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Arquivo para janeiro, 2012

Banquete da vida

 

 

 

 

 

 

A vida nos mói

como a um feixe

de trigo,

para tirar o melhor

de nós mesmos.

Em meio à trituração,

ao amassamento,

temos flashes

de esclarecimento,

um raio de sol

que perpassa, sorrateiro,

as tábuas do moinho.

Cabe a cada um

cooperar

para que a aflição

da moagem

não se prolongue;

para que, uma vez

farinha,

acordemos,

nos libertemos,

participando assim,

matéria-prima refinada,

do banquete da vida.

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De bem

 

 

 

 

 

O aroma do assado

subverteu a ordem,

o coentro, o manjericão

espocaram na língua,

desfazendo os nós,

a framboesa,

derretida em calda,

suavizou a tensão,

o vinho espalhou-se,

generoso,

turbilhonando nas taças

de cristal,

as cores estaladas

das frutas e flores,

displicentemente

colocadas

sobre o aparador,

combinaram-se

como arco-íris

depois de chuva de verão,

o roçar da toalha branca,

de neve rendada,

o tilintar da fina porcelana,

tocada de leve

pelos talheres de prata,

inundaram de tons

irreverentes

o ambiente,

antes tão formal.

Uma refeição primorosa

selou, naquele dia,

as pazes do casal.

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