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Arquivo para julho, 2014

SOLUÇÃO

 

cachorro uivando 3

Uivava muito e sofridamente de dia e de noite, lua nova ou cheia.

Se fosse no campo ou se ele fosse lobo, vá lá, mas era um cachorro branco, raça indefinida, espadaúdo e urbano, uivando e tirando do sério os vizinhos das casas e dos prédios do entorno.

De tudo um pouco os donos tentaram: remédio, veterinário, reza brava, aconchego, brinquedo de bola, corrida, cala a boca, chamego, nada resolvia e o cachorro uivava triste, coração partido, tirando o sossego de quem ouvia, enchendo os dias de melancolia.

Então, tiveram uma ideia ou será que veio de alguém um conselho?

Sabe-se que, um belo dia, ou será que foi de noite, se ouviu o dono bravo com o cachorro: Fica quieto! Sentado! Sossega! E o cão, inquieto, rosnava e não sossegava.

O que estava acontecendo? Que solução haviam encontrado?

A partir daí, nunca mais uivou; brincava, serelepe. Até se podia dizer que sorria e latia muito e alto, como a mostrar quem mandava, pois ao lado dele agora corria e independente se mostrava mais um vira-lata, só que preto, porte miúdo, em tudo diferente do outro, mas solidário na jornada.

Enfim, um amigo, um companheiro.

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AS PESSOAS…

Folhas de outono 1

Caem como folhas

douradas de outono

aos poucos, aos montes.

Afagadas, aconchegadas,

arrastadas, espalhadas

pelo vento, deixam

um rastro espiralado

de bronze.

Os galhos secos que ficam

também parecem condenados.

Contudo, onde nem esperança

havia, surgem outras folhas

vigorosamente verdes.

Apesar das perdas,

sobrevivem.

INSTANTE

Fruta sumarenta 1

Um beijo em sua boca,

fruta sumarenta,

bater de asas

de um beija-flor,

rápido e suave

instante de beleza,

flagrado em pleno ar.

Um beijo em sua boca,

selo do silêncio

sobre um segredo eterno,

nunca mais.

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