha de raciocínio desenvolvida pelo autor; esse “algo mais sutil” que conseguimos perceber, quando nos olhamos no espelho pela manhã, é que aquele relaxamento, aquele “esquecer” dos problemas, possibilitado pelo sono, durou só um momento, parecendo-se a um sonho bom que, ao se desfazer perante a realidade, vira um pesadelo.

O próximo exemplo é um haicai mais tradicional, do poeta japonês Issa (1763-1827):

Passo a passo
sobre a montanha no verão –
de repente o mar.

Mar montanha 1

 

 

 

Na primeira frasePasso a passo – insinua-se o tema, de forma delicada, sutil, característica da poesia: uma caminhada?  Pode-se deduzir um contexto emocional: essa caminhada é feita com vagar, com tranquilidade. Não há ainda um ponto de vista definido, mas sim um estímulo para que o leitor se junte ao autor nessa sensação sobre a qual ele está escrevendo.

Na segunda frasesobre a montanha no verão – tem-se a informação sobre o local e a estação do ano em que se dá a caminhada prazerosa.

Na terceira frasede repente o marpercebe-se, com a conclusão, o que o autor quis mostrar: aquela sensação de maravilhamento que temos quando, cansados, suados, ao fazer uma caminhada montanha acima, em pleno verão, deparamos, de repente, com a visão da imensidão do mar lá embaixo.

Deu para perceber a importância da lógica em um texto? É essa lógica que vai permitir ao leitor uma compreensão adequada da ideia / reflexão do autor. Em um bom texto, portanto, não se esqueça, tudo tem um começo, um meio e um fim.

Sugestão para aproveitar melhor essa dica: analise textos de colunistas de jornal, revista, internet e procure identificar os elementos constituintes do começo (tema, contexto, ponto de vista), do meio (justificativa, informações, defesa de ideias, argumentos etc.) e do fim (dedução lógica, conclusão do raciocínio), constatando como a presença desses elementos, encadeados de forma coerente, facilita a compreensão da ideia do autor.

 

Veja  também:

Redação em quatro etapas

A arte de virgular

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