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Arquivo para setembro, 2009

Nada há a temer senão o temor

Publicado pela Editora Pensamento, o livro “14 Lições de Filosofia Yogue” traz esclarecimentos do mestre yogue Ramacharaca sobre o milenar conhecimento espiritual do Oriente.

A origem do livro é bem curiosa, já que se trata da compilação de aulas dadas pelo mestre yogue, por correspondência e em inglês, durante o ano de 1904. A primeira versão em português foi publicada em 1910.

Além de sabedoria, Ramacharaca – um dos pseudônimos do estudioso norte-americano William Walker Atkinson (1862 -1932) – esbanja doçura e compreensão por seus leitores ou, melhor, “aprendizes”. “O mestre oriental sabe que muitos dos seus ensinamentos são apenas a semeadura”, esclarece na primeira lição do livro, “e que, para cada ideia que o estudante assimile no começo, haverá um cento que virá ao campo do conhecimento consciente somente depois de um certo lapso.”

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Ele pede confiança, mas nunca crença cega: “Este é o caminho”, continua a explicar ainda no primeiro capítulo, “então, nele e na vereda encontrarás as coisas das quais te tenho falado; apalpa-as, pesa-as, mede-as, examina-as e reconhece-as por ti mesmo. Quando chegares a certo ponto do caminho, saberás tanto a seu respeito como eu ou qualquer outra alma nessa mesma etapa da jornada (…). Não aceites nada como definitivo, enquanto não o houverdes comprovado; porém, se és prudente, aproveitarás o conselho e a experiência daqueles que foram primeiro.”

Entre as “14 lições”, o leitor encontrará ensinamentos interessantes sobre princípios mentais e espirituais; aura e magnetismo; dinâmica do pensamento; influência psíquica; mundo astral; causa e efeito;  evolução espiritual…

Veja, a seguir, um trecho da nona lição, denominada “Influência Psíquica”, que explica como o mantra EU SOU pode nos ajudar a desenvolver a confiança em nosso próprio poder:

Espiritualidade

“A atitude mental expressa pela afirmação EU SOU vos rodeará como uma aura mental, que atuará como um escudo protetor até o tempo em que tenhais adquirido completamente a consciência mais elevada, a qual traz consigo uma sensação de confiança própria, segurança e força.

Desse ponto em diante, vos conscientizareis gradualmente de que, quando dizeis EU, não falais somente da entidade individual, com toda a sua força e poder, mas do espírito que o EU tem atrás de si, unido a um inesgotável depósito de força, que pode ser utilizado sempre que necessário.

Tal pessoa jamais pode experimentar o temor porque se elevou acima dele. O temor é a manifestação da fraqueza e, por tanto tempo quanto o alimentemos, considerando-o um amigo íntimo, estaremos abertos e indefesos às influências dos outros.

Mas, lançando para um lado o temor, nos elevamos alguns passos na escala e nos pomos em contato com o forte, intrépido e valoroso pensamento do mundo, deixando atrás de nós a antiga debilidade e aflições da vida.

Quando o homem aprende que nada realmente pode prejudicá-lo, o temor parece-lhe uma estupidez. Quando o homem acorda à compreensão de sua natureza e destino, sabe que nada pode prejudicá-lo e, consequentemente, o temor é abandonado.

Foi bem dito: “Nada há a temer senão o temor”.

A abolição do temor põe nas mãos do homem uma arma de defesa e poder que o torna quase invencível.

Por que não aceitais esse dom, que livremente vos é oferecido?

Que o vosso lema seja:  EU SOU.  SOU LIVRE E NADA TEMO.”

Yogue Ramacharaca

 

 

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Coloque estilo em suas frases

Temos a ideia, o argumento, a informação, a mensagem, mas não sabemos como “transformá-la” em frase ou frases que expressem claramente nosso pensamento e, ao mesmo tempo, envolvam, persuadam e encantem o leitor.

Um dos recursos disponíveis para nos ajudar nessa tarefa parece, pelo nome, “coisa do outro mundo”. Com certeza, um mundo do passado, pois, em geral, estudamos essa “lição” nos “tempos idos” do colégio e ainda agregada à categoria da Estilística, o que nos fazia crer que era algo – o tal recurso – reservado apenas aos iniciados.

Na verdade, nem uma coisa, nem outra. As Figuras de Linguagem, apesar dos nomes às vezes enigmáticos, às vezes assustadores, com que foram batizadas, podem ser muito úteis quando se trata de escrever melhor.

Para começar, vamos saber o que significa exatamente uma Figura de Linguagem.

Esse é o nome dado à forma de expressão que foge da norma rigorosa (aproveita-a de um outro jeito, com inventividade), podendo apresentar alterações fonéticas (relativas a som), morfológicas (relativas à forma) ou sintáticas (relativas à construção gramatical). Portanto, podemos entendê-las como “ousadias” no uso da linguagem. Bem aproveitadas, costumam causar expressivo efeito. Conheça (e aproveite) algumas delas:

 

COMPARAÇÃO – Consiste em associar imagens distintas, mas com semelhanças subjetivas. A ideia é conseguir um efeito emocional, envolvente, que toque o coração. Na comparação, as imagens são unidas por conectivos – como, tal qual, assim como, tanto quanto etc..

Viu-se, então, velho e solitário, tal qual uma vela de chama frouxa, deixada a consumir-se sobre o aparador.

 

METÁFORA – Consiste em utilizar uma imagem em um contexto que não lhe é próprio, o que a faz desviar-se de seu significado original para assumir outro, em geral mais poético.

Mergulhei, mesmo temendo as manchas aladas e seus bicos pontiagudos, a furar a flor das águas.

Pássaros

METONÍMIA – Consiste em utilizar uma palavra por outra, que a representa igualmente, mas com sentido mais específico ou mais genérico do que o original, produzindo frases mais enfáticas, veementes.

Que pessoa sem coração!

sem coração = cruel

***

Meus cabelos brancos têm histórias para contar.

cabelos brancos = velhice, idade, sabedoria, experiência

 

SINESTESIA – Consiste em utilizar percepções, advindas de um sentido (audição, visão, tato, olfato, paladar), em outro sentido, visando obter grande efeito expressivo.

Com voz quente e acariciante, declamou versos apaixonados.

***

Endereçou-lhe um olhar cortante, do qual nunca mais se esqueceria.

***

Eram palavras perfumadas aquelas que ele lhe reservara.

Pontuarcoracao

ANTÍTESE – Consiste em aproximar palavras (frases, imagens) de sentido oposto, visando obter grande efeito expressivo.

Vida e morte, discursos diferentes para a mesma e impenetrável lógica; pontas opostas de um mesmo e onipotente destino.

***

Com a tempestade, o dia virou noite e o burburinho diluiu-se em silêncio tumular.

 

GRADAÇÃO – Consiste em desenvolver uma sequência de ideias, em ordem ascendente ou descendente, para dar força, enfatizar um raciocínio ou uma emoção.

Sob os viadutos, em que viceja um fervilhante e sórdido submundo, nada escapa, nem os ratos, parceiros noturnos, sombras soturnas, fantasmas.

***

Aquela ideia espalhou-se como luz, clareando, iluminando, abrilhantando, esclarecendo o mundo até então mergulhado nas trevas.

Eletronsraio190

ELIPSE – Consiste em uma economia de palavras (omissão propositada de termos que podem ser facilmente subentendidos), com o objetivo de dar mais leveza ao texto.

Sei que se o visse nada seria como antes, não mais a palpitação, o fogo lento, a me consumir docemente.

…não mais (sentiria) a palpitação

***

Os vencidos confortam os vencedores, os humildes recebem o reino de Deus e os pequeninos, a inocência eterna.

e os pequeninos (recebem) a inocência eterna

***

Tão bonito e elegante, tinha a impressão de conhecê-lo, mas como seria possível?

(Ele era) tão bonito e elegante (…) mas como (isso) seria possível?

 

INVERSÃO – Consiste em alterar a ordem normal dos termos ou frases, visando destacá-los do contexto. Em geral, o termo ou a frase a serem realçados são colocados no início do período.

Sonhos todos nós temos, o difícil é realizá-los.

***

Tão leve estou que já nem sombra tenho.”

Mário Quintana / Poeta

 

REPETIÇÃO (ou ALITERAÇÃO ou ASSONÂNCIA) – Consiste em repetir palavras ou sons consonantais (ALITERAÇÃO) e vocálicos (ASSONÂNCIA) iguais ou semelhantes, visando dar ritmo, ênfase e colorido à frase.

Ele se sentia cansado e fraco; fraco e desanimado; desanimado e sem esperança. Era isso, ele se sentia desesperançado.

***

Gira, rodopia, em calor amarelo, caramelo, o sol,

no infinito sem cor definida, a não ser a do mistério.

Solestilizado

ONOMATOPEIA – Consiste em aproveitar palavras cujo som se assemelha àquele que se quer representar. A utilização desse recurso traz ritmo, melodia e colorido ao texto.

 “Splish, splash fez o beijo que eu dei

 nela dentro do cinema…”

Roberto e Erasmo Carlos / Músicos

***

… o roçar da toalha branca,

de neve rendada,

o tilintar da fina porcelana,

tocada de leve

pelos talheres de prata…

 

 

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