Prosa, poesia, conexões quânticas, dicas de redação e de leitura, comentários, reflexões… Palavras em infinito movimento!

Arquivo para abril, 2009

Ler e gostar, é só começar!

Quando lemos, por mais estranha que pareça esta afirmação, a conversa flui. O papo ocorre com a gente mesmo, com o autor, com os personagens, num agradável livre pensar. Isso é natural, pois refletimos sobre o que estamos lendo. Concordamos ou discordamos dos pontos de vista apresentados. Sentimo-nos estimulados a encontrar argumentos para reforçar ou refutar as ideias defendidas pelo escritor. Comparamos, mentalmente, a teoria descrita no livro com a prática que conhecemos.

 Mas essa conversa pode se transformar numa viagem quando soltamos as rédeas da imaginação. Como portas que se abrem para o desconhecido, os livros nos levam a lugares diferentes, nos apresentam a pessoas interessantes, nos mostram outros costumes, outros modos de pensar…

Além disso, a leitura mexe com as nossas emoções. Rimos ou choramos com as alegrias e tristezas experimentadas pelos personagens. Desabafamos ou nos consolamos quando vemos situações, parecidas com aquelas que já vivemos, retratadas de forma dramática ou cômica, romanceada, enfim, nas páginas de um livro.

A leitura ainda nos proporciona muito assunto para conversa, nos ensina palavras novas e nos mostra como escrever de forma correta. Ao se tornar um hábito prazeroso, coopera para que ampliemos e aprofundemos nossa visão de mundo, estimulando nosso contínuo aprimoramento.

 

Escritorjovem300O gostar de escrever

está diretamente associado

ao gostar de ler.

 

Olhe à sua volta, pergunte. Quem gosta de escrever (e escreve com certa desenvoltura) é, em geral, alguém que aprecia a leitura, que transformou a leitura em hábito prazeroso.

 

 

Para gostar de ler…

Comece pela escolha do assunto e não decida porque é preciso (obrigação – profissional ou acadêmica – não vale para estimular o prazer de ler). De qual assunto você gosta? Esporte, televisão, teatro, cinema, pesca, navegação, psicologia, história, física, música, viagens, pessoas famosas, autoajuda, paixões, mitologia, esoterismo etc. Essa é, literalmente, uma lista sem fim, mas com um fim subentendido, o de estimular a sua definição… Descobriu o que atiça sua curiosidade?

Então, o próximo passo é ir até uma livraria (ou a uma biblioteca, ou a um sebo…) e se surpreender com a variedade de livros – de ficção e não ficção – existentes sobre o assunto de seu interesse. Para decidir (por qual começar a ler), observe o tamanho do livro (um muito volumoso pode ser desestimulante no início); leia o resumo da obra (linhas gerais da proposta do autor), que, em geral, vem na contracapa e nas “orelhas” (abas da capa e contracapa) do livro; dê ainda uma espiada no primeiro capítulo do livro, para saber se o estilo (o jeito de escrever) do autor agrada você.

 

A partir daí, é só ler e… aproveitar!

   

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Ilhabela

Estou partindo,

impregnada de sol,

de tepidez das águas,

de canção das matas.

Por onde ando

reflito calor extemporâneo,

imponência de montanha,

o balançar de ondas e barcos.

Por onde passo

deixo pistas de areia fina,

respingos de pele molhada.

Em tudo

vejo brilho de prata,

de cidade refletida no oceano.

Por tudo e por nada

lembro de flores esparsas,

pontilhando todos os caminhos.

Ilha cheia de artimanhas,

seduziu meu corpo,

encantou meus sentidos,

usou de magia e sortilégios,

me deixou enfeitiçada.

Ilhabelafina2 

 

Ainda bem que existe a pontuação

pontuacao2Quando conversamos, naturalmente fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, gritamos, sussurramos, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos.Frente a frente com outras pessoas, contamos com muitos recursos para nos expressar.

 

Frente a frente com um papel em branco ou tela de computador, no entanto, imaginando a reação do leitor a cada frase que escrevemos, a tarefa pode se revelar difícil.

Ainda bem que existe a pontuação: para dar clareza e precisão à expressão de nossas ideias por escrito; para pôr vibração, dar ênfase e emoção ao nosso texto; para indicar as pausas da respiração e até mesmo, como mostra a divertida história a seguir – transcrita e adaptada de “Seleções” – para indicar corretamente os destinatários de uma herança:

  

“Foi encontrado o seguinte testamento:

Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho

jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

 

 Quem tinha direito aos bens? Eram quatro os concorrentes.

 

O SOBRINHO pontuou o texto da seguinte forma:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

A IRMÃ pontuou assim:

Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

 O ALFAIATE fez a sua versão:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho?

Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

 

O PROCURADOR DOS POBRES, por sua vez:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho?

Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!”

  

Deu para sentir o quanto é importante a pontuação?

Só para lembrar:  

Ponto Final ( . ) – utilizado para sinalizar o final de uma frase. Usa-se também nas abreviaturas.

Ponto e Vírgula ( ; ) – dão à frase a pausa e a entoação equivalentes ao ponto, mas sem encerrar o período. São também utilizados para separar itens de uma relação.

Vírgula ( , ) – fundamental para a correta entonação e interpretação da frase escrita. É usada para separar palavras, expressões e orações, dando-lhes destaque.

Dois Pontos ( : ) – são usados, basicamente, para introduzir uma explicação, um esclarecimento, uma citação e a fala de um personagem.

Ponto de Interrogação ( ? ) – marca o fim de uma frase interrogativa direta.

Ponto de Exclamação ( ! ) – marca o fim de frases imperativas, exclamativas e optativas (que exprimem desejo).

Reticências ( ) – são usadas para marcar uma pausa longa, com muitos significados. Entre eles: hesitação, incerteza, ironia, prolongamento da ideia, malícia etc.

Aspas ( ”  “ ) – utilizadas para assinalar citações textuais; para indicar gírias, estrangeirismos ou termos / expressões em sentido figurado.

Asterisco ( * ) – sinaliza a existência de uma nota ou explicação ao pé da página ou no fim de um capítulo, e, nos dicionários e enciclopédias, remete a um verbete específico.

Travessão ( ) – usado, em geral, para esclarecer o significado de um termo; para intercalar reflexões e comentários; para indicar a ocorrência de diálogo.

Parênteses / Colchetes  ( [ ] ) – usados para isolar palavras, locuções ou frases intercaladas no período. Às vezes, substituem a vírgula ou o travessão.

Parágrafo ( § ) – Seção de texto que forma sentido completo, e que, regra geral, começa com a mudança de linha e entrada. O símbolo § é usado para indicar um parágrafo de um texto (em geral, técnico) ou artigo de lei.

 

Há regras, mas a melhor delas é o bom senso!

Veja também: Redação em quatro etapas, uma miniaula para você!

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