Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Arquivo para dezembro, 2010

DESPERTAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passarinho cantou,

tão baixo, rasteiro,

assoviou.

Lembro apenas

do barulho das sombras,

se desfazendo,

dos últimos pingos

caindo, um a um,

do arco-íris

que brilhou,

pavão furta-cor.

Vi, então, um pedaço

rasgado de céu azul

– seda ou cetim ? –

pequenas e frias estrelas

cintilando.

A lua brigou com o sol,

não houve casamento

nem de viúva,

nem de espanhol.

Ouvi ruídos longínquos,

estranhos.

Minha voz

procurou espaço,

queria se expandir,

fogo de encontro.

Só cinzas,

sem incêndio.

Busquei pedrinhas

para jogar no lago,

encontrei conchas

na areia vertiginosa

que seguia o mar.

Azul, verde,

o brilho cristalino

da água ofuscou

minha vista.

O barco pequeno

navegava ao encontro

do horizonte.

A bandeira, a vela,

cera branca,

branca de cera.

O vento rugiu,

o despertador tocou.

Ouvi, ainda,

estremunhada,

o trinar de um

passarinho.

Foi aqui dentro

ou lá fora

que ele cantou?

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